«Saudades! Sim… talvez… e por que não?…

Se o sonho foi tão alto e forte

Que pensara vê-lo até à morte

Deslumbrar-me de luz o coração!»

Tudo isto é saudade de ti!

Por vezes, e quem diz por vezes diz sempre, faz falta um maestro, um verdadeiro número 10, um alguém majestoso dentro e fora de campo. A saudade é tanta que estava capaz de te escrever um poema.

Pablito, que falta nos fazes. A nós Benfica, está claro, mas não só – que falta fazes a este pobre futebol. Já não sei se sei o que é apaixonar-me por um jogo ou um jogador. Ah que isto é quase uma carta de amor.

Gosto bastante de apelar à memória, como já devem ter reparado, e o que eu gostava mesmo, era que as palestras de Rui Vitória fossem sempre mostrar ao plantel vídeos do Aimar a jogar. O sorriso no rosto, a entrega, o jogo majestático, o carinho pela bola e o amor pelo jogo. É isso que nos faz falta.

Só desejava que todos tivessem como ídolo aquele pequeno 10. Até porque todos sabemos que o Aimar é o ídolo do melhor jogador do mundo! Talvez isso tenha alguma influência. Afinal, não podemos idolatrar quem trata a bola com carinho, se formos umas pequenas bestas com tijolos no lugar dos pés. (Nada contra essas pessoas. Eu adoro o Pablito e tenho dois tijolos no lugar dos pés. Mas também não me dedico ao jogo, pelo menos literalmente)

Julgo que é indiscutível a necessidade que sentimos de ver um Senhor a jogar à bola. Todos queremos na nossa equipa aquele que dentro e fora de campo é um senhor, um cavalheiro, mas, infelizmente, cada vez encontramos menos jogadores desses por essa Europa fora.

Aimar, para todos, é sinónimo de saudade
Fonte: SL Benfica

Eu necessito de um Senhor desses de volta. Sinto falta de me apaixonar em 90 minutos, de suspirar a cada toque na bola. Claro que, mesmo que houvesse, agora, esse jogador, tal não significaria uma qualidade excecional dos outros 10 companheiros. No entanto, se todos se declarassem ao esférico, se todos sentissem o amor por ele, como o Pablo sentia, com certeza seriamos mais felizes.

Se tivesse uma máquina do tempo e pudesse trazer algo de volta do passado esse número 10 mágico e apaixonante seria a minha primeira escolha, sem sequer pensar duas vezes. Sei que já lá vai o tempo de Aimar e desse equipa com que ele jogou, mas dava tudo para voltar a ver alguém com tanto amor ao jogo a jogar de águia ao peito.

Pablo Aimar nunca foi o que poderia ser sido (imagine-se que todo aquele historial de lesões não existia…) e, ainda assim, encantava Messi e Maradona. É possível não ficar apaixonado quando até dois dos melhores jogadores que alguma vez pisaram um relvado ficam? Não.

Desejo, com todas as minhas forças, um 10 como foi o El Mago. Desejo de novo um 10 que com os pés faz declarações de amor à bola, que sorri por lhe poder tocar e que irradia felicidade pelo simples facto de jogar o jogo que ama. Que se todos tivessemos um jogador assim, o futebol seria (ainda) mais bonito do que é.

Tudo isto são saudades e todos os dias procuro por ti, ou por um alguém assim, Pablito.

Foto de Capa: SL Benfica

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