A persistência é o segredo para o sucesso… dizem. E, se dizem, o André Almeida levou essa frase para a sua carreira.

Lembram-se do André da equipa B? Eu digo-vos. Jogava quase na posição dez. Era um médio que jogava à frente do trinco. Depois, foi adaptado a trinco e, quando chegou ao plantel principal, sofreu a maior consequência da polivalência: não ser um jogador focado numa tarefa só. O facto de, de forma regular, jogar na posição de médio defensivo, lateral direito e lateral esquerdo, fez do André Almeida uma espécie de tapa buracos que nunca se focou numa tarefa e assim nunca cresceu como jogador. Todos nós pensávamos no André como uma solução para uma ausência forçada de um jogador que jogasse nas posições escritas acima.

No momento da saída do Maxi Pereira, o André acabou por ver a sua presença regular no banco de suplentes como terminada. No entanto, da equipa secundária da Luz, víamos, a saltar, a correr, a chutar e a assistir, um jovem de tranças que fez esquecer o ex-camisola 14 em poucos minutos dentro das quatro linhas. Iniciava-se assim mais uma travessia no deserto para o André.

Contudo, e depois de muito sucesso, Nelson Semedo acabaria por sair para o FC Barcelona e André agarraria finalmente a responsabilidade de defender o lado direito da defesa dos encarnados. E, para os adeptos, foi fácil aceitar isso. Sabíamos da qualidade defensiva do André. Sabíamos que agora, de forma regular, conseguiria aumentar a sua qualidade individual e coletiva. Porém, a tarefa ofensiva, aquela que tanto foi frequente nas eras de Maxi e Nelson, desapareceria agora.

O André é já um dos capitães da equipa do Benfica. Uma responsabilidade acrescida para o lateral direito encarnado
Fonte: SL Benfica

Enganou-nos bem, não foi? Este André está a ultrapassar todas as expetativas que depositámos sobre ele. O homem corre em linha, constrói diagonais, mostra uma brilhante entendimento com os colegas, principalmente daquele flanco. Tem energia para fazer todo o correr e cruzar no último suspiro e até tem surpreendido com os golos impressionantes que tem marcado esta temporada. Este é o André que queríamos, é o André de que mais precisamos nesta altura da temporada, é o André que não tem tido descanso nas escolhas de Bruno Lage e anteriormente de Rui Vitória. A prova de que os técnicos que tinham a mesma opinião – positiva, é claro – sobre o futebol praticado pelo André.

E agora? Onde pode parar este André? Não sei. Pode sair e conhecer uma liga diferente, pode deixar-se ficar pelo SL Benfica e envergar a braçadeira de capitão com mais frequência. Pode dar um salto surpreendente, pode tanta coisa. Mas, se for para manter o camisola 34, eu assino por baixo a renovação de contrato de um dos jogadores mais importantes do plantel do Benfica.

E sabem o que é melhor nesta situação? É a alegria, a satisfação de ver o André a cumprir o seu sonho. Ser formado no clube e tornar-se um homem de voz no plantel principal encarnado.

Texto revisto por: Mariana Coelho

Foto de Capa: SL Benfica

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O João é benfiquista desde que se lembra. Nascido e criado em Aveiro, com uma experiência de cinco anos de vida em Moçambique, vive em Lisboa desde Agosto de 2015. A acompanhar os jogos do Benfica desde sempre e sem falhar a presença no Estádio da Luz pelo menos uma vez por ano, desde sempre que escreve textos pessoais acerca do Benfica e sobre o futebol em geral. Com coragem para defender e criticar o clube da Luz sempre que for preciso, tem mais interesse pela arte do futebol praticado do que pelas polémicas ou aspectos que mancham o desporto rei.                                                                                                                                                 O João escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.