Este domingo, volta a haver jogo grande na Liga Portuguesa. Depois do clássico entre SL Benfica e FC Porto, é a vez do SC Braga medir forças com os encarnados, num teste com significado e tradicionalmente difícil, não só pela equipa, mas pelo palco do espetáculo. A jogar em casa, na Pedreira, a partida que é cabeça de cartaz da quarta jornada coloca frente a frente águias e arsenalistas pela 145ª vez em todas as competições nacionais e internacionais.

Se recorrermos à estatística, ao longo de 144 partidas, disputadas em seis competições diferentes (Liga, Taça de Portugal, Taça da Liga, Liga Europa, Supertaça e o já extinto Campeonato de Portugal de 1926/1927), registaram-se 95 vitórias a favor dos encarnados, 18 triunfos para os bracarenses, 30 empates e 460 golos (337 para o Benfica e 123 para o Braga).

O Benfica leva a melhor em sete dos oito parâmetros: no total dos confrontos, em casa, fora, na Liga, nas Taças internas, na Supertaça e no Campeonato de Portugal. Só na Liga Europa, na edição de 2010/2011 que contou com três equipas portuguesas nas meias-finais, se regista uma vitória para cada lado, com o Braga em vantagem porque venceu a eliminatória e alcançou a final desse mesmo ano.

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O equilíbrio não poderia ser maior no número de jogos em casa e fora: 72 em Braga e 71 em Lisboa, com a Supertaça de 2016 em campo neutro. Se o primeiro conjunto é mais equilibrado (41 vitórias para o Benfica, 21 para o Braga e 10 empates), o segundo mostra o domínio encarnado a jogar diante dos seus adeptos (56 vitórias, duas para o Braga e 13 empates).

Podemos então, com base nestes dados, assumir o favoritismo encarnado? Não, de todo! Com a consideração do Braga como o quarto grande do futebol português, os confrontos com os outros grandes ganharam um contorno mais especial e emocional. Os jogos passaram a ser vistos com maior importância e indecisão quanto à exibição e ao resultado.

A estatística vale o que vale e serve única e exclusivamente para traçar o histórico entre duas equipas e lançar mais um novo capítulo na história, que se disputa este domingo. É um fator curioso e interessante para perceber os resultados anteriores, mas serve só mesmo para isso. Porque, de resto, é o momento que as duas equipas atravessam que faz com que se possa prever quem poderá entrar e estar melhor em campo. E digo prever, porque é o próprio jogo que vai trazer as respostas que procuramos e que serão posteriormente discutidas e analisadas.

Comecemos a antevisão pelos anfitriões, shall we?

A equipa de Ricardo Sá Pinto volta a encontrar o Benfica depois da derrota por 1-4 em abril. Na altura, à 31ª Jornada, era o jogo mais importante na caminhada encarnada rumo à Reconquista. Quatro meses depois, a importância mantém-se, mas a fase da época é bem distinta. Estamos no início do campeonato e, como tal, fatores como a classificação e os resultados são tidos em conta, mas não são analisados de forma tão decisiva como é feito na reta final. Assim, pouco importa dizer que o Benfica está na sexta posição com seis pontos, após uma derrota no Clássico e duas vitórias contra FC Paços de Ferreira e Belenenses SAD; e o Braga em oitavo com quatro, depois de vencer o Moreirense FC em casa, perder em Alvalade e empatar no reduto do Gil Vicente FC.

Seguindo em frente, os bracarenses apuraram-se para a fase de grupos da Liga Europa, depois de ultrapassarem duas fases de qualificação, o que levou a uma preparação maior da turma de Sá Pinto. Com o arranque da Liga, só já sete o número de jogos disputados, o que contrasta com os quatro do Benfica, que também disputou a Supertaça.

Em sete jogos, o Braga venceu cinco, empatou um e perdeu outro. Marcou 15 golos, sete deles com assistência e sofreu oito tentos. Na Europa, tem passeado à vontade, com um pleno de quatro vitórias e o primeiro objetivo da temporada alcançado.

Num plantel de 27 jogadores, a carga maior do início de época obrigou que Sá Pinto gerisse o plantel para duas competições em simultâneo. À exceção de Tiago Sá, David Carmo e Raúl Silva, todos foram utilizados, o que mostra a ótima rodagem do técnico, com duas vertentes distintas da equipa: focados e na máxima força na Europa; e mais leve na Liga, com o lançamento dos reforços Tormena, André Horta, Cajú, Eduardo, Diogo Viana, Galeno e Rui Fonte, mas sem pôr de lado a responsabilidade de entrar bem no Campeonato, o que não aconteceu na mesma medida que na Europa.

Na armada bracarense, Ricardo Horta vai ser osso duro de roer para a turma de Bruno Lage
Fonte: SC Braga

Em termos individuais, Ricardo Horta é o jogador que mais eficácia tem registado, ao ser o melhor marcador, com quatro dos 15 golos. Tem feito o que os avançados melhor sabem fazer: golos. Por isso, é justo dizer que será a grande ameaça para o jogo que aí vem, nunca esquecendo a parceria com o irmão André e a combinação com Paulinho.

Virando as atenções para o Benfica, muito se falou esta semana de como Bruno Lage e equipa iriam responder à derrota frente ao FC Porto. Desde então, os temas lançados são vários: a lesão de Chiquinho, quem pode substituir o criativo de São Martinho do Campo (dizem que Jota está para renovar e os parênteses não são por acaso), Raul de Tomas não é o parceiro de eleição para Seferovic e Nuno Tavares deve ser substituto de Grimaldo e não atuar pela direita, quando André Almeida já está recuperado. Vlachodimos (finalmente) renovou, Pizzi e Rafa continuam em grande forma – são os reis do golo e das assistências – embora tenham sido bem anulados no Clássico, sem esquecer o fecho do mercado e as múltiplas saídas que se vão registar no plantel (Cádiz já está no Dijon, os dossiers Cervi e Zivkovic continuam por resolver).

Apesar de tudo, os comentários não devem abalar a estrutura, que está a reagir exatamente da forma como tem de fazer. Bruno Lage continua a marcar as conferências pela tranquilidade e assim tem de acontecer. Independentemente dos resultados alcançados, há que pensar sempre no próximo jogo e esse é já domingo. Tudo o que está para trás conta, mas não interessa como uma prioridade. Conta apenas a análise ao adversário e aos seus jogadores e isso é função para Lage e companhia.

Pizzi surge como a esperança maior num jogo tradicionalmente difícil
Fonte: SL Benfica

É certo e sabido que o setubalense quer um plantel curto e competitivo. A base da competição que tanto procura tem vindo a ser conhecida ao longo das últimas semanas, mas só será fechada em definitivo após o fim da janela de transferências na madrugada de segunda, 2, para terça, 3 de setembro. Com isso em mente, tenho plena confiança na experiência de Lage a comandar este barco. A tranquilidade que mostra é deliciosa de assistir, tal como a política de apostar em jovens da formação. Essa será a grande estrutura do plantel encarnado para 2019/2020.

Porém, nem tudo é um mar de rosas! O grande receio de Lage é o que, por coincidência, levou à demissão de Rui Vitória. Falo na aposta sempre nos mesmos jogadores, correndo o risco que se verifique algum desgaste no plantel. Para terem uma noção, em 29 jogadores, Lage utilizou 15! A defesa não tem conhecido mais ninguém a não ser Vlachodimos, Nuno Tavares, Rúben Dias, Ferro e Grimaldo. Os médios pouco ou nada têm rodado: Pizzi, Samaris, Florentino e Rafa, tal como os avançados, com a dupla pouco convincente de Raul de Tomas-Seferovic. Os outros quatro jogadores utilizados (Gabriel, Jota, Chiquinho e Taarabt) somam entre 15 e 82 minutos, num total de 228’ em conjunto, menos 70’ que o titular com menos minutos, curiosamente RDT, com 298. Além disso, Lage tem por norma concentrar as três substituições nos últimos 20 minutos, salvo algum imprevisto, o que sobrecarrega ainda mais os jogadores titulares. É uma tendência, de todo, a evitar!

Se Lage quer vencer novamente, tem de mostrar que consegue ter opções de valor para todos os setores posicionais. Há muitos jovens a despontar na formação, toca a apostar neles! Com os jogadores mais velhos e os reforços, forma uma mescla significativa e interessante para a longa época que aí vem.

Resumindo, concluindo, mas nunca baralhando, temos todos os ingredientes reunidos para um excelente jogo de futebol, com duas equipas combativas e que vão quer vencer. Não vou prever o resultado – prefiro entusiasmar-me com a beleza do jogo em si – mas deixo uma aposta de onze inicial para cada um dos lados.

Onze provável SC Braga: Matheus; Ricardo Esgaio, Pablo Santos, Bruno Viana e Sequeira; André Horta, João Palhinha, Fransérgio e Ricardo Horta; Paulinho e Rui Fonte

Com Wilson Eduardo de fora por lesão sofrida frente ao Spartak Moscovo, Sá Pinto deverá apostar no quinteto defensivo habitual, seguido de um meio campo onde também poderá jogar João Novais. Com Ricardo Horta numa das alas, Paulinho alinhará com o reforço Rui Fonte, que apesar de já se ter estreado na Liga, pode estar a ser preparado com maior destaque para este jogo em concreto.

Onze provável SL Benfica: Vlachodimos; André Almeida, Rúben Dias, Ferro e Grimaldo; Pizzi, Florentino, Taarabt e Rafa; Jota e Seferovic

Nos encarnados, espero a mudança em alguns vícios de Bruno Lage, que podem conduzir a mexidas significativas. André Almeida poderá voltar à competição, rendendo Nuno Tavares; Taarabt entra para o lugar de Samaris, com o objetivo de ganhar mais posicionamento no meio campo e, finalmente, Raul de Tomas sai para entrar Jota – lembram-se de ter falado dele quando referi a lesão de Chiquinho – no apoio ou lado a lado com Seferovic.

Apresentados todos os ingredientes, estatísticas e momentos de forma, que este seja mais um grande jogo entre bracarenses e águias. A bola começa a rolar quando o relógio marcar as 21:00 horas de amanhã, domingo, dia 1 de setembro.

Foto de Capa: SL Benfica

artigo revisto por: Ana Ferreira

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