Terceiro Anel

Quem me conhece sabe bem que eu sou um tremendo lamechas em relação ao Sport Lisboa e Benfica. Consigo estar durante dias a fio a visualizar pequenas nuances, para muitos imperceptíveis, referentes a situações que envolvam um dos grandes amores da minha vida, como é este apaixonante clube português. Assumo sem rodeios: ando completamente nas nuvens! Perdoem-me, colegas sportinguistas, perdoem-me, queridos pais, perdoem-me, queridos conterrâneos gaeirenses, mas não dá mesmo para estar dez minutos sem falar do Benfica. Depois do devastador final de temporada, no ano passado, penso que aquilo que se está a passar é mais do que merecido. Depois das lágrimas de raiva que milhões de benfiquistas verteram, eis que a apoteose chegou em força, e espero mesmo que ela tenha vindo para ficar.

Mas, voltando às tais nuances, para mim foi uma delícia toda aquela cerimónia de entrega da Taça da Liga, em Leiria, começando na espectacular atitude das duas equipas, ao prestarem homenagem uma à outra, aquando da subida ao palanque (excelente Rio Ave aquele que tivemos na cidade do Lis). Porém, e como benfiquista de gema que sou, o que mais me sobressaiu, e que já me vinha a chamar a atenção há algum tempo, foi a alegria contagiante entre todo o grupo de trabalho do Benfica. Ok, muita gente diz, e é verdade, que quando se ganha parece que tudo está bem, mas nem sempre quando se ganha existe este companheirismo, esta notória alegria, esta evidente cumplicidade entre colegas de equipa.

Em Agosto de 2013, o nosso balneário estava desfeito em cacos. A temporada adivinhava-se negra, o ambiente em redor da equipa era péssimo, eu próprio não acreditava em nada. Tudo parecia estar a desmoronar-se, tudo era posto em causa, Jorge Jesus estava na corda bamba, Luisão envolvia-se em troca de insultos com os adeptos no Estádio da Luz, aos 20 minutos de jogo já havia assobios, portistas e sportinguistas, no geral, davam-nos como condenados.

Mas com um plantel destes tudo é possível, e, sendo assim, paulatinamente, o Benfica chegou ao lugar em que merecia estar! E agora, chegados aqui, estamos a viver um autêntico conto de fadas. Sinto necessidade de me beliscar todos os dias, para perceber se isto é mesmo real. E, voltando à noite de consagração em Leiria, após mais um título conquistado, deu-me um gozo tremendo ver Sílvio a levantar a taça, ver todo o staff encarnado aos saltos, em total sintonia com os adeptos, poder constatar mais uma vez como os atletas que há menos tempo estão no clube vão ficando atónitos com a grandeza do Sport Lisboa e Benfica.

Mais uma Taça da Liga para o Benfica, num percurso imaculado, sem golos sofridos Fonte: Reuters
Mais uma Taça da Liga para o Benfica, num percurso imaculado, sem golos sofridos
Fonte: Reuters

Nós metemos filas de quilómetros nas bilheteiras, os jogos do Benfica são os mais vistos do ano nas estações de televisão nacionais, aeroportos e praças enchem-se, os cafés paralisam, as pessoas não falam doutra coisa, a crise é esquecida por instantes, Rúben Amorim parece um jornalista consagrado (Rúben, isto está complicado para se arranjar emprego, portanto… não me lixes a vida), ao dar espectáculo com sensacionais entrevistas no voo de regresso para Lisboa, depois daquela jornada heróica de Turim.

Sim, o Benfica está a ganhar, os jogadores estão felizes, é natural. Mas nota-se a léguas que não se trata de simples festejos, mas sim de um exteriorizar de emoções por tudo aquilo que foi sendo dito e escrito sobre a equipa (volto a fazer um mea culpa, já que fui um feroz crítico do meu lindo clube nos primeiros meses da temporada). Estou a escrever este artigo com um enorme sorriso nos lábios,  porque pareço um puto quando tem o seu primeiro amor.

Sport Lisboa e Benfica, já ganhaste dois títulos. Espero que ganhes mais dois! Mas quero que saibas que, independentemente daquilo que aconteça daqui a dias, esta tua época já me preencheu completamente. É impagável poder sentir como somos respeitados, cá em Portugal e no estrangeiro, como voltámos a ser um clube temido, como voltámos a ser esmagadores.

Ainda há algum trabalho pela frente, mas a tempestade já se foi embora, definitivamente, e agora estamos em período de bonança. Que não se repitam os erros do Verão 2010, é o que eu desejo, porque se houver frieza e mentalidade acertada, temos todas as condições para pegar de estaca no futebol português.

És apaixonante, maior clube português.

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