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Quem disse que no Cazaquistão não se percebe de futebol? Não sei quem foi, mas tem mais ou menos razão. O Astana não apresentou bom futebol, limitou-se a fechar-se atrás e a tentar surpreender no ataque em velocidade por Foxi e por Dzholchiev. O Benfica consegue assim 3 pontos importantes e entra com o pé direito nesta edição da Liga dos Campeões. Algo bom e necessário para aumentar a confiança desta equipa encarnada.

Finalmente vê-se continuidade e um fio de jogo começa a aparecer. O Benfica mostrou melhor futebol e deu continuidade ao espectáculo de sexta-feira na Luz. Mas nem tudo é um mar de rosas. A ala direita continua a preocupar-me; Nelson Semedo está muito bem na atitude ofensiva mas ainda a facilitar muito na defesa, Gonçalo Guedes continua a não ter tanta bola como deveria e muito agarrado ao que lhe foi pedido. A um jovem emergente pede-se mais criatividade e que arrisque mais. Mas mais preocupante do que a ala direita é o facto de o Benfica ter começado todos os jogos desta época com medo. A equipa entrou bem, com boas trocas de bola entre Jonas e Gaitán, mas o espectáculo só durou 10 minutos. Depois decaiu em termos de rendimento. Pedia-se velocidade para romper com uma defesa muito disciplinada e coesa, como a do Astana, e o Benfica continuava a insistir no meio-campo e numa construção passo a passo que não se pode fazer contra uma equipa que defende com seis jogadores. O Benfica padeceu de confiança e garra até ao primeiro golo. Mais uma vez foi Gaitán o maestro em campo e foi dele que veio o mote de confiança com um grande golo a rasgar na lateral e a romper com a defesa do Astana. Daí em diante o Benfica mandou, e mandou bem. A equipa do Cazaquistão deu mais espaço e o Benfica começou a jogar com mais confiança, mais critério no passe e mais a rasgar. Era o que se pedia e isso deu-se no culminar de mais um golo por Mitroglou.

: Gaitán foi o maestro em campo. Fonte: Facebook Oficial do Benfica
Gaitán foi o maestro em campo.
Fonte: Facebook Oficial do Benfica

Jogar com um autocarro à frente da baliza não é fácil, mas se há bom mecânico de autocarros é Gaitán. E se há bom assistente de mecânico é Samaris. Os dois jogadores são sem sombra de dúvida a base deste Benfica, que só me parece poder crescer. As ideias do treinador parecem começar a vingar, e, mesmo não tendo aquele futebol agressivo da era de Jesus, a equipa vai crescendo e aumentado a qualidade.

O que falta? Para um jogo como este acho que faltou Jieménez de início. Uma dupla mais móvel e mais rápida poderia ter evitado aquela primeira parte apática e triste. Na direita acho que falta um jogador com mais qualidade e maturidade e mais criativo. Podia ser Carcela caso não andasse mais preocupado com a noite lisboeta… Por isso nesse aspecto só posso esperar que Gonçalo Guedes com tempo de jogo cresça e ganhe uma química com Nelson Semedo que lhes permita serem uma dupla de confiança.

Somando tudo, foi uma vitória justa mas sofrida. Gaitán teve de levar o Benfica às costas para a garra e a confiança. Mas acima de tudo, com pontos negativos e positivos, há que salientar a importância de entrar com o pé direito nesta competição e em vésperas de visita ao Dragão. É importante e essencial. Além disso fica-se com a impressão de que, com tudo a correr bem, o Benfica tem todas as condições para permanecer nas competições europeias e até para ambicionar passar esta fase de grupos, que tão bem faria à moral da equipa como aos cofres encarnados.

A Figura:

Gaitán – Mais uma vez levou a equipa às costas e com muitos pormenores deliciosos acabou por ser decisivo no jogo.

O Fora-de-jogo:

Talisca – É um jogador que aprecio e que tem muita margem de progressão, mas esteve mal. Fez o primeiro remate do jogo e nada mais. Passes errados, cortes e marcações que não existiram. Passou ao lado do jogo e nem os poucos minutos que teve na frente ao lado de Mitroglou lhe deram visibilidade. Fica para a próxima.

Foto de capa: Facebook Oficial do Sport Lisboa e Benfica

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