Terceiro Anel

Noite de terça-feira, 11 de Fevereiro de 2014, clima surpreendentemente agradável para se jogar futebol. Cobertura do Estádio da Luz a salvo, grande ambiente nas bancadas, duas equipas rivais em campo para discutir o primeiro lugar do campeonato. Benfica de aço, com futebol de grande qualidade; Sporting feito de lã de rocha, a tal substância que foi mais falada em dois dias do que no resto da história da Humanidade.

Para mim, que fui à Catedral, esta partida foi uma delícia. Vi um Benfica, em muitos momentos, de sonho, tal foi o dinamismo e envolvência da equipa. Enzo Pérez foi assombroso, sempre em permanente correria, jogando e fazendo jogar. Por momentos, dei por mim a olhar para aquele homem como que o admirando (não, não tirem daí segundas ideias…), ficando mais uma vez em êxtase por perceber que o meu clube do coração tem nas suas fileiras um atleta deste nível. Na baliza, Oblak bem que podia ter tido junto de si uma cadeirinha e uma bandeja repleta de imperiais, tal foi a tranquilidade que sempre viveu ao longo do jogo. Nas laterais, Siqueira foi bastante competente, enquanto Maxi Pereira ainda deu espectáculo ao assistir para o primeiro golo, num cruzamento que descreveu uma curva digna de um qualquer traçado de Fórmula 1. Depois, no meio-campo, além do já falado Enzo Pérez (jogas tanto, Enzo!), surgiu um Fejsa muito eficaz, em todo o lado, qual Pelé sempre presente nas galas da Fifa. Este internacional sérvio não é um portento de técnica, mas defende muito bem, jogando sempre na antecipação, sendo que já se notam claras melhorias no capítulo do passe. Dará um bom substituto de Matic? Como diria o outro, não sou bruxo, mas cada vez me sinto mais confiante com Fejsa no nosso miolo.

Passando para terrenos mais avançados, Gaitán voltou a provar porque é o mago do Benfica, o mago do campeonato, o homem que leva as bancadas ao rubro. Aqueles pés são poesia, são musicais de sonho, são peças de teatro de classe, são exposições de pintura de encantar. Nico, não deixes esta instituição! Markovic rebelde em campo, algo imaturo nalgumas situações, mas sempre um perigo à solta. Está ali um diamante que ainda pode ser muito lapidado, um miúdo que já faz suspirar muita gente. Na dianteira, Lima e Rodrigo, sempre em movimentações, com Rodrigo a mostrar algumas lacunas no campo da finalização. Mas há que lhes dar mérito, porque se entendem muito bem, porque arrastam defesas nas suas desmarcações, porque são autênticas carraças. Perdoem-me os jogadores do Benfica que entraram neste clássico no decorrer do desafio, mas o texto está a ficar longo, e eu tenho de ir rever jogos do Benfica da época 1993/1994.

Momento de pura classe, o do golo de Enzo PérezFonte: sportalentejo.pt
Momento de pura classe, o do golo de Enzo Pérez
Fonte: sportalentejo.pt

E as duas chapas metálicas que entraram nas redes da baliza do Sporting? A primeira caiu depois de uma excelente jogada entre Fejsa, Maxi e Gaitán, enquanto a segunda saiu do génio de Enzo Pérez (não sei se já disse isto, mas este homem joga que é uma coisa louca). E as outras chapas metálicas que podiam ter batido Rui Patrício? Só à conta de Rodrigo, ficámos a dever um terço da cobertura do estádio. E forma como o Sporting não conseguiu introduzir nenhuma chapa metálica na baliza do Benfica, nem sequer ficando perto de o conseguir? Pois é, pois é, grande Benfica!

Se fiquei preocupado com os acontecimentos do passado domingo? Sim, fiquei. Para já, e enquanto cidadão, fiquei um pouco apavorado quando me apercebi, após ter saído do estádio, de que a situação era complicada. Se fiquei chateado, como adepto do Benfica, por ser a segunda vez que se passou algo do género no Estádio da Luz? Sim, fiquei, porque acho que o Benfica deveria ter tratado prontamente do assunto, aquando dos incidentes em Janeiro de 2013, antes de um Benfica B vs Feirense. Se fiquei preocupado, enquanto adepto do Benfica, com a forma como a Uefa poderia ter reagido, após ter assistido a este imbróglio? Sim, fiquei um pouco, mas depois fiquei contente com o voto de confiança dado pelo organismo máximo do futebol europeu, sendo que assim teremos mesmo a final da Champions na fabulosa catedral; se me deu muito gozo ter ganho ao Sporting? Deu, e muito! Foi fantástico porque sabe sempre bem ganhar a um rival, porque o Benfica jogou muito bem, porque o Sporting foi completamente dominado, e porque me parece que os nossos “amigos” da 2ª Circular ainda não entenderam que o futebol é para ser jogado no relvado, e não com comunicados patetas. Aí, caros leitores, o Sporting Clube de Portugal é imbatível.

Para terminar, umas pequenas notas:
– Espero que o Benfica continue na senda das vitórias, sempre com a consciência de que há muito trabalho pela frente;
– Quero dar os meus parabéns a todos os adeptos do Benfica que, tal como eu, se deslocaram à Luz para assistir ao derby;
– Quero dar, de uma forma sincera, os meus parabéns a Bruno de Carvalho, pela extraordinária análise que fez ao jogo;
– Quero, desde já, disponibilizar-me para doar um rim a Eric Dier, após a maldade de que ele foi acometido;
– Quero referir que é com agrado que escrevo este artigo com muitas referências a materiais de construção civil, após na semana passada ter abordado a engenharia automóvel (tentarei abordar a área da engenharia alimentar, na próxima semana);
– Adoro-te, Enzo Pérez.

E agora, até logo, caros leitores. Tenho de me deitar cedo porque amanhã, logo às 8 horas, tenho de ir a uma loja de materiais de construção, para comprar lã de rocha…

Comentários