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Coimbra voltou a ser amiga do Benfica. Pela quarta vez, a cidade dos estudantes recebeu a final da Taça da Liga. Os encarnados marcaram a terceira presença no Estádio Cidade de Coimbra, e venceram outras tantas vezes, vincando a supremacia que têm tido sobre os seus adversários nesta competição – venceu seis das oito edições já disputadas.

O resultado voltou a registar a margem mínima e, curiosamente, foi exactamente o mesmo das outras finais ganhas: Paços de Ferreira e Gil Vicente também foram derrotados por 2-1.

À semelhança destes encontros, o Benfica também teve de sofrer para levar o “caneco” para Lisboa. Até ao primeiro golo, esbarrou numa organização irrepreensível da equipa do Marítimo, que teve como “coordenador principal” Danilo Pereira, sempre exemplarmente colocado de forma a impedir o ataque organizado do Benfica.

A zona central estava, por isso, impedida. Posto isto, apostou-se nas laterais, com uma maior envolvência dos defesas das alas encarnadas no momento ofensivo. Essa maior presença nos corredores trouxe frutos ao dispersar a zona defensiva do Marítimo, pois tornou a mesma mais permeável no centro do terreno, permitindo a primeira oportunidade do jogo aos encarnados à passagem do minuto 19 – Lima isolado, atirou ao lado da baliza de Salin.

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Isto parece ter feito acordar os jogadores maritimistas, que voltaram a compactar-se, tapando as vias de acesso à baliza defendida por Salin, não se coibindo de recorrer à agressividade para o fazer (três amarelos em três minutos ilustram-na), porém, talvez amedrontados pelos amarelos de Carlos Xistra, esqueceram-se de marcar Jonas, que, num lance de insistência, aproveitou um cruzamento de Jardel para cabecear com algum à vontade para o golo inaugural da partida.

O Marítimo entrou determinado em busca do sonho, do golo do empate que lhe permitisse averbar aquele que seria o seu primeiro troféu na era moderna do futebol português. Criou perigo por Rúben Ferreira, que fugiu a Maxi Pereira e quase conseguiu restabelecer a igualdade. Porém, a determinação em vencer não pode ser engolida pela emoção sob pena de a vitória ser hipotecada, e só assim se pode entender a atitude de Raul Silva (ver momento do jogo e fora-de-jogo), ao ser expulso de forma infantil.

O Benfica podia ter tirado partido disso e sentenciado o encontro, com duas boas oportunidades desperdiçadas por Jonas e Maxi, porém, o Marítimo não desistiu e, numa diagonal fantástica, assistido por Fransérgio, João Diogo ganhou, em velocidade, as costas aos centrais do Benfica, fintou Júlio César e fez reacender a incerteza sobre o resultado final.

Ola John desbloqueou o jogo Fonte: Facebook do Benfica
Ola John desbloqueou o jogo encarnado
Fonte: Facebook do Benfica

O Benfica, com o estatuto de favorito, amplificado pelo facto de jogar em superioridade numérica, fez o que lhe competia. Procurou o golo de forma incessante, ainda que esbarrando na organização defensiva do Marítimo, que se manteve inatacável, revelando uma enorme racionalidade. Prova desta é o facto de a primeira grande oportunidade de perigo do Benfica após o golo sofrido ter acontecido apenas 13 minutos depois do tento encaixado, e de bola parada – Gaitán, numa execução lindíssima de um livre directo, atirou a poucos centímetros da baliza de Salin.

Depois disto, saiu Pizzi, entrou Talisca e a equipa “ganhou criatividade” (conforme afirmou Jorge Jesus). As coisas mudaram, de facto. Antes de Maxi estar perto do golo, aos 76 minutos, Jonas teve a possibilidade de fazer o segundo da conta de pessoal mas falhou como não costuma fazer (aos 70 e aos 72 minutos) mas os adeptos viriam a perdoar o brasileiro, que mais tarde fez um trabalho magnífico (três toques, três adversários fora do lance) antes de assistir Ola John para aquele que seria o golo da vitória.

Até ao final, o Marítimo ainda tentou a sua sorte, mas já jogava com mais coração que cabeça. Esteve irrepreensivelmente organizado durante 80 minutos, mas contra uma equipa com o ataque do Benfica, isso é insuficiente para lhe “roubar” um troféu.

A Figura do Jogo:

Jonas – Marcou o primeiro e metade do segundo golo dos encarnados. É legítimo dizer que o Benfica lhe deve esta Taça da Liga. Não só pelo que marcou mas pelo que fez jogar, desde o meio-campo encarnado até ao contrário, de um lado para o outro. A mobilidade de Jonas é impressionante, quase tanto como o seu sublime toque de bola.

O Fora-de-jogo:

Raúl Silva – Esqueceu-se de marcar Jonas no golo inaugural e agarrou o brasileiro quando este não apresentava perigo especial no lance em causa. Levou o segundo amarelo por isso. Um erro infantil que pode ter sido decisivo para o fim do encontro.

O Momento do jogo:

Minuto 48 – “Se jogar contra o Benfica, contra 11, já é difícil, fazê-lo contra 10 ainda é mais” é uma frase muito repetida ao longo da época. Não deixa de ser verdade, e apesar de o Marítimo ter conseguido empatar jogando em inferioridade numérica e de ter sustido o ataque do Benfica até aos 80 minutos, aquilo que se jogou nos 10 minutos finais podia ser diferente (Marega poderia ainda estar em jogo, pois Ivo Vieira poderia não necessitar de tirar do campo a sua referência ofensiva ou de, pelo menos, deixar de ter uma no relvado).

Foto de capa: Facebook do Benfica