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Para espanto de muitos, e aqui me incluo, Rui Vitória repetiu o onze que já tinha mandado para jogo no Dragão, há uma semana. André Almeida era claramente um elemento estranho na equipa, pelo menos seguindo o raciocínio de Rui Vitória nos primeiros jogos da época, pensei antes de o jogo começar.

Nos primeiros quinze minutos, a equipa empolgou-se e empolgou o estádio (por vezes passa-se o inverso e por isso se diz, não por acaso, que somos uma família). A eficácia de passe estava próxima do máximo, os jogadores esticavam o jogo, abriam espaços. Pena que o famoso “quarto de hora” à Benfica tenha durado apenas isso mesmo. Mesmo sem criar nenhuma oportunidade clara de golo, à exceção de uma tentativa de chapéu de Gaitán a Marafona, que acabou por sair por cima (o argentino viria a aprender mais tarde como realmente se faz), assistiu-se a um período de futebol agradável, com qualidade na troca de bola e um fio de jogo algo consistente. Afinal, já estamos a entrar em Outubro e, portanto, exige-se outra solidez.

Os pacenses começaram a crescer no jogo, muito por culpa da falta de concentração na construção do processo de jogo encarnado. Jardel continua a tentar apelar à qualidade técnica que sabemos que não tem e vai perdendo bolas em zona proibida, que neste jogo deram a Christian e Diogo Jota, dois jogadores rápidos, espaço para incomodar Júlio César. Os “castores” até viriam a marcar à meia hora, mas o golo foi anulado, e bem, por fora de jogo. Foi o clique de que o Benfica precisava para marcar. Minutos mais tarde, entra em campo a genialidade de Jonas, característica com que foram abençoados muito poucos jogadores e que tantas vezes decide jogos. Neste caso, ajudou a desbloquear o marcador. O brasileiro recebe a bola e temporiza, driblando. Olha de relance para a baliza. Percebe que o guarda-redes está um pouco adiantado e remata, em jeito, fazendo um arco perfeito, que faz a bola entrar depois de chocar com a trave.

O ritmo de jogo voltou a baixar, porque o Benfica não o quis acelerar, diga-se, confirmando-se assim que Vitória continua a liderar uma equipa com crises de bipolaridade, que têm forçosamente de começar a ser menos frequentes. Num campeonato tão exigente como já se percebeu que será este, a inconsistência pode ser o pecado mortal. Só aos 60 minutos se voltou registar um momento de emoção. A equipa da casa saiu em contra ataque, a bola foi parar aos pés de Gaitán e este isolou Mitroglou, que à saída de Marafona não conseguiu marcar. Confesso que o avançado grego ainda não me convenceu. Para além da qualidade indiscutível que mostra no jogo aéreo, traz pouco ao jogo e raramente se consegue soltar do colete de forças em que é colocado pelos defesas adversários. Ou o treinador lhe começa a exigir mais mobilidade (essencial para desmontar algumas organizações defensivas mais fechadas) ou então há que passar o testemunho a Jiménez para o ex-Atlético de Madrid mostrar o que vale. Isto porque não faz sentido que um jogador com a qualidade de Jonas corra quilómetros durante a partida, vindo constantemente ajudar a defesa (tem 31 anos, lembre-se), quando faz tanta falta na frente.

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Jonas bisou e voltou a ser decisivo; Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica
Jonas bisou e voltou a ser decisivo;
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica

Entretanto, o minuto 67 vai ficar marcado para sempre na carreira de Gonçalo Guedes, que voltou a fazer uma boa exibição. Foi o primeiro golo no campeonato pela equipa principal. Um golo que teve um toque de magia de Gaitán e alguma sorte. A sorte que, diz-se, protege os audazes e, acrescento eu, premeia os jogadores talentosos e esforçados, como é o caso. Por esta altura o Paços já estava balanceado no ataque, navegando na lógica do “já não há nada a perder”. Isso deixava espaços atrás, que o Benfica gosta de explorar. A vinte minutos do fim, Gaitán volta a bailar na ala esquerda, cruza para o lado contrário e Guedes, já dentro da área, ensaia um remate/cruzamento, que Jonas não consegue finalizar. Logo a seguir, esta jogada repete-se. Parece quase tirada a papel químico. Mas com uma diferença importante: desta vez, o brasileiro não desperdiça e remata para o 3-0.

Uma nota de profunda incompreensão para a forma como Rui Vitória tem remetido Pizzi ao banco de suplentes, quando o ano passado tal cenário seria impensável. Enquanto o jogador português fica no banco, Talisca vai somando mais uns minutos e cada vez confirma que dificilmente sairá da absoluta nulidade que vem mostrando. À parte disso, viram-se hoje momentos de bom futebol e, com um público sempre fiel (45 mil nas bancadas), há que manter a trajetória no percurso sinuoso rumo ao tri.

A Figura
Jonas e Gaitán – Não é justo ter de escolher. De um lado, umas das melhores e mais económicas (custo zero) contratações dos últimos anos, um poço sem fundo de genialidade e dedicação. Do outro, um mágico dos relvados, que com as suas fintas, acelerações, triangulações e mais uns quantos truques soberbos, leva um simples jogo para um outro patamar.

O Fora-de-Jogo
Eliseu – O açoriano corre, protesta, entrega-se de corpo e alma. Disso não tenho dúvidas. Mas, para jogar no Benfica, não é suficiente. Ainda hoje ficaram visíveis as suas debilidades a fechar o corredor, porque se encosta demasiado aos centrais, permitindo depois que os adversários ganhem a linha de fundo. Recupera rapidamente, Sílvio.