Terceiro Anel

Com relativa facilidade o Benfica fez aquilo que lhe competia: derrotou o Vitória de Setúbal e assim manteve o avanço pontual de 4 pontos sobre o FC Porto. Perante 40 mil adeptos no Estádio da Luz (fantástica média de assistência até agora no palco benfiquista), o campeão nacional entrou em campo sabendo que em caso de triunfo praticamente colocaria o Sporting fora da luta pelo título. Jorge Jesus e Bruno Ribeiro operaram uma revolução nos onzes iniciais, em relação aos jogadores que haviam alinhado na partida entre estas duas formações na última quarta-feira, a contar para a Taça da Liga. De referir a crescente influência de Pizzi no xadrez do clube lisboeta, em contraste com um claro apagamento de Talisca, quiçá a pagar bem caro pelo facto de estar a competir ao mais alto nível há meses e meses a fio.

O conjunto sadino até entrou bem na partida, com algumas investidas que provocaram algum frisson junto da baliza de Artur, com destaque para um lance dividido entre Jardel e Rambé que causou polémica, com a equipa do Vitória a ficar a pedir grande penalidade. Mas o Benfica nunca perdeu o controlo do jogo, beneficiando também de um golo madrugador. Logo aos 9 minutos Jardel voltou a facturar, depois do golo da semana passada em Alvalade. A partir daí, e não obstante um ou outro remate da equipa setubalense, só deu Benfica.  Os campeões nacionais iam colocando a cabeça em água à defensiva contrária com jogadas envolventes e constantes trocas posicionais. Com uma defesa sempre sólida e um meio-campo eficiente (Samaris cada vez está mais entrosado com os restantes companheiros), aliado às permanentes subidas pelo flanco de Maxi Pereira e de Eliseu, o Benfica dava a ideia de que mais cedo ou mais tarde voltaria a marcar. Ola John e Salvio chegavam por imensas vezes à linha de fundo para cruzar, Lima com o seu habitual trabalho de sapa ia abrindo brechas no último reduto vitoriano e Jonas com o seu costumeiro futebol de veludo ia dando linhas e mais linhas de passe aos seus colegas. E depois…bem, depois temos Pizzi. Que grande exibição do internacional português! Seguríssimo, muito confiante, com um sem número de excepcionais passes em profundidade, o médio da equipa da Luz ia deliciando os adeptos presentes no estádio, numa exibição mais do que convincente. Quase à beira do intervalo, aos 40 minutos, Lima marcava o segundo tento para as águias e praticamente sentenciava a partida.

Luisão e Jardel, a imagem de uma dupla que cada vez funciona melhor; Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica
Luisão e Jardel, a imagem de uma dupla que cada vez funciona melhor;
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica

No segundo tempo o Benfica continuou a controlar as operações. Sem nunca forçar muito a nota, os comandados de Jorge Jesus até podiam ter goleado, tal a facilidade com que a equipa chegava perto da grande área de Ricardo Baptista. Contudo, apenas por uma vez as redes sadinas abanaram, em virtude de mais um golo de Lima, o seu 9º no campeonato. Samaris viu cartão amarelo e assim irá falhar a deslocação do Benfica ao terreno do Moreirense, mas essa situação não deverá tirar o sono a Jorge Jesus. É que Rúben Amorim já aí está para voltar a ter um papel importante na manobra do conjunto, e por isso mesmo o técnico amadorense concedeu ainda algum tempo de jogo ao jogador que não jogava para o campeonato desde aquele fatídico desafio no Bessa, no dia 24 de Agosto do ano passado.

Em suma, vitória sem contestação do Benfica. Em domingo de Carnaval, e para fazer jus à quadra, o samba falou mais alto com três golos apontados por futebolistas brasileiros. Assim sendo, o campeão nacional aproveitou da melhor forma o deslize do Sporting no Restelo, fazendo com que a luta pelo título se resuma praticamente a Benfica e FC Porto. Depois da exibição cinzenta no derbie de Alvalade, as águias voltaram a voar com segurança, com o bicampeonato em mente.


A Figura:
Pizzi –
enorme exibição deste internacional português! Não acusou a pressão e voltou a provar que é um excelente trunfo para atacar a fase decisiva da temporada. Primoroso na forma como foi rasgando a defensiva do Vitória com constantes passes em profundidade, Pizzi foi maestro em tarde carnavalesca.

O Fora-de-jogo:
Permeabilidade sadina
– Ficou claro ao longo de todo o jogo que ao Benfica bastaria acelerar…para marcar. A defensiva vitoriana viu-se e desejou-se para dar conta do recado, numa tarde em que a linha atacante do Benfica cumpriu bem o seu papel. Mas atenção: este Vitória de Setúbal demonstra várias qualidade em termos de processo de jogo ofensivo, o que deverá conferir ao conjunto um resto de temporada minimamente tranquilo.

Foto de Capa: Facebook do Sport Lisboa e Benfica

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