Terceiro Anel
Quem olhar para o resultado final desta partida nem sonha como foi difícil para o Benfica levar de vencida um Moreirense extremamente competente e muito bem orientado pelo técnico Miguel Leal. Resultado justo, sem margem para dúvidas, mas que não apaga algumas debilidades evidenciadas pelos comandados de Jorge Jesus, principalmente na primeira parte.

O Benfica entrou em campo com a equipa habitual, exceptuando a alteração na baliza, como de resto já se adivinhava. Júlio César, guarda-redes consagrado, roubou a titularidade a um Artur Moraes que se vinha perdendo em exibições angustiantes. Mas quando se esperava que os encarnados entrassem com tudo, tentando resolver desde cedo a partida, passou-se exactamente o contrário. Com um futebol lento, previsível, sem imaginação, o Benfica viu-se completamente manietado por uma equipa minhota que demostrou ter ido à Luz com a lição bem estudada. Com marcações rígidas, em que se destacou um autêntico bloqueio aos médios Samaris e Enzo Pérez, o Moreirense anulava quase a bel-prazer as investidas do campeão nacional, que também não pôde contar com a costumeira inspiração de Salvio e Nico Gaitán, muito mais apagados do que é habitual. Situação que piorou ainda mais quando João Pedro, aos 17 minutos de jogo, inaugurou o marcador para a formação de Moreira de Cónegos, após uma grave desatenção de Eliseu, que permitiu que o adversário fugisse nas suas costas. Claro está, Jorge Jesus estava insatisfeito com a sua equipa e com o rumo que o jogo estava a tomar, tendo por consequência disso efectuado logo uma substituição aos 35 minutos (caso raro em JJ, diga-se), com a troca de Samaris (muito discreto) por Derley. O avançado ex-Marítimo entrou para acompanhar Lima no ataque, ao passo que Talisca recuou para o meio-campo, fazendo parelha com Enzo Pérez. Mesmo assim, as coisas não se alteraram muito e só nos últimos instantes do primeiro tempo é que o Benfica deu um ar da sua graça.

Lima de regresso aos golos, para seu próprio alívio Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica
Lima de regresso aos golos, para seu próprio alívio
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica 

Na etapa complementar, atitude completamente diferente do Benfica. Muito mais ritmo, pressão muito maior, jogo de maior risco, Os 37 mil espectadores presentes na Luz entusiasmaram-se, o campeão nacional agigantou-se, o Moreirense sentiu o perigo. Porém, foi aos 57 minutos que seu o momento-chave da partida. Marcelo Oliveira, defesa do Moreirense, foi expulso por acumulação de amarelos e aí mesmo o jogo passou a ser de sentido único. O massacre começou, o golo do Benfica parecia uma questão de tempo até surgir. E foi à lei da bomba que ele apareceu, através de um soberbo remate de Eliseu, que assim também se redimiu um pouco do enorme falhanço posicional dos primeiros 45 minutos, que deu origem ao golo do Moreirense. Com o público em êxtase, o Benfica prosseguiu o sufoco para a turma minhota, que sentia que estava condenada a sair derrotada do Estádio da Luz. Maxi Pereira carimbou o 2-1, fazendo respirar de alívio toda a nação benfiquista. A partir daí, mais algumas oportunidades de golo para o Benfica, até que Lima matou o seu jejum de golos, que já o vinha atormentando (como ele fez questão de demonstrar através dos festejos), na marcação de uma grande penalidade, que não existiu.

Contas finais, tudo normal. Benfica a vencer como se lhe exigia, a isolar-se provisoriamente no primeiro lugar do campeonato e a continuar de mão dadas com a massa adepta (simplesmente fantástica a atmosfera na Luz, no segundo tempo). Contudo, as palavras finais devem ser dirigidas para este Moreirense. Jogando assim, com esta cultura táctica e também com algum atrevimento, dificilmente esta equipa descerá de divisão. Muito mérito para Miguel Leal, que, com parcos recursos, parece ter todas a competência para levar este conjunto a bom porto.

A Figura
Golo de Eliseu – Simplesmente extraordinário o remate do lateral-esquerdo encarnado, dando origem a um tento de bandeira. E importa não esquecer: já é o segundo golo de Eliseu neste campeonato através de remates de meia-distância. Claramente um trunfo para Jorge Jesus explorar. Golaço!

O Fora-de-Jogo
Samaris – É claramente um grande jogador, que ainda vai dar muito ao Benfica. Mas é notório que o médio internacional grego não se sente totalmente integrado na dinâmica de jogo do campeão nacional (o que acaba por natural). Hoje esteve muito preso à marcação, falhando inúmeros passes, daí a sua precoce substituição.

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