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Quando se joga em casa, o cenário é realmente outro. Se, nos jogos fora, o Benfica tem demonstrado uma dificuldade que não se percebe, entrando a perder ou não conseguindo segurar resultados, em casa, o campeão nacional faz da Luz o seu forte, sendo, na minha opinião, das equipas mais fortes da Europa a jogar no seu reduto, tal é a forma como passeia classe no seu relvado.

E foi de classe que se fez a primeira parte. Os números não enganam: o Nacional teve 36% de posse de bola e zero remates à baliza nos primeiros 45 minutos. O relvado da Luz parecia um salão de dança para Gaitan e Salvio dançarem o seu tango. Mas como o tango dança-se a dois, os craques argentinos tiveram como par os seus colegas cariocas. Primeiro Jonas e depois Lima. Aos 20 minutos, Gaitan fez uma recuperação fantástica, Maxi deu para Salvio, que correu com o esférico e só teve de entregar a Jonas, para este encostar. Quem mais, se não a melhor contratação desta época a abrir o marcador? Mas o ex-Valência não ficaria por aqui. Antes de voltar a espalhar magia, foi tempo de Gaítan voltar a dançar o tango, passando por João Aurélio e cruzando para Lima marcar de cabeça. O tango com um pouco de ritmo do samba que levava o Benfica para a frente. A par do jogo com o Estoril, os melhores 45 minutos do Benfica em casa, transpirando classe e mostrando quem é que manda em casa.

Equipa unida rumo ao 34 Fonte: Facebook do Benfica
Equipa unida rumo ao 34
Fonte: Facebook do Benfica

Na segunda parte foi mais do mesmo. Eliseu, Salvio, Pizzi iam criando oportunidades, e o Benfica ia jogando a seu bel-prazer. Mas seria outra vez a dupla dançarina Sálvio e Jonas a meter a redondinha lá dentro. Mais uma arrancada de Salvio, e Jonas, ao primeiro toque, a fazer o golo da tarde. Começam a faltar os adjectivos para este goleador. Tanto com bola como sem bola, Jonas é sublime e é dos melhores do nosso campeonato. Veio a custo, que achado!

A partir do 3-0 o jogo acalmou. O Benfica controlava, e o Nacional tentava dar outra imagem de si. Apenas por escassos momentos o conseguiu, quando marcou um grande golo por Ângulo, e logo a seguir com Christian a atirar ao lado. Seriam as únicas oportunidades dignas de registo de um Nacional que está bastante mais fraco do que em temporadas anteriores.

Terminou 3-1. Podiam ter sido mais, mas o que interessa realçar é a forma como o Benfica passeia classe em casa. Não só contra equipas da parte de baixo da tabela mas também contra equipas como o Sporting de Braga ou o Vitória de Guimarães. Agora há que passar esta classe para os jogos fora, onde também o Benfica joga muitas vezes “em casa”. De resto, este Benfica está aqui para as curvas e cada vez mais perto do objectivo.

A Figura:

Nico Gaitan – O argentino é classe, é magia, é arte. Já há muito que se estabilizou como dos melhores da nossa liga, de qualidade para outros voos até. Com o argentino em forma, a vitória fica sempre mais perto de se concretizar.

O Fora-de-jogo:

Assobios na Luz – Quando o Nacional marcou e ganhou força no jogo. Ouviram assobios por parte dos adeptos do Benfica. Algo que não se percebe, que deixa a equipa nervosa e que é injusto para o que os jogadores tinham produzido até ao momento. Felizmente duraram minutos e quero acreditar que vieram de uma minoria. A mesma minoria que depois da derrota em Vila do Conde veio dizer que já estava tudo perdido.

Foto de capa: Francisco Vaz de Miranda

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