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Magia, magia pura foi o que se viu esta noite no Estádio da Luz. Jogadas de classe, combinações soberbas, remates para golos, muitos golos, fizeram uma goleada do Benfica sobre o Belenenses por 6-0. Depois, de um começo de época tremido, o bicampeão regressou em força, beneficiando da paragem do campeonato por duas semanas, que nunca, como hoje, me pareceu tão oportuna.

As mudanças no onze têm muito trabalho por trás: Rui Vitória trabalhou o talentoso Gonçalo Guedes para jogar a extremo direito (aposta ganha, para já), uma vez que Ola John foi para Inglaterra, Salvio acabou de ser operado e Victor Andrade ainda é uma incógnita apesar da sua evidente qualidade técnica e velocidade; preparou o regresso de Jardel, que consolida, assim, o estatuto de titular, muito por causa do número de jogos que fez na época passada ao lado de Luisão (Lisandro, dá no entanto, e como já se percebeu, todas as garantias); e voltou a apostar em Talisca, agora de início, apesar das exibições desastradas que vinha feito e que, na minha opinião, deviam ter sido motivo para ceder o lugar a Pizzi.

O golo madrugador de Mitroglou, logo aos 5 minutos, ajudou a desbloquear o marcador e destruiu a estratégia do Belenenses pela raiz, pensada de modo a retardar ao máximo o golo encarnado e a aproveitar a velocidade de Sturgeon na frente. Para um Benfica que ainda só tinha marcado golos em jogos oficiais depois dos 70 minutos, até foi fácil abrir o marcador cedo. Jonas arrancou um cruzamento milimétrico na direita e o grego cabeceou para o golo, sem oposição. A equipa soltou-se com o golo, fazia boa circulação de bola e com segurança no passe. Aos 17 minutos, uma triangulação à esquerda do ataque do Benfica deixou a bola nos pés de Gaitán, que passou por um adversário, foi à linha de fundo e cruzou para Jonas fazer o 2-0. Tudo muito fácil, tal era a falta de agressividade da defesa azul. Desde o último jogo, com o Moreirense, destaque para a tremenda evolução de Nélson Semedo, uma aposta arriscada de Vitória na juventude do Seixal e que começa a convencer.

Na primeira parte, viu-se um Benfica mais rápido na construção de jogo, com mais movimentações entre linhas, o que disponibilizava sempre várias linhas de passe ao portador da bola, a jogar um futebol mais fluído e entrosado. Do outro lado, a equipa comandada por Sá Pinto mostrava-se também inofensiva a atacar – o primeiro remate só surgiu aos 35 minutos. Sempre com o bloco muito subido e a pressionar à procura de mais golos, os encarnados ainda fizeram o terceiro na primeira parte, num canto batido por Gaitán e concluído por Jonas, que bisava na partida. Por esta altura já os adeptos pensavam numa goleada histórica, como aqueles oito golos sem resposta que o Benfica tinha imposto aos homens do Restelo há 35 anos. Não fosse a gestão que Rui Vitória fez da equipa, por causa do jogo da Champions na terça-feira, e talvez esses números tivessem sido atingidos.

Mais de 42 mil pessoas presenciaram a noite da 'chapa 6' na Luz Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica
Mais de 42 mil pessoas presenciaram a noite da ‘chapa 6’ na Luz
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica

Depois do intervalo, as equipas mudaram de campo mas o jogo não mudou de feição. A equipa da casa queria mais e em 10 minutos marcou mais três golos. Primeiro, o endiabrado Gaitán, voltou a escapar-se até à linha de fundo, recorrendo a fintas que deliciam qualquer adepto, e fez o cruzamento para o bis de Mitroglou (depois de mais um janela de transferências stressante, nenhum dos colossos europeus bateu a cláusula de rescisão e o argentino pode continuar a brindar o futebol português estas jogadas à craque). Depois, o próprio Gaitán começou e finalizou uma tabela com Jonas, que fez levantar o estádio. Estava feito o quinto golo e com uma nota artística altíssima. Pouco depois da hora de jogo, Talisca encheu-se de fé a 30 metros da baliza, numa zona central, e atirou uma bomba que o guarda-redes Ventura jamais conseguiria suster.

Até ao fim, o Benfica tirou o pé do acelerador e limitou-se a gerir o resultado. Ainda houve tempo para a estreia de Nuno Santos, mais um atleta “made in Seixal” e para as entradas de Pizzi e Jiménez. A melhor exibição dos encarnados parece ter coincidido com a pior do Belenenses, o que justifica um resultado que acabou por ser muito desequilibrado tendo em conta o nível que as equipas tinham vindo a demonstrar. Hoje já se viu um Benfica semelhante aos das últimas épocas mas há que continuar a evoluir, porque só um grupo muito consistente e a praticar um futebol de qualidade de forma regular pode ambicionar o tricampeonato.

A Figura:
Nico Gaitán – Nem parecia que apenas tinha voltado do seu país natal há dois dias. Fez uma excelente exibição, marcada por fintas deliciosas e acelerações que deixavam os adversários sem reação. Marcou um golo e fez três assistências. Ficará por cá mais um ano e o futebol português só ganha com isso.

O Fora de Jogo:
Belenenses
– Mostrou uma passividade inaceitável a defender e uma atitude inofensiva no ataque. Preocupante para uma equipa que vai disputar a fase de grupos da Liga Europa. O plantel tem qualidade ( Miguel Rosa, Luís Leal) mas só isso não chega. 

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