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Dez anos se passaram e quatro títulos de futebol se conquistaram (Taças da Liga só servem mesmo para o populismo) com Luís Filipe Vieira como Presidente. Estes números envergonhariam qualquer outro Presidente mas este ganhou uma aura e uma protecção baseadas em demagogia e areia para os olhos dos sócios e adeptos. Vieira está no poder como, quando e durante o tempo que quiser. É isso que assusta e espanta como conseguiu chegar a este ponto. Vieira utilizou a pior fase da história do Clube para lançar o terror e auto perpetuar a sua obra. É esse o maior argumento dos 83% que elegeram a incompetência e que para isso usam do deves querer voltar ao Vale e Azevedo. Tudo certo, nenhum adepto do Benfica quer voltar à fase mais decadente da gloriosa história do clube.

Luís Filipe Vieira e Jorge Jesus / Fonte: abola.pt
Luís Filipe Vieira e Jorge Jesus
Fonte: A Bola

Entre 1993 e 2003 (Damásio – Vale e Azevedo – Vilarinho) ganhámos um campeonato e uma Taça de Portugal. Com Vieira, em igual período, entre 2003 e 2013, dois campeonatos e uma Taça de Portugal. A cegueira dos apoiantes de Vieira é tal que parece que o Sport Lisboa e Benfica nasceu em 1993 e tudo o que está para trás não interessa. É de elogiar, sim, a capacidade que Vieira teve para conseguir meter o cérebro dos benfiquistas na máquina de lavar e fazê-los quase esquecer (não todos, felizmente) do Benfica ganhador. Este tipo de campanha fez a grande maioria dos sócios colocar o actual Presidente num pedestal, transmitindo a ideia de que a história para trás de 1993 foi simplesmente apagada. Esta ridícula ausência de títulos vai sendo desculpada com árbitros, relvados, condições atmosféricas, jogadores adversários que correm mais contra nós do que contra os outros, bandeirinhas, adeptos ou ausência deles e os sócios vão na cantiga. São até os sócios e adeptos mais velhos a grande base do apoio vieirista, algo que surpreende, se tivermos em conta o facto de terem sido estes mesmos adeptos a viver na pele e no sangue o Benfica vencedor. Luís Filipe Vieira conseguiu baixar as exigências dos benfiquistas para níveis nunca antes vistos, em que até feitos alcançados pelo Braga e quase pelo Boavista (final de uma competição europeia) conseguem ser tornados em feitos inolvidáveis. Nem sequer quero entrar na área financeira porque os números e a falência técnica falam por si. Pior do que não ganhar é ver os valores do benfiquismo mergulhados em humilhações e demagogia. O desrespeito pelos adversários e pelos próprios adeptos tornou-se um triste hábito deste Benfica. Até já entramos em jogos NA NOSSA PRÓPRIA CASA a achar que é importante “não perder”, segundo o mestre Jorge. O Benfica à Benfica está de coma. Resta-nos o Benfica à benfiquinha de Vieira, pequenino, pequenino…

É claro que reconheço méritos ao Presidente. A forma como utilizou os meios de comunicação, tanto em Portugal como para os emigrantes, é brilhante: afinal, uma mentira dita muitas vezes torna-se verdade. Interessante, também, a forma como subliminarmente consegue fazer passar a sua mensagem de “estabilidade e seguir o caminho traçado” na Benfica TV. Trouxe de volta o Benfica eclético e vencedor nas modalidades e o centro de estágio do Seixal coloca-nos no topo europeu a este nível. Deu condições de trabalho e recursos aos treinadores como não houve igual antes e recuperou a credibilidade do Benfica na Europa do futebol. Mas não ganha. E dos derrotados não reza a história. Ou melhor, reza a história dos vieiristas. Nesta década não ganhámos mas estivemos quase e vai ser para o ano, dizem eles. Enquanto não saímos do quase, o Porto teve a melhor década da sua história.

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Apoia o Sport Lisboa e Benfica (nunca o Benfas ou derivados) e, dos últimos 125 jogos na Luz, deve ter estado em 150. Kelvin ou Ivanovic não são suficientes para beliscar o seu fervor benfiquista.                                                                                                                                                 O Francisco não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.