Na noite da última segunda-feira, João Noronha Lopes, candidato à presidência do SL Benfica, foi entrevistado em directo no BnR TV, entrevista na qual proferiu uma frase que ficou marcada: “O Benfica é muito maior do que Luís Filipe Vieira.”

Parecendo que não, esta frase traz à cabeça tudo aquilo que tem sido dito e feito por Luís Filipe Vieira nos últimos tempos e que têm vindo a mostrar que o actual presidente do Benfica é um homem cada vez mais só no poder, e por vontade e iniciativa própria.

Há um facto que deve ser mencionado: Luís Filipe Vieira tem uma obra feita no Benfica que deve e merece ser reconhecida. Luís Filipe Vieira conduziu o clube a uma recuperação financeira a institucional, dotando o clube de infraestruturas ao nível dos maiores clubes do mundo.

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Como o próprio João Noronha Lopes fez questão de referir, o que está em causa não são os 17 anos na presidência do Benfica, mas sim o último mandato, no qual se tem visto um Benfica a fracassar desportivamente no plano nacional e internacional.

Tudo isto se deve a um simples facto: ao facto de Luís Filipe Vieira, que já assumiu que não percebe nada de futebol, insistir em estar sempre no centro das decisões. Daí resultam os sucessivos maus planeamentos de época, as más construções do plantel e consequentemente, a perda de dois campeonatos para um rival com uma fragilidade financeira nunca vista nos últimos 20 anos.

A presença de António Costa na Comissão de Honra de Luís Filipe Vieira gerou bastante polémica
Fonte: SL Benfica

Mais do que os danos causados a nível desportivo, temos visto um Benfica com danos reputacionais que não se viam desde o tempo em que não havia pedras da calçada. Luís Filipe Vieira menciona orgulhosamente que o Benfica é o campeão da credibilidade, mas depois vemos o Benfica associado a escândalos judiciais, vemos a SAD associada a uma OPA repleta de ilegalidade e ainda vimos Luís Filipe Vieira agredir um sócio em plena Assembleia Geral. E mais grave que isso, não vimos Luís Filipe Vieira dar qualquer explicação face a esses acontecimentos.

Vemos um Luís Filipe Vieira a dar a cara na RTP no último fim-de-semana, mas aquando da derrota contra o PAOK e ao longo do último mercado, andou sempre escondido atrás de um Jorge Jesus, de um Rui Costa, de um Luís Bernardo ou de uma newsletter qualquer.

Vemos Luís Filipe Vieira a referir vezes sem conta que a aposta na formação é a prioridade na política desportiva do Benfica, mas depois despacha um dos maiores talentos do Seixal por tuta e meia. Vemos Luís Filipe Vieira a fazer regressar um treinador que chegou a dizer que nunca regressaria ao Benfica, um treinador que processou em tribunal, que acusou de ter roubado software do clube e de ter causado danos morais ao clube e aos adeptos.

Vemos um Luís Filipe Vieira que proclama alto e a bom som que é bairrista e personifica a cultura popular do Benfica, mas depois impede o canal oficial do Benfica de divulgar as restantes candidaturas à presidência do clube, que recusa-se a responder a questões levantadas pelos sócios, que não quer ir a debates com os outros candidatos porque considera que estes não passam de ruído e só servem para lavar roupa suja; um presidente que diz que a sua sucessão deve ser preparada e que o futuro do Benfica não deve ser decidido numas eleições quaisquer, como se isto fosse um estado monárquico.

Vemos um Luís Filipe Vieira que anda continuamente a contradizer-se nas suas intervenções, que nas suas últimas entrevistas tem vindo a lamentar o pouco tempo que tem tido para a família, para brincar com os netos e jogar à sueca com os amigos. A obra feita que construiu no Benfica, é usada como um escudo por ele, bem como por aqueles que o defendem cegamente; com Luís Filipe Vieira a dizer que refundou o clube e a fazer constantes referências ao passado e ao estado em que encontrou o clube.

Luís Filipe Vieira é neste momento um homem esgotado, perdido e que só se ouve a si próprio, que acusa os vícios e o comodismo de estar perpetuado ao poder. A forma como o Benfica tem vindo a ser liderado nos últimos anos lá levou à saída de vários elementos da estrutura do clube e da SAD, tais como José Boto, Luís Nazaré e Álvaro Dâmaso, falando-se ainda na saída de Domingos Soares de Oliveira.

O Sport Lisboa e Benfica foi fundado no dia 28 de Fevereiro de 1904 por um grupo de 24 pessoas que se juntaram na Farmácia Franco a fim de formar uma equipa de futebol, sendo um clube que sempre se caracterizou pela união e pelo trabalho em conjunto. Ambição, transparência e democracia são alguns dos pilares que definem a identidade do Benfica e o último mandato de Luís Filipe Vieira não cumpriu nenhum destes pergaminhos.

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