Benfica e o caos na mudança: Entre José Mourinho e Marco Silva

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A mudança de José Mourinho para Marco Silva ficará, certamente, como um dos processos mais conturbados dos últimos tempos no futebol português.

Durante semanas, o Benfica ficou preso a um compasso de espera que pouco sentido fazia aos olhos dos benfiquistas. O clube aguardou pelas eleições do Real Madrid para poder antecipar ou, pelo menos, anunciar oficialmente o seu futuro. É verdade que Rui Costa, na conferência de imprensa da passada quinta-feira, garantiu que, independentemente do resultado eleitoral em Madrid, Marco Silva seria o novo treinador do Benfica.

Rui Costa e Mário Branco num treino do Benfica
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

O futuro estava, portanto, definido. Ainda assim, isso não invalida que os adeptos encarnados pudessem e devessem ter recebido essa confirmação mais cedo, sem estarem dependentes da vitória de Florentino Pérez ou de qualquer outro fator externo para conhecerem oficialmente o nome do homem que lideraria a equipa na próxima época.

Foi um processo caótico, marcado por indefinições, rumores e uma comunicação pouco eficaz. Porém, por mais legítimas que sejam as críticas, chega um momento em que olhar para trás deixa de fazer sentido. O processo terminou. A decisão está tomada. E aquilo que importa agora é seguir em frente.

Seguir em frente significa olhar para Marco Silva e perceber quem é o homem que assume o comando técnico do Sport Lisboa e Benfica. Estamos a falar de um treinador que construiu a sua carreira longe dos holofotes mais mediáticos, mas que acumulou uma experiência extremamente valiosa ao longo dos últimos anos. Mais de uma década no futebol inglês, entre Championship e Premier League, permitiu-lhe desenvolver uma enorme capacidade de adaptação, resiliência e competência na gestão de contextos exigentes.

Marco Silva Fulham
Fonte: Fulham FC

No Fulham, enfrentou desafios de diferentes naturezas e conseguiu, repetidamente, tornar a equipa competitiva num dos campeonatos mais difíceis do mundo. Essa experiência não deve ser desvalorizada. Pelo contrário, representa uma das maiores credenciais de um treinador que chega à Luz sem o peso mediático de alguns dos nomes que foram apontados para o cargo, mas com um percurso que lhe granjeou respeito internacional e reconhecimento entre os seus pares.

Marco Silva não chega ao Benfica como uma figura messiânica nem como um treinador com estatuto de estrela global. Chega, isso sim, como um técnico competente, experiente e preparado para um desafio de enorme dimensão. E é precisamente por isso que parece encaixar naquilo que o Benfica necessita neste momento.

Como o próprio afirmou na passada sexta-feira, este será o maior desafio da sua carreira. E será. Treinar o Benfica implica viver sob uma pressão permanente, conviver com a exigência da vitória e responder às expectativas de milhões de adeptos. Mas é também uma oportunidade única para deixar uma marca duradoura na história de um dos maiores clubes europeus.

Naturalmente, Marco Silva precisará do apoio dos benfiquistas. Precisará igualmente de uma estrutura mais competente e mais eficaz do que aquela que, em vários momentos dos últimos anos, falhou em corresponder às exigências do clube. Se essas condições estiverem reunidas, não é difícil imaginar uma relação de sucesso entre treinador e instituição.

Jogadores do Benfica
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Talvez seja cedo para fazer previsões. O futebol raramente respeita guiões pré-estabelecidos. Mas existe potencial para que esta seja uma história de sucesso, uma história de conquistas e uma história que permita a Marco Silva inscrever o seu nome nos livros do Sport Lisboa e Benfica.

Os próximos capítulos ainda estão por escrever. O que parece certo é que o caos da mudança terminou. Agora, os olhos devem estar postos no futuro. E esse futuro passa por apoiar Marco Silva e a sua equipa técnica, ajudando o Benfica a iniciar a nova época de forma forte e competitiva.

Porque, no final de tudo, aquilo que os benfiquistas desejam é simples: que daqui a um ano, em junho, existam razões para celebrar. Razões verdadeiramente grandes. Razões que devolvam ao clube o sentimento de triunfo e de orgulho que tantos adeptos sentem faltar nos últimos anos.

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