Terceiro Anel

Eduardo Salvio, esse jogador que faz incendiar a massa benfiquista, está de regresso! Eduardo Salvio, esse futebolista que esboça sempre um sorriso encantador, está de regresso! Eduardo Salvio, esse homem que faz assistências atrás de assistências, que corre que nem um desalmado, que marca sempre muitos golos, está de regresso! Eduardo Salvio, o homem que mais “nós cegos” deu a adversários no Estádio da Luz, em 2010/2011 e 2012/2013, está de regresso! Eduardo Salvio, esse atleta que adora o Benfica, porque isso nota-se e sente-se, está de regresso!

Desculpem-me este entusiasmo inicial, mas não dá para fugir a isto. Eu idolatro Salvio. Acho-o um jogador de excepção. É, neste momento, e estando em forma, o melhor extremo do futebol português. Mas atenção, porque tenho de ser coerente: eu fui um daqueles adeptos que torceu o nariz à sua chegada a Lisboa, mesmo em finais de Agosto de 2010. E isto porque, na altura, Salvio vinha de uma experiência infeliz no Atlético de Madrid, então orientado por esse mago chamado Quique Flores, que veio cá buscar a Orsi e pouco mais fez que devesse ficar registado. E a minha desconfiança na altura também se deveu ao clima muito nebuloso que pairava na Luz, naqueles tempos, fruto de um início de temporada horripilante. E a verdade é que Salvio demorou algum tempo a afirmar-se no Benfica. E para isso também em muito contribuiu um Jorge Jesus completamente desorientado, que naqueles três primeiros meses da temporada 2010/2011 parecia estar sob o efeito de substâncias psicotrópicas.

Ou seja, parecia estar tudo conjugado para que Salvio não vingasse na passagem pelo maior de Portugal. Contudo, e a meu ver, foi no Benfica 4-3 Lyon, no dia 2 de Novembro de 2010 (sim, esse tal jogo em que o Benfica conseguiu sofrer três golos no último quarto de hora da partida), que se viu que o raio do Toto poderia dar espectáculo. Porém, dias depois desse estranho desafio, Salvio participou no FC Porto 5-0 Benfica (cada vez que me refiro a este jogo sinto uma ligeira indisposição…), alinhando de início, e não tendo, como toda a equipa do Benfica, qualquer lampejo positivo, ao longo daquela partida pavorosa. Apenas em Dezembro de 2010 este repentista argentino se afirmou de vez. Com uma actuação de sonho num Benfica 5-2 Rio Ave, Eduardo Salvio mostrou que era ele…e mais 10. E depois, pronto, aconteceu aquilo que toda a gente sabe: exibições de gala, muitos golos, variadas assistências, adversários com a cabeça em água (ai aquele Benfica 2-1 Sporting, das meias-finais da Taça da Liga 2010/2011, em que Evaldo se confundiu com o Túnel do Marquês, tal a quantidade de vezes que Salvio lhe colocou a bola por entre as pernas). O pior é que todos nós, adeptos benfiquistas, sabíamos que ele voltaria ao Atlético de Madrid no final dessa temporada, porque o empréstimo apenas se reportava àquela época, e claro que o clube colchonero, ao ver aquele artista, não quereria voltar a desperdiçar tão grande talento. Para nossa ainda maior desgraça, Salvio lesionou-se com gravidade em Eindhoven, no PSV-Benfica da 2ª mão dos quartos-de-final da Liga Europa desse ano. Esse infortúnio fez com que logo em meados de Abril de 2011 ficássemos a saber que muito provavelmente nunca mais voltaríamos a ver Salvio com a camisola do Benfica vestida, o que quase me levou a um estado de depressão.

Todavia, em 2011/2012, o Atlético de Madrid voltou a não aproveitar da melhor forma este portentoso jogador, o que em mim causou uma certa fúria, por estar ali a ver que um clube que para mim era inferior ao Benfica estava a desperdiçar pela segunda vez as potencialidades de Salvio. Por isso, foi com enorme felicidade (não, não me causou qualquer impressão o facto de ele ter sido bastante caro) que eu soube da notícia de que o Benfica havia adquirido, a título definitivo, Eduardo Salvio. É que era (e claro que foi!) daqueles jogadores que iriam pegar de estaca, lá está, ele e mais 10. E claro que isso se confirmou, com Salvio a realizar uma tremenda época 2012/2013 (não me obriguem a voltar a abordar o nosso final de temporada, há uns meses atrás).

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O momento em que o argentino se viu obrigado a longa paragem Fonte: Record
O momento em que o argentino se viu obrigado a longa paragem
Fonte: Record

Temporada 2013/2014. Verão angustiante para os lados da Luz, tudo em polvorosa. Salvio era daqueles garantes de estabilidade, de rendimento elevado, mas eis que em Alvalade, no dia 31 de Agosto, Toto se lesiona com gravidade. No dia seguinte, em plena praia, sou confrontado com o seguinte facto: “Salvio só regressará em Março!”. Com o mar ali junto a mim, garanto-vos que umas certas ideias estranhas passaram pela minha cabeça.

E pronto, agora estou aqui, no dia 22 de Fevereiro de 2014, ainda antes de Março, e Salvio já está disponível. Até nas recuperações físicas…este homem é craque! E ainda bem que o é, porque, com um jogador desta estirpe de regresso, o Benfica só se poderá tornar mais forte.

Bienvenido, Toto!

Duas notas de rodapé: em primeiro lugar, estou confiante para esta eliminatória da Liga Europa frente ao Paok. Caramba, se vi o meu Benfica a vencer naquele inferno grego, na temporada 1999/2000, quando o plantel do maior de Portugal era pouco melhor do que o plantel do Tirsense em 1995, por que razão terei de estar receoso? Em segundo lugar, e não querendo entrar no domínio do agressivo, aproveito para lhe dizer, senhor Luís Filipe Vieira, que se tiver a brilhante ideia de vender Ezequiel Garay agora em Fevereiro, terá da minha parte chamadas telefónicas para a sua pessoa, com um teor ameaçador e algo indesejável.

Boa continuação para todos!