Depois da sonante contratação de Julian Weigl, o SL Benfica ataca agora o médio brasileiro de 22 anos Bruno Guimarães, pertencente aos quadros do Club Athletico Paranaense.

Olhando para o plantel do Benfica, numa perspetiva meramente quantitativa, o meio campo não nos parece uma das zonas mais necessitadas de reforços. No entanto, analisando de forma mais objetiva: Fejsa e Gedson parecem estar de saída, Samaris não tem lugar garantido no plantel, Weigl e Florentino encaixam nas características típicas de um número 6, de cariz mais defensivo. Sobram Gabriel e Taarabt como médios mais “ofensivos” (não incluindo Chiquinho nesta contabilização).

O brasileiro é um jogador extremamente importante nas dinâmicas impostas por Bruno Lage. Gabriel contribui muito do ponto de vista defensivo e é capaz de contribuir ofensivamente para a equipa. Contudo, esta construção foca-se muito nos passes longos e nas aberturas nas alas, limitando assim um pouco a criatividade do meio campo encarnado.

Já Taarabt é um jogador mais dinâmico, capaz de transportar o esférico com qualidade e realizar mais passes de rotura que encontrem jogadores entre linhas. No plantel do SL Benfica não existe qualquer outro jogador que disponha destas características, o que prejudica bastante a equipa encarnada nos períodos ou jogos de ausência do camisola 49 (por exemplo no jogo frente ao Desportivo das Aves, onde a ausência de Taarabt foi sentida).

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É precisamente aqui que entra Bruno Guimarães. As características do médio brasileiro vão ao encontro das características de Adel Taarabt.

É com a bola dominada que Bruno Guimarães mais se destaca. O médio de 22 anos, que foi eleito o melhor na sua posição no Campeonato Brasileiro, demonstrou uma enorme qualidade de passe. Tanto em passes curtos (88%) como em passes longos (77%), Bruno Guimarães tem elevadíssimas taxas de conversão.

Mais do que realizar a ação de forma correta, o camisola 39 do Club Athlético Paranaense demonstra ter uma grande capacidade de decisão e compreensão do jogo. Bruno Guimarães alia na perfeição a tomada de decisão à execução.

No momento de transição ofensiva, demonstra ter muita capacidade e critério no transporte de bola, tendo qualidade suficiente para ultrapassar os adversários em drible, mas está sempre atento às desmarcações dos colegas. É um jogador que joga sempre “de cabeça levantada”. Tem também alguma capacidade de chegada à área.

Bruno Guimarães realizou uma grande época ao serviço do Club Athletico Paranaense, onde venceu a Copa do Brasil
Fonte: CA Paranaense

Bruno Guimarães é um atleta com um toque de bola refinado e diferenciado. A qualidade que tem na receção e na execução em espaços curtos permitem ao jogador demonstrar uma enorme classe e uma facilidade de execução quase arrogante para o comum mortal. O que o atleta tem vindo a fazer na Arena da Baixada assemelha-se ao que Frenkie de Jong fez ao serviço do Ajax e agora do FC Barcelona. As dinâmicas e características são semelhantes, e a qualidade abunda em ambos os jogadores.

Defensivamente, o internacional sub-23 brasileiro tem igualmente alguns argumentos. A sua noção de posicionamento defensivo é já bastante elevada face a média de um jogador do Brasileirão. Estatisticamente falando, Bruno Guimarães realiza uma interceção e perto de dois desarmes por jogo. Estes são números interessantes e que podem vir a ser trabalhados por Bruno Lage, tal como aconteceu com Taarabt.

A boa forma física e a sua “infindável” resistência permitem ao brasileiro ter um elevado índice de trabalho, tanto ofensivamente como defensivamente. Esta é uma característica fundamental nas dinâmicas de jogo de Bruno Lage, que exige sempre muito esforço no “miolo”.

Para mim, um grande jogador não é aquele que é capaz de driblar toda uma equipa, ou aquele que coloca uma bola no ângulo com um fantástico remate, ou aquele que realiza um corte de carrinho em cima da linha. Um grande jogador é aquele que tem capacidade para fazer tudo o que listei acima, mas que sobretudo faz parecer as tarefas básicas do jogo apenas ações triviais.

É exatamente isto que sinto quando vejo Bruno Guimarães atuar. O jogador coloca o adepto num raro estado de calma constante, pois sabemos que aquele passe de 40 metros irá cair no pé do seu colega com a mesma suavidade que iria se ele estivesse mesmo ao seu lado.

É certo que comete erros, mas a sua qualidade não engana ninguém. Em Portugal seria, sem dúvida alguma, um dos melhores jogadores.

O atleta parece já estar convencido e desejoso de vestir o manto sagrado. No entanto, falta o mais difícil: convencer o clube a libertar o ativo.

Mário Petraglia, atual presidente do clube do rubro-negro, permanece irredutível no preço de 30 milhões de euros. O SL Benfica, que deseja muito a chegada do jogador, tenta negociar a vinda do brasileiro por 20 milhões mais uma pequena percentagem do passe que permaneceria com o clube do Paraná.

Ainda não há fumo branco à vista.

Foto de capa: CA Paranaense

Artigo revisto por Joana Mendes

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O Gonçalo é atualmente aluno da Escola Superior de Comunicação Social, onde persegue o seu sonho de ser jornalista. Descobriu a emoção do desporto quando assistiu, juntamente com o seu pai, ao clássico entre o Glasgow Rangers e o Celtic. A partir desse momento o desporto tornou-se uma parte fundamental da sua vida. Apaixonado pela prática desportiva, segue o futebol em geral e a NBA religiosamente. Tem dois clubes de coração o Benfica, e o Clube Atlético de Queluz clube da terra, no qual é atleta desde os 6 anos.                                                                                                                                                 O Gonçalo escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.