Aos primeiros maus resultados vieram as primeiras críticas. Contudo diga-se que muitas merecidas. É que estes vieram acompanhados de exibições bem desapontantes.

O despedimento de um treinador é uma chicotada psicológica que gera um impulso emocional no plantel. Considero existirem 3 estágios da Chicotada Psicológica: Supra-excitação, Esvaziamento e Estabilização.

Vejamos o caso de Keizer no Sporting. O grande entusiasmo inicial gerado por grandes exibições e goleadas. Uma equipa empolgadissima até que o balão esvaziou com o primeiro mau resultado. Outros se seguiram acompanhados de várias amorfas exibições. A equipa não parecia a mesma, o treinador não parecia o mesmo. Até que surgiu um Sporting mais equilibrado. As ideias do Keizer parecem ter assentado tal como o seu conhecimento do plantel. A equipa e o treinador estabilizaram e começam agora realmente a mostrar o que valem, um Sporting diferente daquele visto na fase de Supra-Excitação e de Esvaziamento.

Com o Benfica de Lage estaremos a passar por um processo similar. O importante é saber neste final de época que Benfica nos apresentará o Lage na sua fase de Estabilização.

A ideia de jogo do Lage foi-nos apresentada logo nos primeiros jogos. A sua gestão do plantel e balneário também. Estas caracteristicas são a base da identidade deste treinador. Contudo sofrem pelo contexto de final de época.

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As criticas sobre o actual treinador do S.L. Benfica têm recaído muito em exibições aparentemente mais passivas e também na escolha de alguns jogadores para jogos decisivos que não do campeonato nacional.

O despedimento de um treinador é uma chicotada psicológica que gera um impulso emocional no plantel
Fonte: SL Benfica

Antes de mais é preciso recordar que não foi este treinador que montou o plantel. Bruno Lage surgiu com uma nova ideia de jogo e com um novo sistema táctico e sem um plantel devidamente construído para o alimentar. A promoção de vários jovens vem responder a esta necessidade contudo acarreta os seus riscos numa altura de decisões.
Contudo Lage tem as suas responsabilidades e a critica até é justa.

A preocupação na gestão do balneário, evitando atritos com os jogadores mais influentes, tem limitado a qualidade do futebol da equipa. Jardel e Fejsa são dois jogadores de grande relevância na equipa mas actualmente sem condições de encostaren o Ferro, o Samaris, o Gabriel ou até o Florentino. O comboio da titularidade desta época já lhes fugiu e a insistência em os incluir tem sido prejudical aos objectivos do clube. O contexto actual não é propicio a este tipo de gestão e preocupações. Porém não só nas escolhas dos jogadores se explicam as exibições menos conseguidas deste Benfica de Bruno Lage.

Anteriormente já escrevi sobre o treinador português e a sua obsessão pelo estudo do adversário. Esta preocupação leva a uma constante adaptção da sua equipa jogo após jogo. Há um maior foco no outro do que em si, na adpatção e anulação em vez de no desenvolvimento e evolução. O Bruno Lage desde cedo mostrou fugir a este estereótipo mesmo não esquecendo totalmente as suas raízes. Na altura o que desejei foi que este encontrasse um equilibrio onde não permtisse que o estudo prevalecesse sobre o talento – seu e dos seus jogadores.

Tem-se falado de um Benfica mais passivo e expectante em jogos decisivos. Foi-o com o Galatasaray na Luz, com o Sporting para a Taça em Alvalade, com o Eintracht na Alemana e até com o Porto na Taça da Liga. Longe de mim achar que os jogadores não querem ganhar, que o treinador lhes pede para jogarem para o empate ou que nestes jogos a motivação é tomada por desinteresse ao jogo. Esta imagem é somente o reflexo do condicionalismo técnico que lhes é imposto. Bruno Lage chegou e fascinou pela forma como libertou o talento pelos relvados. Peca quando o amarra em questões tácticas de anulação do adversário. O Mister Lage tem-nos apresentado um menor Benfica quando adapta o seu futebol ao adversário.

É um gosto ouvi-lo nas conferências de impresa a explicar-nos o que preparou para o jogo. Contudo é exactamente nessas boas explicações que demonstra o quanto por vezes condiciona o futebol encarnado numa tentativa de condicionamento do adversário. E assim o nosso futebol sofre, os jogadores sofrem, os adeptos sofrem, o clube sofre e o próprio Lage sofre.

Retirando os devidos excessos, Bruno Lage tem merecido muitas das criticas de que tem sido alvo. A maioria pouco assertiva mas todas sustentadas por evitáveis más exibições da equipa. Um Benfica mais solto de amarras teria marcado tanto em Alvalade como como na Alemanha. Um Benfica menos condicionado seria mais capaz de condicionar o futebol tanto do Eintracht como do Sporting.

Termino com uma ressalva. Se hoje sofremos pelas derrotas finais é porque alguém nos fez acreditar que vitória era possivel. Os méritos do Lage tiraram-nos do fosso futebolistico em que estávamos enterrados. O contexto e alguns erros de análise não nos permitiram concretizar todos os sonhos em realidade. Mas é ao Lage que o futebol nacional deve o Lageball e é a este estilo que o treinador se deve manter sempre fiel.

Foto de Capa: SL Benfica

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