Bruno Lage | O fim do fenómeno

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Bruno Lage entrou no futebol português como um autêntico furacão. Desportivamente, catapultou um SL Benfica debilitado para a conquista do campeonato nacional. O discurso que apresentava era também renovado e diferente do habitual, sendo normalmente consistente. Nunca ninguém foi um fenómeno tão grande em tão pouco tempo como Bruno Lage.

Passado um ano e meio, o “furacão Lage” vai perdendo força a cada dia que passa. O “Lageball” é agora apenas uma miragem perdida no meio de um deserto de ideias. O outrora diferenciado e consistente discurso vai parecendo cada vez mais repetitivo e inconsistente.

Quando assumiu o comando da equipa principal das águias, Bruno Lage conseguiu atribuir dinâmicas e montar um sistema sólido com os jogadores que tinha à sua disposição. Para isso, contribuiu também o novo fulgor que conseguiu dar à equipa.

Esta época, o cenário mudou. Jogadores chave como Jonas ou João Félix já não são opção para o treinador de Setúbal (muita da culpa advém também da direção, que parece não ter planeado de forma correta o plantel e a época). Qualquer bom treinador tem a sua ideia própria do tipo de futebol que quer praticar, mas as dinâmicas têm de ser ajustadas, tendo em conta os atletas de que dispomos. Bruno Lage não foi capaz de o fazer.

O caso “RDT” é o mais evidente. O avançado espanhol foi usado em zonas muito mais recuadas do que aquilo a que estava habituado e foi-lhe pedido que desempenhasse funções para as quais não foi talhado. É certo que o lado mental do jogador não ajudou ao seu rendimento, mas uma grande parcela da culpa pertence a Bruno Lage, que quis fazer do espanhol um novo Félix.

Bruno Lage não tem demonstrado a melhor capacidade para mexer na equipa
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Outra das críticas feitas a Bruno Lage tem a ver com a forma como é incapaz de mexer no jogo e incutir novas dinâmicas aos jogadores.

Desde que chegou ao Benfica, a equipa de Bruno Lage esteve em desvantagem por 22 vezes e apenas em nove ocasiões conseguiu dar a volta ao marcador (tendo alcançado ainda dois empates). Os números estão longe de ser impressionantes, ainda mais tendo em conta que muitos destes jogos eram de competições nacionais.

Esta dificuldade de reagir nos jogos muito tem que ver com a (quase) inaptidão do treinador português para as substituições (característica que já data da equipa B). Vejamos a coisa estatisticamente: 40% das substituições do SL Benfica ocorrem já para lá dos 80 minutos. Os números ascendem a 60% quando falamos dos últimos 15 minutos da partida. Foram ainda feitas 14 substituições já depois dos 90′.

Estes números, apesar de relativos, revelam uma persistência praticamente total nas ideias e no 11 “base”. Estes dados não abonam nada à capacidade de gestão físico-desportiva de um plantel, nem tão pouco à manutenção da capacidade mental dos jogadores.

Em termos práticos, Bruno Lage tem tido muitas dificuldades em trazer ideias novas e alterar a equipa de forma a extrair mais rendimento no decorrer da partida.

Isto tem sido por demais evidente nos últimos jogos. Frente ao Braga, por exemplo, carregou a linha da frente com três avançados, mas retirou à equipa poder de desequilíbrio (e cruzamento) nas alas com a saída de Cervi, sendo que Pizzi continuou a jogar muito por dentro. A estratégia foi facilmente anulada por uma propositada subida da linha defensiva bracarense, que afastou facilmente os avançados encarnados da sua área. O mesmo se passou no Estádio do Dragão, onde, com a entrada do terceiro avançado, o SL Benfica não conseguiu produzir jogo nem criar uma única oportunidade de golo.

Bruno Lage tem tido também muita dificuldade em corrigir os erros da sua linha defensiva. Os maus momentos de forma de alguns elementos não podem justificar tudo.

É certo que o Benfica já não pratica um bom futebol desde a última paragem das seleções (que parece ter tido um impacto muito negativo nas águias), mas conseguia vencer as partidas com ajuda da sorte ou de desequilíbrios individuais. Agora, vemos uma equipa encarnada que, para além do fraco futebol, não quer nada com a sorte e ainda está a ser tremendamente prejudicada pelos maus momentos de forma de jogadores chave como Rafa, Vinícius, Pizzi, Rúben Dias, etc.

Bruno Lage não tem sabido “combater” a queda a pique da equipa e com os maus resultados a aparecer a motivação irá ser cada vez pior. Se o treinador português não conseguir fazer mudanças significativas na equipa, o “furacão Lage” poderá ser exatamente como o fenómeno meteorológico: muito intenso, mas de curta duração.

Foto de capa: Carlos Silva/Bola na Rede

Gonçalo Batista
Gonçalo Batistahttp://www.bolanarede.pt
O Gonçalo é atualmente aluno da Escola Superior de Comunicação Social, onde persegue o seu sonho de ser jornalista. Descobriu a emoção do desporto quando assistiu, juntamente com o seu pai, ao clássico entre o Glasgow Rangers e o Celtic. A partir desse momento o desporto tornou-se uma parte fundamental da sua vida. Apaixonado pela prática desportiva, segue o futebol em geral e a NBA religiosamente. Tem dois clubes de coração o Benfica, e o Clube Atlético de Queluz clube da terra, no qual é atleta desde os 6 anos.                                                                                                                                                 O Gonçalo escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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