Terceiro Anel

Benfica vs FC Porto, o jogo mais explosivo do futebol português, num domingo às 16 horas. Mal fiquei a conhecer o horário desta partida, dei por mim a largar um enorme sorriso, porque jogatanas nas tardes de domingo são…aquela base. E ainda para mais tratando-se de uma recepção aos nossos queridos amigos da Invicta, jogo esse (e falo por mim) que é o que mais gozo me dá ganhar em Portugal.

Mas de facto, e foi isso que me levou a escrever este artigo sobre o tema, é a essência da futebolada durante um domingo à tarde que me encanta profundamente. E eu, que até estava com um certo receio de que não viesse aí uma grande casa a caminho para este clássico, agora fiquei quase convicto de que haverá um grande ambiente na catedral nacional. O Benfica tem vindo a praticar um futebol enfadonho e desgarrado, sem conexão, mas tenho esperança de que a situação se altere no dia 12 de Janeiro. E para isso deverá contribuir, e muito, a envolvência desta partida. Teremos famílias inteiras a deslocar-se ao Estádio da Luz, teremos famílias inteiras a almoçar junto do Estádio da Luz, teremos famílias inteiras a cantar pelo clube junto ao Estádio da Luz, teremos “roulottes” apinhadas de gente junto ao Estadio da Luz (não me levem a mal, mas escrever “Estádio da Luz” para mim é uma terapia), teremos bifanas e couratos por toda a parte!

Aliás, temo pela saúde do gado suíno nacional, visto que os couratos e bifanas terão, certamente, uma enorme saída no dia 12 de Janeiro. Mas pronto, é o preço a pagar por haver uma partida destas num tão apetecível horário. E depois, os adeptos poderão ir descansados para o Estádio da Luz, sabendo que a seguir ao clássico ainda poderão dar largas à sua alegria durante muitas horas, depois de mais uma vitória do Benfica. E isto porque o jogo será às 16 horas e não à noite, como por norma sempre acontece, e assim sendo, os adeptos que ainda têm emprego (ainda existem portugueses com emprego, não existem?) podem estar à vontade, dando-se ao luxo de ir ao teatro ou ao cinema depois do jogo.

Benfica - FC Porto, em Abril de 1993, numa das muitas tardes de sonho na velha Luz / Fonte: ontemvi-tenoestadiodaluz.blogspot.pt/
Benfica – FC Porto, Abril de 1993, numa das muitas tardes de sonho na velha Luz
Fonte: ontemvi-tenoestadiodaluz.blogspot.pt

Benfica vs FC Porto numa tarde de domingo, como tantos outros clássicos que se realizaram em tardes do dia semanal de descanso. Sim, já não teremos o Eusébio, Coluna, Simões e Germano dos anos 1960; sim, já não teremos o Humberto Coelho, Toni, Jordão e Vitor Baptista dos anos 70; sim, já não teremos o Bento, Pietra, Carlos Manuel e Chalana dos anos 1980; sim, também não teremos o Mozer, Ricardo Gomes, Valdo e João Pinto da primeira metade dos anos 1990 (por favor, caros colegas do “Bola na Rede”, não me obriguem a falar sobre o Benfica do período Junho de 1994/Dezembro de 2002).

Mas desta vez teremos o Luisão, o Garay, o Matic (pois, se calhar não), o Enzo, o Gaitán, entre outros. E além disso teremos um jogo na catedral, numa hora sagrada, com a partida a ser transmitida na Benfica TV, com um grande ambiente em redor do estádio, com um país em suspenso à espera deste tremendo desafio.

Felizmente, vou ver este jogo ao vivo, e por isso mesmo faço questão de participar neste evento de culto que será a romaria ao estádio, o almoço à base de couratos e bifanas, o convívio com muitos outros adeptos do Benfica. Sim, porque o Sport Lisboa e Benfica é o clube do povo, e por ser o clube do povo é que deve ter estes jogos sempre marcados para estas horas apetecíveis. Chega de recepções ao Paços de Ferreira e ao Gil Vicente em noites de domingo; chega de antecipações, por vezes escusadas, de jogos para noites de sexta-feira. Há que reunir a família benfiquista, há que tornar a tarde de 12 de Janeiro inesquecível. Por isso, viva o Benfica! Boa sorte, meu grande amor! Mas atenção, caro SLB, primeiro tens de passar aos quartos-de-final da Taça de Portugal!

Como nota final, gostaria de desejar um bom Ano Novo a todos os meus colegas deste projecto, e em particular a todos os nossos leitores. Ah, e já me esquecia, desculpem-me se porventura este artigo não estiver ao nível de outros, mas isto de escrever poucas horas depois de uma passagem de ano pode ter as suas contrapartidas.

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