A CRÓNICA: BIS DE GONÇALO RAMOS EM NOITE TRISTE NA VILA DAS AVES

O pré-jogo foi um festival de circunstâncias infelizes e da partida pouco se esperava, já que o CD Aves pouco treinou e ao SL Benfica já nada interessa em matéria de campeonato.

O único incentivo do embate era ver como poderiam aproveitar Vinícius e Pizzi para fugir na tabela dos melhores marcadores da Liga, alargando a vantagem sobre Paulinho. O português fez um, mas a grande figura acabaria por ser Gonçalo Ramos, jovem formado no Seixal a quem Veríssimo proporcionou a estreia nos A’s. Entrou aos 85 minutos e ainda foi a tempo de bisar.

Como se esperava, a partida ocorreu a ritmo de treino e as equipas apresentaram-se com algumas alterações, sendo a titularidade de Svilar um dos exemplos. O domínio pertenceu desde o primeiro instante aos encarnados que não demoraram a activar o placar: Pizzi baixou para receber, viu Rafa a aparecer em movimento diagonal e um passe longo magistral permitiu ao extremo abrir o marcador estavam passados quatro minutos.

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A vantagem permitiu ainda mais ao Benfica relaxar com bola, com as oportunidades a sucederem-se naturalmente e com Sheytanov, guarda-redes búlgaro do Desportivo, a aproveitar as ocasiões para se evidenciar entre os postes – fez seis defesas ao longo de todo o jogo, surgindo como um dos destaques da partida.

Na entrada para o segundo tempo foi notória a vontade do Benfica em fechar a partida com mais golo, que conseguiu quando a mão de Bruno Morais interceptou um remate de Pizzi e o árbitro assinalou para a marca da cal, permitindo ao médio benfiquista assinar o seu 30º golo na temporada, aumentando a vantagem para 2-0. A juntar a um total de 17 assistências em todas as competições, confirma a sua melhor época da carreira.

Foram poucas as situações merecedoras de destaque até aos 85 minutos, quando Veríssimo ordena as entradas de Samaris e Gonçalo Ramos, jovem a quem poucos antecipariam tanto sucesso nos primeiros minutos de Primeira Liga: dois minutos depois, responde a livre lateral de Nuno Tavares – muito bem marcado, diga-se – para introduzir o esférico recorrendo a gesto técnico primoroso na baliza adversária; aos 93’, Jota parte com para o contra-ataque, descobrindo Dyego Sousa na zona central, que faz um compasso de espera e assiste o jovem para o 0-4, segundo golo que mereceu festejos de grande entusiasmo.

Foi um jogo competente dos encarnados, sem ser necessário recorrer a grande nota artística para vencer uma equipa adversária que muitas dificuldades teve na preparação do jogo. O esforço demonstrado por todos os jogadores do Aves merece também uma palavra, representando condignamente o emblema que levaram ao peito.

A FIGURA

Fonte: UEFA

Gonçalo Ramos – E que estreia do menino! Marcou, batalhou, mostrou-se muito activo nos minutos disponíveis e aproveitou da melhor forma toda a confiança do seu técnico. Mérito na procura dos espaços e no posicionamento em ambos os lances de golo, merecendo elogios substanciais a forma como finaliza no lance do 3-0.

O FORA-DE-JOGO

Fonte: CD Aves

CD Aves Futebol SAD – Chaves do autocarro desaparecidas, estádio fechado na chegada das equipas ao Complexo Desportivo – obrigando a intervenção da GNR, que foi forçou a entrada na instalações – a necessidade do presidente António Freitas pagar apólices de seguro e os testes de despistagem obrigatórios ao COVID-19, e ainda aos jardineiros, para que o relvado estivesse em condições: o comportamento da SAD avista, tendo como protagonistas Whei Zao e Estrela Campos, é uma afronta à história do clube e ao amor dos seus adeptos, impotentes perante a decadência. Um desastre.

ANÁLISE TÁTICA – CD AVES

Nuno Manta Santos iniciou em 4-4-2, com Banjaqui e Mangas nas asas do meio-campo, que apoiavam a parelha de ataque composta por Marius e Pedro Soares. A equipa nunca foi muito aventureira e percebeu-se desde logo que, dada a ausência de treinos, a equipa não estava preparada fisicamente para disputar a partida e ameaçar o Benfica. Aos 64 minutos entraram Varela, Cláudio Tavares e Touré, mudando a equipa para o 4-3-3, assistindo-se a um esforço inglório na pressão alta.

ONZE INICIAL e PONTUAÇÕES

Sheytanov (7)

 Jailson (5)

Bruno Morais (4)

Diakhite (5)

Afonso Figueiredo (5)

Banjaqui (6)

Rúben Oliveira (5)

Reko (5)

Mangas (5)

Marius (5)

Pedro Soares (5)

SUPLENTES UTILIZADOS

Touré (4)

Claúdio Tavares (4)

Varela (4)

Veiga (-)

Bruninho (-)

ANÁLISE TÁTICA – SL BENFICA

Nada de substancial a apontar em relação às últimas partidas. Duas linhas de quatro, Chiquinho a deambular atrás de Vínicius e sempre disponível para as triangulações no último terço, principalmente com Pizzi e André Almeida no lado direito. Florentino e Gabriel assumiram as rédeas da zona intermediária e exploraram as rotinas habituais, com o português a receber muitas vezes entre os centrais.

ONZE INICIAL e PONTUAÇÕES

Svilar (5)

André Almeida (5)

Rúben Dias (5)

Jardel (5)

Nuno Tavares (5)

Pizzi (7)

Florentino (6)

Gabriel (6)

Rafa (7)

Chiquinho (6)

Vinicius (5)

SUPLENTES UTILIZADOS

Seferovic (4)

Dyego Sousa (4)

Jota (5)

Gonçalo Ramos (7)

Samaris (-)