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O Benfica venceu o Montalegre nos oitavos de final da Taça de Portugal, mas foi a equipa do Norte que se destacou ao lutar pelo jogo olhos nos olhos de forma incrível, frente a um Benfica passivo e aborrecido. Rui Vitória lançou um onze inicial “secundário”, com o regresso de Corchia que fez apenas o terceiro jogo – só foi usado na Taça de Portugal em ambos os jogos disputados esta temporada para a competição.

A primeira parte foi surpreendente, muito pelo facto do Montalegre ter abanado com a partida nos minutos finais. O Benfica, apesar de em vantagem ao intervalo, não mostrou uma clara superioridade frente ao clube nortenho nos primeiros 45 minutos.

O início foi todo do Benfica, jogando ao leme da mobilidade de João Félix, a segurança de Alfa Semedo e a distribuição de Krovinovic – estes que foram os jogadores mais impactantes por parte dos encarnados. Houve bastante bola para a equipa de Lisboa e pouca insistência dos azuis e brancos nos primeiros minutos em que batalhavam com bravura e demoravam a encarrilar o jogo devido às claras diferenças de qualidade entre as duas equipas. Durante essa adaptação e esforço, deixaram Conti aparecer no coração da área isolado, aos 31 minutos, na sequência de um canto, e marcar o primeiro e único do jogo e que permitia que as águias fossem para intervalo a vencer.

Acontece que o Montalegre mostrou que tinha mais a dizer do que o anteriormente esperado. Os minutos finais foram do clube do Campeonato de Portugal, sendo que estiveram bem mais capazes de marcar o empate do que o Benfica parecia estar a conseguir impedir as suas investidas – várias causadas pelos próprios erros dos encarnados.

As equipas saíam para o balneário com a sensação de que Benfica e Montalegre estavam mais próximos neste jogo do que as divisões que os separam.

Alfa Semedo disse “presente” em diversas ocasiões, sendo um dos melhores em campo do Benfica
Fonte: SL Benfica

De regresso do intervalo, os mesmos que saíram voltaram a entrar, não havendo quaisquer substituições quer por parte de Rui Vitória, quer por parte de José Manuel Viage que cumpriu castigo e teve de ver o jogo da bancada.

A segunda metade foi ainda mais precária que a primeira, principalmente por parte do Benfica. Continuou com um jogo pobre, lento, sem conexão, sem nexo. Krovinovic, que sempre foi um construtor de jogo, tentava fazer isso mesmo, mas as peças não se encaixam neste Benfica de Rui Vitória. O Montalegre conseguiu bater-se com os encarnados, deixando tudo em aberto até ao final da partida.

Do jogo pouco mais há a dizer, devido à paupérrima qualidade dos encarnados que não permitiram fazer do jogo a “festa da Taça” que outras partidas proporcionaram – chuvas de golos nos embates dos outros grandes nesta fase da prova rainha, por exemplo. Porém, é de avultar o trabalho feito pelo Montalegre na partida, que jogou à sua maneira, frente-a-frente e a arriscar no método de jogo que aplicou frente ao Benfica, não se limitando a “estacionar o autocarro”. Grande trabalho de José Viage, dos seus jogadores e do clube transmontano, sendo eles os únicos a proporcionar momentos que valessem grande celebração da prova rainha.

Se o Montalegre tem mérito e orgulho naquilo que fez em campo, o Benfica tem de colocar a mão na consciência quanto à incrível falta de futebol que praticou esta noite.

O Benfica elimina o Montalegre inglório e passa para a fase seguinte, os quartos de final da Taça de Portugal.

Onze inicial do Montalegre: Guedes, Zacharia Ngom (Roberto Garcia, 83′), Vítor Pereira, Vítor Alves, David Carvalho, Márcio Ferrari, Lio, Bela Tavares, Gabi (Álvaro Branco, 70′), Prince Bonkat (Anderson Zangão, 62′) e Paulo Roberto

Onze inicial do Benfica: Svilar, Corchia, Conti, Jardel, Yuri Ribeiro, Alfa Semedo, Gabriel (Gedson, 81′), Krovinovic, João Félix, Zivkovic (Cervi, 72′) e Seferovic (Castillo, 90′)

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