Franco Emanuel Cervi chegou ao Benfica no verão de 2016, proveniente do CA Rosário Central, por uma verba a rondar os 5,70 milhões de euros.

A vida do internacional albiceleste ao longo destes quatro anos de águia ao peito tem sido uma autêntica montanha russa, repleta de altos e baixos, sendo que a única constante tem sido a atitude irrepreensível que demonstra sempre que entra em campo.

Primeiros passos

A época de estreia de Cervi no futebol europeu não podia ter corrido melhor: dono e senhor da ala esquerda das “águias”, o argentino conquistou a Supertaça, sagrou-se campeão nacional, venceu a Taça de Portugal e foi um dos protagonistas da campanha europeia dos encarnados, que terminou nos oitavos de final da UEFA Champions League, aos pés do Borussia Dortmund.

O argentino foi um dos principais obreiros do 36º campeonato do clube da Luz, sendo a parceria que fez com Alejandro Grimaldo uma das mais temidas no futebol português.

Apagão

No entanto, a época seguinte foi um retrocesso em relação à anterior. Apesar de ter começado a temporada com a conquista de mais uma Supertaça, a época viria a tornar-se numa autêntica desilusão, com os encarnados a somarem zero pontos na fase de grupos da Champions League e a perderem o campeonato para os eternos rivais do norte.

Aliado a este insucesso coletivo, Cervi foi perdendo influência no plano de jogo das “águias”. Apesar de ter obtido bons números individuais – apontou quatro golos e somou dez assistências -, as exibições não enchiam as exigências das bancadas da Luz, sendo que a época seguinte não se adivinhava fácil para o argentino.

De facto, a época 2018/19 confirmou o que já há algum tempo se adivinhava: Rafa Silva assumia a titularidade da ala esquerda encarnada, sendo que Cervi passava agora um período de maior dificuldade em afirmar-se como opção válida para o ataque. Porém, as coisas iriam mudar.

Cervi apontou o primeiro golo da noite frente ao FC Zenit, dando o mote para uma noite de gala dos encarnados
Fonte: SL Benfica

Novo fôlego

24 de outubro de 2019, o dia em que Franco Cervi ganhou um novo fôlego. Jogava-se o SL Benfica – Olympique Lyonnais, jogo da terceira jornada da fase de grupos da UEFA Champions League, quando Rafa Silva sofreu uma desinserção do tendão médio adutor à esquerda, lesão que afasta o português dos relvados até 2020.

Contudo, o azar de uns é a sorte de outros, e Cervi parece estar a atestar a vericidade desta velha máxima. O argentino tem aproveitado ao máximo a ausência de Rafa, protagonizando boas exibições – e até alguns golos – nas últimas partidas.

Cervi não tem a mesma capacidade técnica que Rafa, nem a mesma qualidade de passe, de decisão e, porventura, de finalização. Não obstante, compensa essas lacunas com uma capacidade de entrega e de sacrifício em prol do coletivo absolutamente notáveis. A sua entrada no onze veio estabilizar a equipa em termos defensivos, com o argentino a compensar as lacunas que são reconhecidas a Grimaldo nesse momento do jogo.

Apesar de não ser um jogador adorado por todos no universo encarnado, Franco Cervi tem justificado a aposta de Bruno Lage e, neste momento, voltou a ser um dos indiscutíveis na manobra das “águias”.

Foto de capa: SL Benfica

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