Os objetivos de uma equipa como o Benfica repetem-se de ano para ano, de época para época. Todas as épocas contam com os mesmos objetivos ambiciosos de vencer o total das competições em que está inserido e de chegar o mais longe possível nas competições europeias. Porém, como é óbvio, nem todos os anos esses objetivos se concretizam.

Enquanto esperamos pelas 12 badaladas para mastigar as passas e ver o fogo de artifício, vamos fazer uma comparação do Benfica na altura da passagem de ano de 2017 e na passagem de ano de 2018.

No final de 2017, o Benfica estava em terceiro lugar, com 37 pontos. O líder era o FC Porto, que estava a três pontos dos encarnados. Os pontos foram fruto de 11 vitórias, quatro empates e uma derrota – no Bessa, por duas bolas a uma. Tinha já enfrentado o FC Porto no Dragão, onde empatou num jogo sem golos. Na Luz, venceu o Braga por 3-1 logo na abertura na jornada e preparava-se para enfrentar o Sporting CP em casa, logo na abertura do ano.

Nas taças, já tinha sido eliminado da Taça de Portugal, nos oitavos de final, contra o Rio Ave, num jogo com prolongamento. Na Taça da Liga, caiu na fase de grupos ao não conseguir ultrapassar o vencedor do grupo, Vitória FC, na última jornada. Nos jogos anteriores tinha empatado com Braga e Portimonense.

No que toca às competições europeias, o Benfica já se tinha despedido há bastante tempo da Europa ao fazer a pior época de sempre na Liga dos Campeões – zero pontos, seis derrotas, catorze golos sofridos e apenas um golo marcado.

Havia, portanto, um cenário de Benfica ferido. Um Benfica que apenas lutava pelo campeonato que ambicionava vencer e pelo pentacampeonato, de forma a limpar a época miserável até à passagem de ano. No entanto, isso não aconteceu.

Este fim de ano temos um Benfica em mais frentes, mas ainda com pouco brio.

Está em terceiro lugar, com 32 pontos – menos cinco pontos que no ano anterior. Está a quatro pontos do líder FC Porto, que se desloca hoje à Vila das Aves, podendo alargar a vantagem. Estes pontos foram o reflexo de dez vitórias, dois empates e três derrotas – duas consecutivas contra o Belenenses SAD e Moreirense FC, e uma a abrir o ano frente ao Portimonense SC. Já enfrentou o Sporting na Luz, com empate a uma bola; FC Porto, no reduto encarnado, vencendo por uma bola a zero; e o Braga, também na Luz, ao golear os minhotos por 6-2.

O maior desejo de ano novo, aquele que se repete, é o Benfica campeão e o Marquês assim em maio
Fonte: SL Benfica

Quanto às taças, os encarnados mantêm-se na Taça de Portugal, tendo ultrapassado a custo o CDC Montalegre nos oitavos de final. Irá enfrentar o Vitória SC, em Guimarães, nos quartos de final da prova. Na Taça da Liga, garantiu acesso, também a custo, à ‘final four’ da competição, ao empatar contra o CD Aves na última jornada. Tinha já vencido Rio Ave e Paços de Ferreira.

Por fim, na Liga dos Campeões, houve uma melhoria – também pouco poderia piorar –, terminando em terceiro lugar com sete pontos, e sendo despromovido para a Liga Europa. Irá enfrentar o Galatasaray SK nos 16 avos de final da prova.

Temos um Benfica ainda em todas as competições e também inserido na Liga Europa. Desta forma, os encarnados podem tentar concretizar os pedidos de ano novo de vencer todas as competições caseiras e ambicionar uma vitória europeia. Contudo, as coisas não são assim tão fáceis, pois os encarnados estão com um futebol tão – ou mais – pobre do que aquele que praticavam há um ano.

O treinador é o mesmo, Rui Vitória, mas a contestação dos adeptos quanto à sua saída é maior do que no ano transato. O presidente também se mantém, mas os adeptos apelam ao despedimento do treinador – a resistência de Vieira neste ponto acaba mesmo por colocar a sua posição como presidente do clube em causa, pois muitos adeptos estão a perder a confiança e a paciência para com o atual presidente.

Em suma, o Benfica está melhor nas competições, mas parece que, mesmo estando nelas, é mais difícil vencê-las do que era no ano passado, devido à instabilidade exibicional dos encarnados. O treinador está na corda bamba e a perspetiva de um futuro longe de Rui Vitória ao leme do Benfica é mais pequena do que na última vez em que se ouviram as 12 badaladas.

Pede-se que o novo ano traga novo treinador, novo futebol, melhores exibições e uma maior perspetiva de futuro de sucesso.

Texto revisto por: Mariana Coelho

Foto de Capa: SL Benfica

Comentários