Consistência e complementaridade | Benfica

- Advertisement -
Benfica

Bruno Lage tem usado a palavra consistência para definir o segundo estágio da temporada do Benfica. Tornar mais repetidos e em maior duração os comportamentos que permitam estar perto da vitória é o grande objetivo que o técnico tem para o que resta de uma época que já passou o checkpoint da metade na Primeira Liga. Para tal, um dos segredos é a complementaridade.

A vitória impositiva e sem contestação diante do Famalicão (4-0) no jogo que iniciou a segunda volta em Portugal aumentou a sequência positiva das águias que vencem há quatro jogos e que, numa época vivida ao estilo montanha-russa, consistem um novo pico. É a consistência que o prolongará e a complementaridade que o explica.

Diante do Famalicão destacou-se, um patamar acima de todos os outros, Leandro Barreiro. O médio ainda não se tinha estreado a marcar pelo Benfica e decidiu fazê-lo em dose tripla, aproveitando o encaixe possibilitado por Bruno Lage que tem afastado cada vez mais o jogador da base das jogadas, adiantando-o no terreno.

Leandro Barreiro Benfica
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Mais que um médio de contenção e de ocupação de espaços, Leandro Barreiro é um médio de deslocamento. Nas conferências de imprensa, tem sido algo exagerada a forma como, quando questionado sobre qualquer outro jogador, Bruno Lage destaca o luxemburguês, mas a verdade é que foi o novo técnico do Benfica quem melhor o percebeu e enquadrou.

O meio-campo de Roger Schmidt, com Florentino Luís e Leandro Barreiro, não encaixava porque a junção entre ambos em zonas de criação é redutora. A primeira decisão de Bruno Lage foi desfazer este miolo e a segunda – depois do internacional luxemburguês recuperar de uma lesão – está a ser afastar definitivamente o reforço de verão do Benfica de posições mais baixas de campo.

Sem bola, pela energia e disponibilidade física, Leandro Barreiro torna-se importante no desenho da pressão a partir de posições mais avançadas, quer pressionando o central, quer condicionando a entrada da bola no médio. Com bola, o engenho do luxemburguês está na forma como compensa movimentos dos colegas, ataca o espaço com ruturas e rompe entre os defesas. Está claramente mais confortável nesta função – lembrando a forma como Diego Simeone chegou a enquadrar Marcos Llorente no Atlético Madrid – de médio de chegada e recuperador em terrenos altos.

Leandro Barreiro Benfica
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

É também um jogador como Leandro Barreiro que mais retirará rendimento de Vangelis Pavlidis. Está aqui a primeira complementaridade que Bruno Lage pode explorar. O avançado grego fez mais uma exibição demonstrativa das suas principais qualidades e defeitos. Cada jogo de Pavlidis aproxima-se cada vez mais da sua definição da passagem pelo Benfica.

Foram inúmeros os movimentos feitos pelo avançado grego, arrastando marcações e abrindo espaços para a entrada de Leandro Barreiro. Não é de estranhar que, na pré-temporada, e jogando numa dupla de ataque, Vangelis Pavlidis tenha saído tão valorizado. Jogando sozinho, sem um jogador próximo a ocupar zonas de finalização, os movimentos do avançado tornam-se inconsequentes na maioria das vezes. Com um colega mais próximo – como foi Leandro Barreiro – passam a traduzir-se em mais oportunidades de golo para o Benfica. Até por esta razão, é estranha a pouca utilização de Zeki Amdouni como segundo avançado. Leandro Barreiro pode ser a solução.

A segunda complementaridade encontrada por Bruno Lage joga-se à esquerda. Andreas Schjelderup entrou no onze e, além da capacidade individual que ofereceu à equipa, deu novos argumentos à asa esquerda do Benfica que se revitalizou. Traz novas dinâmicas à equipa dos encarnados e oferece outra segurança às posses de bola.

Andreas Schjelderup
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Controlar o jogo foi um dos próximos passos que Bruno Lage apontou como necessidade para o Benfica crescer. Juntando jogadores como Álvaro Carreras, Orkun Kokçu e Andreas Schjelderup, as águias redimensionaram o seu jogo a partir de um – maior – critério nas ações com bola. A vertigem constante que jogar com Kerem Akturkoglu trazia, pelas constantes acelerações e movimentos a pedir a bola no espaço, permitia aproximações à baliza quando esse espaço era criado, mas tornava o jogo mais partido e menos controlado.

Com Andreas Schjelderup a pedir a bola principalmente por dentro (os extremos e Leandro Barreiro sobrecarregaram o corredor central), Álvaro Carreras sobe e Orkun Kokçu ganha opções para o passe. Aliado ao posicionamento mais conservador dos dois jogadores, o turco ganhou outra dimensão nos últimos jogos pelo Benfica e é a terceira das complementaridades que pode ser explorada por Bruno Lage.

A derrota contra o Sporting no último jogo de 2024 expôs a nu as limitações de Florentino Luís como médio construtor. A derrota diante do Braga com que o Benfica arrancou 2025 revelou as dificuldades de Orkun Kokçu a jogar como 6, mais posicional, para ocupar o espaço e cortar transições. A solução encaixa os dois nas suas funções preferenciais.

Orkun Kokçu
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Com bola, Orkun Kokçu desce sobre a esquerda, jogando ao lado dos centrais e vendo o jogo de frente, organizando o jogo do Benfica e permitindo a Álvaro Carreras projetar-se no corredor. A forma como as águias pausam mais o jogo, também permite ao desequilibrador turco assumir outra segurança nos passes. Abriu o livro frente ao Famalicão, na tal função de primeiro médio no início da construção e de jogador dentro do bloco quando o Benfica se aproxima da área.

Florentino Luís, com menos responsabilidades na construção, continua a equilibrar a equipa sem bola. Diante do Famalicão, esteve muitas vezes sem um marcador próximo, focando-se essencialmente na cobertura do espaço. Também o médio, principalmente nos jogos grandes, sai valorizado com este novo enquadramento.

Depois de colocar os jogadores nos sítios certos, Bruno Lage procura agora o melhor equilíbrio e conjugação de perfis. Ainda há jogadores aos quais urge dar minutos – Benjamín Rollheiser e Gianluca Prestianni podem ser novos Andreas Schjelderup – e a enquadrar, mas o caminho da valorização do plantel está a ser consolidado. Se consistência é a palavra-chave, complementaridade é a ajudante.

Bruno Lage Benfica
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

BnR na Conferência de Imprensa

Bola na Rede: Depois de um início em que o Famalicão procurou uma ou outra saída mais direta, assentou como normal o jogo numa saída mais apoiada desde trás, mas sem grandes chances de golo criadas. Taticamente, quais as maiores dificuldades nesta noite?

Hugo Oliveira: A forma como explicou no início diz o que aconteceu. O plano não era sair direto, era sair ligado, encontrar o espaço e ser agressivo a atacar esse momento. Como o jogo defensivo, no início, criou constrangimentos e dúvidas em quem saltava à largura para prevenir as triangulações do Benfica, deu-nos depois dúvidas para o momento ofensivo em que tentámos ligar de forma mais direta, que não era a nossa forma de estar. Era atrair o adversário, encontrar espaços e aí ser objetivos. Penso que só depois de sofrer o segundo golo é que começámos a assentar no nosso jogo e, mesmo assim, quando começámos a assentar o nosso jogo quando chegamos próximos da área adversária temos de finalizar as ações. Temos de criar dúvida ao adversário e chegar ao golo de forma objetiva e não só manter a posse para não correr risco de levar com o adversário em ataque. Foi essa dúvida e receio que nos tirou a forma de estar. Temos rapidamente de tirar ilações disso e apontar para o próximo jogo.

Bruno Lage: Infelizmente, não nos foi concedida a possibilidade de fazer uma pergunta ao treinador do Benfica.

Diogo Ribeiro
Diogo Ribeirohttp://www.bolanarede.pt
O Diogo tem formação em Ciências da Comunicação, Jornalismo e 4-4-2 losango. Acredita que nem tudo gira à volta do futebol, mas que o mundo fica muito mais bonito quando a bola começa a girar.

Subscreve!

Artigos Populares

Adversário de Portugal à vista: Onde ver o playoff decisivo entre RD Congo e Jamaica de acesso ao Mundial 2026?

O Grupo K do Mundial 2026, composto por Portugal, Colômbia e Uzbequistão, conhecerá o último membro no playoff marcado para as 22h do dia 31 de março.

Jermain Defoe inicia carreira de treinador no Woking

Antigo avançado do Tottenham, Jermaine Defoe foi anunciado como novo treinador do Woking, da National League, e já tem estreia marcada frente ao Eastleigh.

Basquetebol: Benfica derrota Ovarense e mantém-se no topo da tabela

O Benfica manteve a liderança da Liga de Basquetebol com uma vitória sobre o Ovarense por 89-70, na 18.ª jornada da fase regular.

Antigo jogador do Sporting pode renovar com o Estrela da Amadora

Renan Ribeiro pode continuar no Estrela da Amadora. O brasileiro chegou à Reboleira no começo da temporada.

PUB

Mais Artigos Populares

Barcelona volta a dominar o Real Madrid e reforça liderança da La Liga Feminina

Na 27.ª jornada da La Liga Feminina, o Barcelona venceu mais um 'El Clásico' frente ao Real Madrid, por três bolas a zero.

David Beckham elogia Michael Carrick e apoia continuidade no Manchester United: «Exatamente o que esperávamos»

David Beckham reforçou os elogios a Michael Carrick. A antiga estrela dos red devils destacou a capacidade do treinador em unir a equipa como um dos principais motivos para merecer o cargo a longo prazo.

Colômbia de Luis Suárez e Richard Ríos derrotada pela França em preparação para o Mundial 2026

Luis Suárez e Richard Ríos foram titulares no desaire da Colombia diante da França por 3-1, no segundo jogo de preparação para o Mundial 2026.