Em menos de dois anos, o SL Benfica defrontou o FC Bayern de Munique em quatro ocasiões a contar para a Liga dos Campeões. Foram quatro partidas cuja vitória não recaiu sobre o Benfica, apenas tendo empatado uma vez. Um histórico recente bastante negativo, mesmo notando que o Bayern tem maior poderio financeiro e um plantel recheado de estrelas mundiais.

No entanto, foi nos quartos-de-final de 2016 que o Benfica encontrou um Bayern mais forte do que o atual (pelo menos em melhor forma do que a da presente época) e, mesmo assim, fez melhor figura. O Benfica, para chegar aos quartos, bateu o FC Zenit de São Petersburgo nos oitavos-de-final, e, quando o Bayern saiu na lotaria, os adeptos tremeram. Os benfiquistas sabiam que os alemães detinham um dos melhores plantéis a nível mundial, com craques de renome que fazem a diferença em todas as partidas, como Manuel Neuer, Robert Lewandowski, Arturo Vidal, entre outros. O Benfica estava numa época em que tinha acabado de mudar de treinador; já tinha perdido jogos contra rivais, mas mantinha-se em primeiro lugar (a poucos pontos do segundo lugar ocupado pelo Sporting CP); e precisava de conjugar os jogos na Europa com os do campeonato. Foi uma fase tensa na época 2015/2016, mas o Benfica foi jogar frente ao Bayern e, apesar de ter sido eliminado, saiu com bastante dignidade. A primeira mão jogou-se no dia 5 de abril de 2016, quando fomos a Munique perder por uma bola a zero, tendo esse golo sido apontado por Arturo Vidal em apenas dois minutos de jogo. Embora os Bávaros detivessem maior parte da bola (64% de posse de bola), apenas remataram mais cinco vezes que o Benfica, realçando o bom jogo defensivo das “Águias” nessa partida. Guardiola elogiou o Benfica (e o guarda-redes que mais tarde veio buscar para o seu Manchester City FC, Ederson Moraes), particularmente quanto ao seu jogo defensivo, deixando a eliminatória em aberto.

“Round two” em Lisboa. A confiança estava em alta, tanto dos adeptos como dos jogadores: todos queríamos conquistar o feito de ultrapassar os tubarões alemães (na altura, tricampeões da Alemanha) do Bayern de Munique e chegar às meias-finais. Jogávamos em casa e queríamos lutar. Até começámos a ganhar, mas o jogo terminou empatado a duas bolas. Com a diferença de apenas um golo (a pior vantagem nas eliminatórias dos quartos-de-final do Bayern em cinco épocas) e com duas partidas bastante equilibradas, o Benfica saía de cabeça erguida e com motivação para se focar na conquista do tricampeonato.

De facto, o Benfica tinha feito boa figura frente a um dos candidatos a vencer a Liga dos Campeões de 2015/2016, mas isto não se veio a repetir este ano.

Diante dos olhares europeus, o Benfica fez boa figura. Foram as boas exibições que provavelmente incentivaram a compra, por parte dos Bávaros, de Renato Sanches
Fonte: SL Benfica

Dois anos depois, o Benfica tem o mesmo treinador, mas a tática mudou e jogamos agora de acordo com a visão de Rui Vitória. Do 4x4x2 de Jorge Jesus passámos para um 4x3x3 de Rui Vitória, o que teve grande impacto nas exibições encarnadas. O facto de não termos um treinador que implemente uma tática digna de estar ao nível de um Benfica que se quer afirmar na Europa, nem com qualquer visão de jogo ou estudo de adversários, teve um peso muito grande na performance europeia. Na temporada passada foi o que foi. Nem para a Liga Europa fomos qualificados depois da fase de grupos, tendo adversários teoricamente inferiores ao Benfica, e as exibições ficaram aquém do que aquilo que os adeptos admitem. Já este ano calhou o Bayern de Munique novamente, desta vez ainda na fase de grupos. Para mim, o plantel é relativamente inferior ao de há dois anos atrás, notando-se ainda a falta de capacidade de Rui Vitória para treinar um clube como o Benfica. Os reforços em nada vieram ajudar a qualidade exibicional das “Águias”, e a tática do treinador é praticamente não-existente. A defesa tem sido um autêntico desastre; o jogo ofensivo não tem a mesma eficácia de há dois anos; os jogadores estão com grande falta de confiança.

Perdemos em casa por duas bolas a zero e fomos humilhados na última terça-feira por cinco bolas a uma. Não só a diferença de golos pesa, como as duas exibições vergonhosas frente a um adversário que está em baixíssima forma no campeonato alemão e com alguma parte dos jogadores lesionados. O Benfica teve mais uma prestação embaraçosa nesta Liga dos Campeões… só resta tentar redimirmo-nos na Liga Europa.

Texto revisto por: Mariana Coelho

Foto de Capa: SL Benfica

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