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O Benfica apresentou-se hoje em Vila do Conde com apenas uma alteração na formação que jogou contra o Anderlecht na passada jornada europeia: entrou Rodrigo e saiu Markovic. As alterações na frente não negam a dependência que ainda existe em relação a Cardozo e a dificuldade que tem existido para criar uma alternativa colectiva eficaz quando o paraguaio não joga. O golo de Rodrigo em Bruxelas não lhe conferiu automaticamente uma boa forma física e Lima tem estado a léguas daquilo a que nos tem habituado. Considerando que o meio-campo do Benfica é, nesta altura, o melhor do campeonato, e que “lá atrás”, fora o fantasma das bolas paradas, está quase tudo bem, serviu hoje o jogo no Estádio dos Arcos para reconsiderar a avaliação que fiz de Lima e Rodrigo? Talvez não.

Às 17h45 de hoje, Bruno Paixão apitou o início do 11º encontro do campeonato para o Benfica e para o Rio Ave. Olhando para os 90 minutos, podemos falar de um jogo bastante disputado a meio-campo, com muito contacto físico, alguns duelos individuais e vários cartões mostrados. Com dinâmicas de jogo distintas ao longo do encontro, ambas as equipas se anularam bastante bem na primeira metade do jogo – a oferta do jovem Ederson ao minuto 38 não invalida este facto. Um futebol pouco atractivo neste primeiro capítulo foi o que tivemos.

Com uma vantagem magra, o Benfica não soube entrar para a segunda parte com mais agressividade, jogando na expectativa e claramente a achar que defendia um resultado bem mais dilatado do que era na verdade. Ukra, pertinente e oportuno, igualou o marcador depois de um corte menos feliz de André Almeida. O golo do Rio Ave surge, à semelhança do que aconteceu com o primeiro golo do Benfica, numa fase em que o jogo se desenrolava a um ritmo baixo e desinteressante.

Um livre executado na perfeição por Lima voltou a colocar as águias na frente. Felizmente aqui o Benfica pareceu ter aprendido a lição e não voltou a incorrer no mesmo erro. A equipa soube encarar a vantagem com outra atitude e a entrada de Markovic veio trazer velocidade ao jogo e um risco acrescido à defesa do Rio Ave, que aos poucos foi cedendo e foi perdendo a coesão inicial. O Benfica acaba com o jogo ao minuto 78, quando Lima bisa, após assistência de Rodrigo. Por esta altura com dez jogadores, de nada valeram as substituições a Nuno Espírito Santo, que dificilmente mudaria o rumo do jogo, como se comprovou.

O Benfica festeja a subida ao primeiro lugar Fonte: Publico.pt
O Benfica festeja a subida ao primeiro lugar
Fonte: Público
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O Benfica sai de Vila do Conde com os tão importantes três pontos e passa para o topo da tabela. À hora a que escrevo este artigo não sei ainda o resultado final do Sporting x Paços de Ferreira, que agora decorre, mas este degrau mostra-se decisivo por colocar o Benfica no primeiro lugar da tabela classificativa (sejam descontados os critérios de desempate em caso de vitória do Sporting, que, a 19 jogos do fim do campeonato, pouco ou nada representam).

Concluindo esta abordagem ao jogo, quero referir que, se, por um lado, acho sempre que uma dupla de avançados abre muitas mais possibilidades de ataque do que um solitário ponta-de-lança, por outro não posso para já assentir que seja esta dupla Rodrigo-Lima a solução perfeita. São dois jogadores de que gosto bastante individualmente e que considero merecerem vestir a camisola do Benfica, mas o futebol entre os dois espera ainda por um “click”, que eu espero que se dê.

Como nota final, quero deixar um bom apontamento à exibição de Fejsa. Sempre competente, mostrou-se fulcral no processo defensivo da equipa e inteligente no desarme e na eminência da falta. Quanto a Enzo e Matic, mais do mesmo, muito boa prestação.

Ontem o João Pedro Oca escreveu aqui que a possível vitória hoje poderia representar “o início de um caminho glorioso para a equipa”. Colega, espero de facto que assim seja e que o primeiro lugar não mais nos fuja. Seja este o trigésimo terceiro.

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