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Depois do humilhante final da temporada passada, todo o mundo benfiquista parecia desmoronar-se aos nossos olhos. Se o Ke… Kelv… Kelvin e o Ivanovic aceitámos como azar, o Jamor foi a estocada final nas piores duas semanas de benfiquismo de que tenho memória (provavelmente, em 2040 irei repetir estas palavras). Tínhamos batido no fundo, da forma mais sádica possível. Se as duas primeiras perdoei a Jorge Jesus – o azar faz parte –, a terceira nem pensar. Parecia de propósito. Jorge Jesus tinha de ter saído no próprio dia dessa mesma final, tal foi o insulto aos valores do clube.

Veio o verão e, com ele, a marginalização de Cardozo e mais uma renovação milionária para Jorge. Chegaram reforços de inegável qualidade e nenhum jogador foi vendido, porque esticar o buraco financeiro até ao máximo é o caminho a seguir pela dupla de derrotados Vieira-Jorge. Depois de uma pré-época aos trambolhões e a dar sinais evidentes do distanciamento entre o plantel e o treinador, a época começou de uma forma catastrófica. Perdi a conta às vezes em que Jorge foi salvo no limite. Ah, no meio disto tudo, o Cardozo foi reintegrado, para bem do Benfica. Ironia do destino, quantos golos de Cardozo nesta temporada foram fundamentais para Jorge ainda cá estar hoje? É um dos méritos que consigo dar a este treinador: a bem ou a mal, jogando melhor ou pior, com ou sem nota artística, consegue superar as fases menos boas e disfarçar aquilo que está à vista de todos. Mas o sonho demagogo de chegar à final da Liga dos Campeões na Luz trocou-lhe as voltas. A ele e a Vieira, que teve de despachar Matic a preço de saldo. Já não bastava termos ficado atrás dos poderosos Lyon e Celtic, juntou-se o Olympiacos à lista. Tentemos esquecer mais esta mancha no nome do Benfica, acompanhada de discursos – que já abordei anteriormente – dignos de um clube sem ambição e cultura de vitória.

Cardozo acredita...e os restantes? Fonte: gianlucadimarzio.com
Cardozo acredita…e os restantes?
Fonte: gianlucadimarzio.com

Esquecendo a triste prestação europeia, a verdade é que, a nível interno, estamos muito bem. Aproveitando um Porto completamente apático (à sexta jornada, tinha cinco pontos de avanço!), ninguém ousava sonhar estar em primeiro lugar no final da primeira volta. A triste partida de Eusébio uniu-nos em redor de uma vitória que pode ter sido fundamental para o virar de página definitivo e afastar os traumas que 2012/13 nos deixaram. O jogo que se aproxima frente ao Sporting poderá ajudar a definir os contornos que esta época terá e a perceber como se adapta a equipa à ausência de Matic. Peço a Jorge que se deixe de goleadas loucas e de nota artística. Só queremos ganhar, pouco importa como. Bem sei que este “só” é muito grande, por aquilo que tem mostrado ao longo destes quase cinco anos. Gostava de acreditar que, depois da tempestade, virá a merecida bonança. Mas também dizem que não há duas sem três. Ou que à terceira é de vez…

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