Há uns tempos escrevi sobre João Félix. O rapaz-maravilha do Seixal que anda a saltitar entre o escalão de Juniores e a equipa B do Sport Lisboa e Benfica e por lá – pelos dois escalões – deixa marca. Uma marca que mexe com o resultado, pois este rapaz é um goleador.

Notícias mais recentes vieram dar conta do interesse de vários tubarões europeus no jovem português. Não somos só nós que andamos a ver o seu espetáculo em campo, toda a Europa, na verdade, aparenta estar de olhos bem abertos à espreita a admirar a evolução do rapaz de 18 anos.

Todo este interesse estrangeiro no talento de João Félix, deixa uma dor no coração dos benfiquistas, vendo com tristeza uma possível transferência milionária associada ao nome do camisola 79 da equipa B encarnada. Ao contrário do que seria normal, pois ver os nomes dos atletas das águias depois de um valor berrante de milhões a serem pagos pelos seus serviços deveria ser motivo de orgulho. E é. Mas não com a rapaziada.

Sempre que se vê sair um jovem talento do Seixal, vem à memória a saudade que Bernardo Silva deixou, sem sequer fazer mais que um jogo completo pela equipa principal e que agora faz o deleite aos citizens – adeptos do Manchester City, clube onde Bernardo atua desde 2017. Sendo João Félix tamanho diamante, é com grande contrariedade que se vê uma possível saída do português para outros mares que não os da grande praia lusitana (vestido de vermelho e branco, obviamente).

A política encarnada desde que Rui Vitória assumiu a posição de timoneiro do Benfica, tem dado maior destaque à formação do que antes acontecera – João Carvalho, Diogo Gonçalves, Renato Sanches, Rúben Dias, Bruno Varela, Keaton Parks, Nélson Semedo, André Horta, Gonçalo Guedes, Victor Andrade, Nuno Santos, João Teixeira, Lindelöf são alguns dos nomes de jogadores que jogaram pela equipa principal pelas mãos de Rui Vitória -, mostrando os nomes jovens que podem brilhar de águia ao peito. O que é pena, é que raramente o fazem, pelo menos por muito tempo.

João Félix estreou-se pela seleção nacional sub-21 aos 17 anos Fonte: SL Benfica

A saída do Benfica é precoce, aliciada por muitos milhões e contratos que o clube português não consegue suportar, e alguns dos jogadores perdem o hype que tinham na Primeira Liga Portuguesa, outros não, mas quem perde, indubitavelmente, é o Benfica.

Portugal é uma rampa de lançamento de qualidade, onde vários grandes clubes europeus vêm recrutar as suas futuras estrelas, deixando por cá vários milhões de euros. No entanto, deixam as equipas portuguesas mais debilitadas, ao perder os seus talismãs titulares, e, por sua vez, menos competitivas. Vejam só o desequilíbrio que persistiu ao longo do início da presente temporada nos encarnados. O desastre europeu que não teve precedentes, foi provocado pela débil situação de ver sair elementos nucleares do onze inicial, sem ter jogadores prontos a substituí-los. Que a situação melhorou, também se consegue observar, pois as soluções foram-se criando, não estavam prontas antes de as vagas surgirem.

Uma equipa com uma política destas, dificilmente conseguirá “ser um grande da europa novamente com estes jovens”, se os deixa sair!

“O Benfica tem a obrigação de reter os seus jovens e não os deixar sair até ter a alegria de ter conquistado um titulo nacional com jovens nossos”, diz o presidente do Benfica. Será por isso que Umbáro Embaló esteve a uma unha negra de sair do clube este inverno? E quanto a João Félix, deixará sair o sucessor de Jonas?

Lembrando a conquista europeia do rival FC Porto em 2005, nada daquilo teria acontecido se o clube tivesse deixado sair os seus jogadores. Não o fez, manteve-se competitivo e ganhou. Se existe tanta qualidade por cá, se a sua manutenção na equipa nos poderá levar a horizontes mais ambiciosos, porquê mandá-los para longe, se onde são mais precisos é por aqui?

Sonho com a conquista da Liga dos Campeões. Quem sabe se João Félix não marcará o golo decisivo na final? Se ele sair, nunca o fará. Deixem-no tentar e deixem-nos a nós sonhar e viver o sonho!

Foto de Capa: SL Benfica

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Desde pequeno que o Benfica faz parte da vida do Pedro Estorninho. Avô e pai benfiquistas deixaram-lhe no sangue a chama das águias. A viver nos Açores nunca teve muitas oportunidades de ver o clube ao vivo, mas os estudos trouxeram-no à capital, onde pode assistir de perto aos jogos do tricampeão. A paixão pela escrita sempre foi algo dentro dele que nunca conseguiu mostrar e surge agora a oportunidade de juntar o melhor dos dois mundos.                                                                                                                                                 O Pedro escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.