Do relvado para o escritório – Entrevista Diogo Luís

- Advertisement -

«Lembro-me da estreia no estádio da Luz e de um momento (logo no inicío do jogo) em que apareço na cara do Quim (ex Internacional A) e por pouco não fiz o golo. Teria sido fantástico, porque tinha juntado uma boa exibição a um golo.»

BnR: Os jovens de hoje em dia são lançados cada vez mais cedo, com 18, 19 e 20 anos. Terá algum jogador maturidade, em termos futebolísticos e até pessoais, para entrar em campo e entender os diferentes momentos do jogo? 

DL: Depende dos jogadores e das suas personalidades. O mais importante é o jogador ter muita confiança em si mesmo, sem se deixar influenciar pelo que se passa à sua volta. Existem formas de melhorar a auto-estima, o foco, a concentração e a preparação para a oportunidade que acabará por surgir. Os clubes, sabendo que têm um jogador com enorme potencial, têm de retirar o melhor rendimento desportivo e isso passa por fazerem com que, psicologicamente, esteja nas suas melhores condições e consiga gerir todas as situações que vão acabar por acontecer.

BnR: Acabou a carreira aos 28 anos. É mais difícil hoje um jogador se manter ao mais alto nível em relação à época em que jogava? 

DL: São alturas diferentes, não posso efectuar essa comparação. O futebol é efémero, passa muito rápido. Existem muitos factores que podem influenciar a carreira de um jogador. Mas um jogador só consegue controlar um desses factores, que é o seu rendimento. Para alguém se manter ao mais alto nível em alta competição, tem de trabalhar nos limites, ser profissional, ter a humildade para estar sempre a aprender e respeitar todos os intervenientes no jogo. E estes critérios tanto se aplicam hoje, como no meu tempo.

«Não acredito que o problema esteja especificamente na defesa, mas sim no processo (ou ausência dele) defensivo da equipa como um todo.»

O SL Benfica marcou a carreira de Diogo Luís Fonte: SL Benfica
O SL Benfica marcou a carreira de Diogo Luís
Fonte: SL Benfica

BnR: O caso de Bruno Varela, no jogo contra o Boavista, demonstra a fragilidade de lançar jovens jogadores. Deveria Rui Vitória manter a aposta no guardião? 

DL: A questão não tem que ver com ser jovem, porque tanto falha o Bruno Varela como o Júlio César ou o Rui Patrício. O fundamental é a qualidade. Ou tem qualidade ou não tem. A situação ganha ainda mais relevo porque o ano passado na baliza estava Ederson. Rui Vitória deveria ter definido quem iria ser o seu titular, a partir do momento em que Júlio César recuperou, se iria ser ele a primeira opção, Rui Vitória deveria ter, desde logo, substituído Bruno Varela. Neste caso, Varela continuou a titular. A situação só se alterou no momento em que Bruno Varela cometeu um erro e esse foi aproveitado para colocar Júlio César como titular. Não me parece que tenha sido a melhor forma de gerir a situação. Claro que analisar tudo de fora, torna as coisas mais fáceis.

BnR: A defesa, que era a posição onde jogava, é atualmente um dos pontos fracos do Benfica. Estará a solução para esses problemas na formação?

DL: Esta é uma questão difícil. Não tenho conhecimento profundo da formação para poder responder de uma forma concreta. O que me parece é que se está a individualizar o erro e não a olhar para a questão de uma forma coletiva. Apesar das opções para a defesa e baliza não terem a mesma qualidade que no último ano, o Benfica continua a ter melhores jogadores que muitos dos adversários que tem defrontado. O grande problema está na forma como o Benfica (não) defende coletivamente. Existe demasiado espaço entre sectores. Jogar com dois homens no centro do meio campo exige que outros jogadores tenham tarefas que ajudem a equipa a equilibrar-se e a tornar-se compacta. Esses jogadores são os alas, que têm de efectuar um trabalho tático de grande sacrifício e que, nesta fase, não o estão a fazer. Os dois homens mais avançados também têm um papel fundamental, na forma como têm de limitar a saída de bola dos adversários, como têm de reagir à perda de bola. Não acredito que o problema esteja especificamente na defesa, mas sim no processo (ou ausência dele) defensivo da equipa como um todo. Existem comportamentos que têm de se adquirir e que se a equipa o fizer, naturalmente o Benfica irá ficar mais forte.

BnR: A questão que suscita dúvidas entre os adeptos encarnados é a do capitão Luisão e da sua titularidade garantida. Nesta fase da carreira a disponibilidade física não é a mesma. É altura de dar lugar aos mais jovens ou, pelo que já deu ao clube e pela experiência que tem, deve continuar a merecer a confiança de Rui Vitória e de Luís Filipe Vieira? 

DL: Essa é uma falsa questão. O Luisão nunca foi um jogador rápido, mas tem comportamentos e características que podem ser uma mais valia para a equipa. Tem experiência, capacidade posicional, sabe comandar a defesa. Quando digo que isto é uma falsa questão é porque olho, por exemplo, para a Juventus e um dos titulares da defesa é o “jovem” Barzagli, que tem 36 anos. Ao seu lado joga o também “jovem” Chiellini que tem 33 anos. Alguém diz que Barzagli não devia jogar? A questão é que a Juventus joga como uma equipa, compacta, com os sectores interligados, não permite espaço aos adversários. Estes dois jogadores na Juventus até são uma mais valia para a equipa apesar da idade.

Rafael Raimundo
Rafael Raimundohttp://www.bolanarede.pt
Desde pequeno que passa as tardes de sábado a ver tudo o que seja desporto. Adora o seu clube, mas tem enorme facilidade em reconhecer quando algo não está bem. Sempre disposto a ouvir novas opiniões, desde que bem fundamentadas, e a debatê-las quando necessário.                                                                                                                                                 O Rafael não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Subscreve!

Artigos Populares

Amar Dedic desiludido com o empate da Bósnia na sua estreia no Mundial: «Chateou-me um bocadinho»

Amar Dedic estreou-se no Mundial pela Bósnia com um empate a uma bola frente ao Canadá. Defesa-lateral do Benfica queixou-se do número de paragens.

São Bernardo contrata treinador português para a disputa da Taça Paulista

O São Bernardo oficializou a contratação do treinador português Rui Sacramento para liderar a equipa na Taça Paulista 2026.

Eis as declarações dos 4 candidatos às eleições do Vitória SC

Os quatro candidatos às eleições do Vitória SC exerceram o seu direito de voto e prestaram declarações aos jornalistas.

Bradley Barcola pede para sair do PSG: Extremo francês já negoceia com dois gigantes da Premier League

Bradley Barcola informou o PSG que pretende abandonar o clube neste mercado de verão. Representantes do extremo francês já negoceiam com vários clubes.

PUB

Mais Artigos Populares

Borneo Samarinda anuncia contratação de treinador português para a próxima temporada

O Borneo Samarinda oficializou a contratação do treinador português Mauro Jerónimo para a temporada 2026/2027.

Martin O’Neill renova com o Celtic por mais uma época

Martin O'Neill, de 74 anos, continua no comando dos campeões escoceses, após uma época atribulada para o Celtic que terminou com o título.

Antigo internacional brasileiro estreia-se como treinador principal na Liga 3

Sandro Raniere foi anunciado como novo treinador do São João de Ver e prepara-se para viver a primeira experiência como técnico principal.