Do relvado para o escritório – Entrevista Diogo Luís

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«O seu posicionamento e forma de pressionar, “empurram” os jogadores que estão à sua volta.»

Diogo Luís representou o SC Beira-Mar Fonte: SC Beira-Mar
Diogo Luís representou o SC Beira-Mar
Fonte: SC Beira-Mar

BnR: Desde que Fejsa se lesionou o rendimento da equipa baixou, a nível da qualidade de jogo bem como em termos de resultados. O que é que falta a Filipe Augusto e a Samaris para conseguirem estar no mesmo patamar do sérvio? 

DL: Fejsa é um jogador especial. Tem uma leitura de jogo muito elevada. Consegue antecipar as jogadas. Consegue asfixiar os adversários, quando estes estão a pensar o que vão fazer com a bola. O seu posicionamento e forma de pressionar “empurram” os jogadores que estão à sua volta. O Fejsa melhora muito a equipa, mas sozinho não faz milagres. E a influência de Fejsa é menor quando os adversários do Benfica têm mais qualidade, como na Liga dos Campeões.

BnR: Pizzi é, neste momento, o motor da equipa. Grande parte do jogo passa pela sua visão de jogo e pela intensidade que insere nas partidas. A equipa não dependerá demasiado do seu momento de forma?

DL: O Pizzi tem sido fundamental. Assim como o Jonas. São jogadores diferentes com grande capacidade técnica e visão de jogo. Depois também são frios quando estão à frente da baliza. Quando estes dois faltam em simultâneo, ou estão uns pontos abaixo, a equipa ressente-se muito. Esta tem sido uma das lacunas do plantel do Benfica, a ausência de soluções que mantenham a mesma qualidade para as posições do meio campo. Não é só deste ano. O ano passado o Benfica teve o mesmo problema.

BnR: Caso Pizzi não jogue, quem acha que será o jogador capaz de assumir o seu papel? 

DL: Gosto do Krovinovic. Tem muita qualidade. Tenho curiosidade para ver a sua evolução e capacidade de adaptação a uma nova realidade e a um sistema diferente.

BnR: De que forma pode Rui Vitória inverter esta má fase da equipa? 

DL: A equipa tem de ser mais compacta, mais junta. Parece-me que também falta intensidade ao jogo do Benfica. Para uma equipa que tem de assumir sempre o jogo é importante haver intensidade e agressividade, tanto a nível defensivo como ofensivo.

A defesa do SL Benfica tem sido alvo de críticas Fonte: SL Benfica
A defesa do SL Benfica tem sido alvo de críticas
Fonte: SL Benfica

BnR: É certo que o campeonato ainda vai no início. Conseguirá o Benfica dar a volta e conquistar o tão desejado pentacampeonato? 

DL: No futebol, tão depressa se está em euforia como em depressão. Em termos internos, o Benfica tem qualidade suficiente para lutar pelos seus objetivos. Mas nada se consegue sem trabalho coletivo.

«Ele entrou para jogar dois minutos. Fez dois piques e o jogo terminou. Chegou ao balneário e estava sem ar, tiveram de lhe dar oxigénio.»

BnR: Enquanto jogador teve alguma história curiosa que nos possa revelar?

DL: Uma história mais caricata e que relata um pouco o estado do futebol português passou-se no Estoril. Na altura em que o clube passava por dificuldades, iam aparecendo possíveis investidores que iriam salvar o clube. Um dia apareceu num treino um jogador que, teoricamente, era filho de um dos investidores que iria salvar o clube. Esse jogador não tinha qualidade para jogar num clube como o Estoril, nem da terceira divisão, mas como as pessoas que lideravam o Estoril entendiam que o pai daquele rapaz seria o salvador do Estoril, decidiram inscrevê-lo no campeonato. A realidade é que, num jogo frente ao Marco de Canaveses, foi convocado. E a cinco minutos do fim estávamos a ganhar por 5-2. Foi a altura para o treinador o colocar em campo. Ele entrou para jogar dois minutos. Fez dois piques e o jogo terminou. Chegou ao balneário e estava sem ar, tiveram de lhe dar oxigénio. Esta história é incrível, porque uma estrutura (teoricamente) profissional, não pode permitir que isto aconteça. O mais caricato é que este rapaz depois deixou de ir aos treinos e o suposto investidor nunca apareceu.

Foto de Capa: SL Benfica

Artigo revisto por: Beatriz Silva

Rafael Raimundo
Rafael Raimundohttp://www.bolanarede.pt
Desde pequeno que passa as tardes de sábado a ver tudo o que seja desporto. Adora o seu clube, mas tem enorme facilidade em reconhecer quando algo não está bem. Sempre disposto a ouvir novas opiniões, desde que bem fundamentadas, e a debatê-las quando necessário.                                                                                                                                                 O Rafael não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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