Ljubomir Fejsa estará próximo de regressar aos relvados após ter sido substituido ao intervalo no encontro disputado em Guimarães a contar para a Taça de Portugal, no passado dia 15 de Janeiro. Faz já um mês desde que o sérvio ficou afastado devido a (mais) uma limitação física, que o impediu de dar o seu contributo nesta nova vida do Sport Lisboa e Benfica com Bruno Lage à frente da equipa.

Falando por mim, posso dizer que sou um admirador confesso de Fejsa. Desde que Nemanja Matic saiu para Inglaterra que ele tem sido dono e senhor da posição (salvo quando está lesionado, o que até acontece com alguma regularidade), portanto é quase impossível não haver algum tipo de empatia com o número 5. Juntando o facto de já cá estar há umas boas temporadas com a satisfação notória que vemos em Fejsa por representar o SL Benfica, facilmente o poderemos considerar um jogador actualmente influente no balneário.

Como referi, Fejsa é um jogador muito propenso a lesões. Desde que chegou que assim o vem mostrando, fazendo com que muitas vezes os próprios adeptos “rezassem” antes de jogos importantes para que o médio-defensivo não tivesse alguma indisponibilidade física no jogo anterior ou durante a semana de antevisão. De facto, trata-se mesmo de um jogador de “cristal” que pode quebrar a qualquer momento e que, por isso, inspira a alguns cuidados na sua utilização. Ora, mais uma vez Fejsa lesionou-se e já fez um mês sem que Bruno Lage pudesse contar com os seus serviços. Isto levou a que o actual treinador do SL Benfica lançasse Samaris (que até estava na porta de partida) e, mais recentemente, o jovem Florentino Luís.

Poderá ser cada vez mais difícil para Fejsa voltar a ser uma opção regular no 11 inicial de Bruno Lage
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Mas e quando recuperar? Olhando para o papel dos médios no modelo de Bruno Lage, será que podemos afirmar que Fejsa se conseguirá fixar e continuar a ter a influência que tinha anteriormente? Uma coisa é certa: na leitura defensiva, na questão do posicionamento e na identificação das zonas de pressão no momento de transição defensiva não existe melhor no SL Benfica do que o sérvio. No momento defensivo nem Samaris, nem Florentino, superam o camisola 5. Aliás, entre o português e o grego é claramente o primeiro que mais se aproxima de Fejsa no que toca à qualidade no momento defensivo. E quase de certeza que até atingirá o seu nível, mas nesta altura ainda não.

O ponto fulcral que quero abordar é que o papel dos médios no modelo de Lage vai muito para lá da situação defensiva. Neste claro duplo-pivô trazido pelo treinador setubalense é certo que um médio é mais dado ao equilíbrio e o outro à construção, no entanto, ambos têm de ser bastante competentes com bola. Aqui, parece-me que Fejsa é, dos três jogadores já referidos que podem ocupar a vaga de médio posicional e de equilibrio, aquele que mais fica a perder na capacidade de passe de risco e entre linhas, no momento de retirar a equipa das zonas de pressão e quando se inicia o processo de transição ofensiva após a recuperação.

Tal como aconteceu com Samaris, também Fejsa poderá aperfeiçoar o seu rendimento quando inserido num colectivo forte e de qualidade. Ainda assim, encontro-me meio céptico acerca da forma como se poderá enquadrar neste momento da equipa. O SL Benfica precisa de qualidade na sua primeira fase de construção e viu-se uma diferença abismal de qualidade nessa fase do jogo quando Florentino e Gabriel actuaram juntos na Turquia. Para mim, o jovem português está mais do que preparado para render Fejsa e fixar-se neste meio-campo a dois. Resta saber se Lage pensará o mesmo.

Foto de Capa: SL Benfica

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