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E se a virtude do Benfica não forem os nomes fortes? Os nomes que o treinador tem medo de sentar, os nomes que eram de Jesus? Nomes parecem ter de existir, numa necessidade de perpetuar no onze do Benfica, porque só assim é que poderemos manter ideias e qualidade para atingir o tricampeonato? E se a virtude vestir um colete e um fato de treino e estiver mais de metade do jogo no banco de suplentes?

A época ainda não vai a meio e já não são raras as vezes em que o banco do Benfica foi chamado a resolver a situação. Carcela agora, no início da época foi Victor Andrade. Estes foram os exemplos que as capas dos jornais à altura deram destaque, mas são muitos os outros exemplos de jogadores que entraram para solidificar um estilo de jogo, melhorar as transições ou alterar a filosofia dentro de campo. O onze do Benfica, o que se tem apresentado com maior regularidade, não tem mantido uma coerência exibicional. Ora marcam muitos golos e sentenciam o jogo na hora, ora sofrem até ao fim para ganhar, ora perdem sem parecer que estão onze homens de encarnado dentro do campo. Talvez seja altura de outros poderem entrar, de mostrar outro rumo e capazes de responder com exibições mais regulares e mais bem conseguidas. Vamos ver algumas possibilidades caso a caso:

Talisca: Não começou bem a época. Na pré-época falava-se no encanto de Rui Vitória com o médio brasileiro, mas pouco ou nada se viu. Este jogador sofre de um problema grande: ninguém sabe qual é a sua posição. Será que ele sabe? No Bahia era médio defensivo. Cá já jogou a extremo-esquerdo, médio centro avançado e a avançado recuado. Apesar disso pode ser um jogador para um jogo em que seja importante fazer circular a bola com velocidade, com transições rápidas para o ataque e em que qualquer bola à entrada da área seja passível de ser metida lá dentro. Renato Sanches agora parece ser intocável, mas não tem sido regular. A raça impressiona, mas há jogos que não são para ele.

Mehdi Carcela: Pizzi está a impressionar na linha, mas Gonçalo Guedes tem decrescido de rendimento. Já o marroquino, sempre que tem sido chamado a intervir, deixou a sua marca no jogo. Ainda ontem foi ele quem mudou o rumo da partida que parecia condenada ao empate. Já leva três golos marcados em todas as competições. Talvez comece a merecer uma oportunidade a titular junto do onze mais forte.

Djuricic: Do médio sérvio é difícil falar porque não o vemos jogar. Pessoalmente, este é um jogador de quem gosto muito, sobretudo pelo que vi anteriormente dele. Fez 45 minutos muito bons na pré-época e fez os seus primeiros minutos oficiais da época no último jogo no Bonfim. Entrou nos últimos minutos, mas ainda foi a tempo de participar e construir o último golo. É um jogador rápido, com muita técnica e com boa leitura de jogo. Numa altura em que Rui Vitória parece não ter esquecido o 4-2-3-1 e que ainda não se decidiu uma dupla fixa no ataque, este poderia ser um número 10 imponente. Precisa, claramente, de jogar com mais regularidade, mas isso não impossibilita que possa jogar atrás de Jonas, Mitroglou ou de Jiménez.

Raúl Jiménez: É um jogador explosivo. O Benfica é nitidamente o clube de que ele precisava para poder melhorar. Por vezes passa despercebido e os adeptos manifestam-se contra ele pela falta de golos, mas o seu trabalho não se resume a isso. O avançado mexicano faz muito bem a transição do ataque para a defesa, e vice-versa. Com mais trabalho poderá fazer render Lima. É um trabalhador incansável e pode mesmo vir a ocupar o lugar de Mitrglou, que tem sido muito irregular. 

Raúl Jiménez tem crescido à medida que a época avança; Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica
Raúl Jiménez tem crescido à medida que a época avança;
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica

Cristante: Para mim seria a primeira solução, depois de Samaris. Em comparação com Fejsa, oferece um estilo de jogo muito mais fluído. Tem uma qualidade de passe digna de um verdadeiro craque. Assim como a Djuricic, falta-lhe ritmo competitivo. O médio italiano já merecia uma oportunidade.

Estes são alguns exemplos que podem alterar o rumo do estilo de jogo do Benfica. Obviamente, e Rui Vitória já o disse, que cada jogo é um jogo. Tem de se olhar para o adversário e escolher os jogadores com determinadas características. Neste lote não incluo Taraabt porque acho que este é um jogador irresponsável e ingrato para com as oportunidades que já lhe foram dadas. O marroquino não tem noção do emblema que traz ao peito, e para mim nem faz parte deste plantel.

O estilo de jogo do Benfica tem de ser mais coerente e mais adaptado. Os adeptos pedem mais à equipa e é obrigação do clube dar tudo o que pode para corresponder às expectativas. Eu sempre fui um apoiante fervoroso da aposta na formação, mas não sou cego ao ponto de achar que apenas com a formação se ganham jogos. Gostava de ver o treinador do Benfica a recorrer mais ao banco de suplentes e à equipa A do que à equipa B, assim que tem problemas. 

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