Luís Filipe Vieira apertou o pescoço a um sócio em plena Assembleia-Geral Ordinária. Não há muito mais que se possa dizer a seguir a esta frase e sobre o assunto. A 27 de Setembro de 2019, no Pavilhão Fidelidade, 728 amantes do Sport Lisboa e Benfica reuniram-se para aprovar, por maioria, as contas referentes a 2018/2019 – 78,34% de votos afirmativos, face a um exercício com resultados positivos no valor de 29 milhões de euros – e debater o presente e futuro do clube, com claras facas apontadas ao modelo de gestão e ao titubeante começo de época.

Num clube que sempre se definiu por democrático e sempre elegeu os seus presidentes, mesmo em tempos de ditadura, e como disposto na alínea C) do nº 1 do Artigo 17º, é direito de todo e qualquer sócio «participar nas assembleias gerais, apresentar propostas, intervir na discussão e votar». É, aliás, essa troca de opiniões que se assume como processo vital no crescimento e evolução da instituição. Mas, após uma intervenção mais crítica… Luís Filipe Vieira sentiu-se ofendido e apertou o pescoço a um sócio em plena Assembleia-Geral Ordinária.

A equipa de futebol profissional encontra-se também em má fase, com a participação na Liga dos Campeões a exigir redobradas atenções por parte da equipa técnica. Subiu, com a derrota na Rússia aos pés do Zenit, para 12 o número de derrotas nos últimos 15 jogos. Números horrorosos e apocalípticos: é a pior fase de sempre do Benfica na Europa. E foram exactamente as caminhadas fora de portas que transformaram o clube no gigante que é hoje. Em 2000, o Benfica era a segunda equipa com mais golos marcados nas competições europeias, só perdendo para o Real Madrid. Neste momento, é sétimo classificado. Das 18 derrotas em casa que o Benfica conta na Champions, 14 são desde 2005. Sintomático. Urge uma melhoria na abordagem à competição e a manutenção do prestígio europeu dos encarnados, parte essencial do peso histórico do clube.

Titular nos dois jogos da Champions, Tomás Tavares tem vindo a ganhar preponderância, aproveitando as debilidades físicas de André Almeida
Fonte: SL Benfica

Lage continua o seu processo evolutivo enquanto treinador e o seu potencial continua intacto. A sua próxima etapa passará pelos jogos “grandes”, onde ainda não se conseguiu impor enquanto estratega e onde a equipa nunca corresponde ao habitual rendimento. A próxima paragem de selecções ser-lhe-á muito útil: são duas semanas para preparar os compromissos com Cova da Piedade e Lyon, jogos muito importantes no curto prazo benfiquista.

Não ajudará o facto de as selecções nacionais chamarem muitos atletas das equipas profissionais: Rúben Dias, Pizzi e Rafa vão com os AA’s tentar levar de vencidos o Luxemburgo e a Ucrânia; nos sub-21, Nuno Tavares, Gedson e Jota vão participar no embate frente à Holanda, na qualificação para o Europeu da categoria; e, nos sub-20, Celton Biai, Pedro Álvaro, Tomás Tavares, Diogo Capitão, Tiago Dantas, Gonçalo Ramos, Rodrigo Conceição e Pedro Ganchas (oito no total) são os seleccionados para o escalão. Ao todo, isto resulta numa perda de 14 (!) atletas nesta pausa competitiva, em contas nacionais, porque a ela acrescem as ausências de Seferovic, Svilar, Adel Taarabt e Odysseas. Um total de 18 atletas, que muitas dores de cabeça dará a Lage. O setubalense vê-se obrigado a corrigir processos sem metade do plantel disponível, e onde a opção de repescagem de outros escalões e equipas se torna também complicada.

Em nota, dias depois de Luís Filipe Vieira sentir-se ofendido e apertar o pescoço a um sócio em plena Assembleia-Geral Ordinária, nada foi ainda feito a propósito. Abre-se um precedente gravíssimo.

Foto de capa: SL Benfica

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