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Chegamos ao final do ano e a preocupação entre os benfiquistas começa a aumentar. Até estamos na liderança do campeonato, separados do segundo lugar por seis pontos, que, embora nada garantam, são uma vantagem confortável para encarar a segunda volta. O grande problema é que, já no primeiro dia de 2015, se abre uma janela de transferências, a qual nos últimos anos tem desfalcado a equipa. É fácil recordarmo-nos das saídas de David Luiz e Matic em janeiro. Os melhores jogadores do plantel são cobiçados pelos grandes clubes europeus, e a Direção nada pode fazer quando estes batem o valor da cláusula de rescisão. É a lei do mais forte.

Mas se no longo mercado de verão existe tempo para o treinador preparar soluções (ou pelos menos era suposto que assim fosse, já que a UEFA decide, incompreensivelmente, prolongar este período de transferências até ao último dia de Agosto, quando a época já leva quase um mês), agora Jorge Jesus e a Direção do Benfica terão muitas dificuldades em trazer para Lisboa um jogador com as características de Enzo Pérez, cuja saída parece já acordada com o Valência a troco de cerca de 25 milhões de euros. Médios box-to-box, capazes de fazer a ligação entre defesa e ataque, que ajudem nas tarefas defensivas e, ao mesmo tempo, se envolvam na construção do processo ofensivo, por vezes marcando golos, são raros, ainda mais quando o jogador a substituir tem a qualidade técnica, a consciência tática e a entrega ao jogo que o argentino sempre demonstrou quando vestiu a camisola encarnada. As conversações entre Benfica e Estudiantes para a contratação de Joaquín Correa, segundo a imprensa, têm estado a correr bem. Se forem bem sucedidas, o argentino pode constituir uma opção de qualidade para Jorge Jesus, numa altura em que se mantém a incerteza em relação aos regressos de Fejsa e Rúben Amorim.

Enzo Pérez impulsionava o ataque encarnado Fonte: Facebook do Benfica
Enzo Pérez impulsionava o ataque encarnado
Fonte: Facebook do Benfica

O interesse dos espanhóis em Enzo já é antigo. Os olheiros do Valência acompanharam as prestações do médio na época passada, em que este se revelou fundamental ao ajudar o Benfica a ganhar todos os títulos em Portugal e a chegar à final da Liga Europa. A última barreira – o dinheiro – deixou de constituir um problema quando o milionário asiático Peter Lim comprou o clube, em Maio, através de um fundo de investimento. A mudança de Enzo Pérez só não se concretizou no Verão devido à falta de entendimento entre o magnata e a banca espanhola, com o objetivo de reestruturar a dívida do clube.

Contratado em Junho de 2011 aos argentinos dos Estudiantes de La Plata, Enzo não convenceu Jorge Jesus a mantê-lo no plantel, pelo que, no início de 2012, regressou ao seu país, de onde, disse publicamente, já não quer sair. Contudo, a saída de Witsel levou o treinador encarnado a fazê-lo voltar a Portugal, onde, para colmatar a ausência do belga, passou a alinhar no centro do meio-campo, em vez de jogar como extremo-direito, como era habitual. A temporada 2012/2013 foi marcada pela afirmação do argentino na Luz, onde ganhou o estatuto de titular. Tanto para ele como para o resto da equipa, esta seria uma época ingrata, uma vez que, apesar do esforço, o Benfica não conquistou nenhum troféu.

Já no último ano, em que os encarnados conquistaram quase todos os títulos possíveis (ainda hoje não conformo com a derrota em Itália na final da Liga Europa, onde fomos bastante superiores ao Sevilha), Enzo Pérez evoluiu ainda mais e tornou-se num atleta essencial no atual Benfica (foi, aliás, eleito “melhor jogador do campeonato”). Sem ele, dá a sensação de que a equipa fica mais frágil, menos ágil, mais exposta quando defende, menos agressiva quando ataca. De Enzo, de cada vez que entra em campo, podemos esperar suor, raça, ambição. Habituámo-nos a vê-lo disputar cada lance, a lutar por cada bola como se o jogo fosse acabar naquele momento, a resistir até ao limite da sua capacidade física para o sucesso da equipa, a dar indicações aos colegas quando era necessário, a entregar tudo o que tinha em nome da camisola. É por tudo isto e muito mais qualidades, que o curto espaço deste artigo não permite referir, que o argentino se tornou uma referência, o mais aplaudido pelos adeptos, o jogador que, por mais diferenças que houvesse entre os benfiquistas, estava sempre no “onze inicial”. Com o símbolo do maior clube do mundo na camisola, conquistou um campeonato nacional, uma Taça de Portugal, duas Taças da Liga e uma Supertaça. Deixará saudades à nação benfiquista, não tenho dúvidas, onde é visto como um “ídolo”. Enzo sai mas fica a certeza de que não há jogadores insubstituíveis, como o Benfica tem vindo a provar. Assim, só nos resta lamentar a perda e unir forças para que, em Maio, o Marquês se possa voltar a encher.

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É frequente dar por ele a contar as horas até começar o próximo jogo do glorioso Benfica, que não perde por nada. Lá fora, apoia Arsenal, Milan e Bayern só porque os seus jogadores vestem a magnífica cor vermelha.                                                                                                                                                 O Tiago não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.