Antes do embate em Santa Maria da Feria, foram três vitórias em seis jogos – a pior fase do Benfica aos comandos de Bruno Lage. Começou com o desaire na Croácia, por 1-0, seguido de um empate na Luz contra o Belenenses. O regresso às vitórias foi frente ao Dínamo Zagreb, onde foi preciso prolongamento para eliminar os croatas, mas os jogos sôfregos voltaram logo depois da goleada em Moreira de Cónegos. Contra o Tondela, em casa, o Benfica sofreu para vencer, marcando apenas aos 84 minutos, num jogo em que suou para ultrapassar a defesa adversária. Finalmente, o culminar aconteceu em Alvalade, quando o Benfica perdeu por 1-0 contra o Sporting e falhou o objetivo de chegar à final do Jamor.

Nestes jogos em que a vitória não apareceu – ou que custou a aparecer -, o que preocupou mais nem foi o resultado final, mas sim o jogo jogado. Aquilo que o Benfica fez em campo parecia estar enferrujado e começou a preocupar, tendo em conta a importância destes últimos jogos. Chegou-se ao sprint final da temporada, com seis jogos por fazer na Primeira Liga, além das eliminatórias da Liga Europa.

O que é facto é que, se estamos atualmente com a pressão das vitórias para alcançar títulos no final da época, muito devemos àquilo que foi feito quando Bruno Lage assumiu o comando da equipa técnica encarnada. Foi uma cavalgada de bons resultados que nos brindavam com excelentes exibições, algo completamente diferente àquilo a que os adeptos estavam habituados com Rui Vitória. Recuperaram-se sete pontos de atraso (nove, pois o Benfica ficou com dois de avanço para o segundo lugar) e chegou-se aos quartos de final da Liga Europa. Tudo isto tem imenso valor, já que mudou mesmo a visão que o resto do mundo tinha do Benfica. Outrora uma equipa grande a jogar em modo pequeno, recuperou o seu estatuto de praticante de um bom futebol.

O Benfica foi eliminado, pelo Sporting, da Taça de Portugal, apesar da vantagem de 2-1 na primeira mão
Fonte: SL Benfica

Se tudo o que está acima é verdade, também o é que muitos tiveram throwbacks aos jogos com Rui Vitória na partida em Alvalade, vendo as coisas a correr mal não só nessa partida, mas também a ganhar de forma sofrida no embate anterior no próprio reduto.

Porém, a verdade é que apenas um objetivo caiu e a época ainda está viva. O que é necessário é confiar no trabalho que se tem vindo a fazer. É preciso ter estofo de campeão, ser capaz de ultrapassar as adversidades e vencer todos os duelos até ao final da Primeira Liga, para que se possa erguer o troféu. Não queremos “perder o campeonato duas vezes”, como disse o nosso treinador. Queremos tudo o que está ao nosso alcance e isso é a conquista das competições em que estamos inseridos. Se é possível? Claro que é! Mas é preciso estofo de campeão. O que se viu em Santa Maria da Feira foi precisamente isso, por isso ele está lá. É só pegar nele e levá-lo para o relvado até ao último minuto do último jogo!

Texto revisto por: Mariana Coelho

Foto de Capa: SL Benfica

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