Terceiro Anel

Cá estou eu, acordado depois de mais uma noite, para voltar a desabafar convosco, caros leitores deste magnífico site desportivo. Porém, encontro-me sobressaltado, em pânico, com suores frios, às voltas pela casa. E isto porquê? Porque acabei de ter um pesadelo. Um pesadelo horrível, um pesadelo abominável! E que pesadelo foi esse? Pois bem, este momento lamentável (que durou duas horas!) e que me retirou anos de vida fez-me recuar até ao dia 6 de Maio de 2013.

E que dia foi esse? Bem, foi o dia do Benfica – Estoril, a contar para a 28ª jornada da Liga Zon Sagres 2012/2013, uma segunda-feira. Antepenúltima ronda do campeonato, Benfica isolado na primeira posição da tabela, cenário de sonho na catedral, bancadas repletas. Eu ali, às 20 horas, num café em Sete Rios apinhado de adeptos benfiquistas, acompanhado de um cachecol e de uma camisola berrante, completamente compenetrado nesta partida. O clima estava excelente para a prática do futebol, típico final de tarde primaveril. Sentia-se uma grande euforia benfiquista.

A bola começou a rolar; o Benfica entrou muito forte, ficando logo a adivinhar-se um golo para o maior de Portugal. O número de oportunidades de golo desperdiçadas por Lima, nos primeiros minutos, logo me fez agredir brutalmente a mesa que estava à minha frente. Mas pronto, ainda estávamos no madrugar da partida, havia muito para jogar; aquela vitória, e consequente título praticamente garantido, não poderiam fugir. Contudo, sensivelmente a partir da meia-hora da primeira parte, o Estoril começou a assustar o último reduto do Benfica, com excelentes jogadas. De uma postura feliz e excitada por aquilo a que estava a assistir via tv passei a ter uma postura apreensiva, um pouco mais moderada.

O intervalo chegou, mantinha-se o nulo, estava tudo em aberto, mas mesmo assim nem sequer me passava pela cabeça que pudesse ocorrer alguma hecatombe.

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Minuto 58, momento de terror supremo, golo de Jefferson Fonte: Record
Minuto 58, momento de terror supremo, golo de Jefferson
Fonte: Record

A segunda parte começou; o Benfica não entrou com aquela acutilância esperada, o ambiente no Estádio da Luz tornou-se progressivamente mais pesado. Até que aos 58 minutos, surgiu o momento que me fez gritar de raiva, explodir de fúria, vociferar até mais não!!! Jefferson, o tal homem que está a fazer uma bonita temporada em Alvalade, gelou a Luz, com um golo de livre directo que contou com a grande colaboração de Artur Moraes, guarda-redes que já na altura se encontrava num péssimo momento de forma.

E do nada, ali estava eu, completamente empedernido, sem reacção. Num jogo em que a vitória era imprescindível, o Benfica estava à beira do colapso, sem chama, a perder em casa frente a um Estoril-Praia de valor, excelentemente orientado por Marco Silva, mas que, com todo o respeito, não podia roubar pontos ao Benfica na Luz, numa partida tão importante!

Contudo, aos 68 minutos Maxi Pereira restabeleceu a igualdade, colocando a catedral ao rubro. Ainda havia muito tempo para jogar e a esperança reacendia-se. Só que, quando nada o fazia esperar, Carlos Martins (sim, esse mesmo atleta que agora alinha pela equipa B do Benfica), numa atitude disparatada, viu o segundo cartão amarelo, recebendo a consequente expulsão. A partir daí, os últimos minutos de jogo foram um suplício, com o Estoril perto de chegar à vitória. E eu ali, naquele café, não dizendo uma única palavra, apenas abanando a cabeça, como que pressentindo o pior.

Só que o desgraçado deste pesadelo ainda quis levar-me mais ao desespero, recordando-me assim a forma como voltei para casa, completamente devastado, com vontade de me esconder do resto do Universo. E depois, pronto…seguiu-se aquilo que se sabe (vá lá, o pesadelo terminou aquando da minha entrada em casa, nesse 6 de Maio de 2013).

Já recomposto deste episódio cruel, afirmo agora que tenho total confiança no meu Benfica – mas claro, estando ciente das dificuldades que o Estoril irá causar no Estádio da Luz, no próximo domingo. Por isso, Sport Lisboa e Benfica, apruma-te! Seja com fato de gala, seja com fato-macaco, seja como quiserem! Jogadores do Benfica, treinador do Benfica, médicos do Benfica, roupeiro do Benfica, psicólogo do Benfica: ganhem-me este jogo! Depois daquilo que se passou nas duas últimas temporadas, só acredito num Benfica campeão quando me aperceber de que estão milhares e milhares de adeptos eufóricos, festejando o título. Pés bem assentes na terra, nada de euforias, e nada de excessos de confiança, que resultaram, por exemplo, numa segunda parte muito fraca, no desafio disputado frente ao Belenenses, no último domingo.

Ah, e já agora, gostava de pedir uma coisinha: se pudesse ser, dava para sonhar com o Benfica vs Rio Ave, da 30 ª jornada do campeonato 2009/2010? É que pronto, sempre sofria menos, sempre gritava menos, sempre me alegrava mais, e sempre evitava uma ida para um hospital psiquiátrico, num colete-de-forças, que é precisamente o que me está a acontecer agora.

Vai-te, Satanás, que é como quem diz…Estoril-Praia!