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Durante longos anos de uma ditadura cinzenta e opressiva, Portugal viveu sob o espectro dos três “f”: Fátima, Família e Futebol, sendo que antes do “f” de Futebol surgia o “e” de Eusébio, a maior lenda do desporto rei nacional antes do aparecimento mais ao menos recente de Cristiano Ronaldo.

É inegável reconhecer a importância do “Pantera Negra”, futebolista que fica umbilicalmente ligado ao período mais vitorioso da história do Benfica, mas também à primeira e até agora melhor participação de Portugal num Campeonato do Mundo, quando foram os seus 16 golos (sete na qualificação e nove na fase final) a contribuírem de sobremaneira para um brilhante terceiro lugar no Inglaterra 66.

Os números, aliás, não deixam qualquer margem para dúvidas do impacto que teve Eusébio no futebol nacional, tanto pelos 476 golos em 440 golos pelo Benfica, como pelos 41 golos em 64 jogos pela “Equipa das Quinas”. E se antes do “Pantera Negra” já Fernando Peyroteo se tinha assumido como um grande goleador luso e até com melhor média de tentos, a verdade é que Eusébio surge numa fase em que a mediatização do futebol já era muito maior, sendo ele a primeira grande figura de exportação nacional.

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Eusébio destacou-se no Benfica
Fonte:architectninja.com

Afinal, durante um longo período em que a imagem de Portugal no Mundo alternava entre o apagamento e a (má) crítica, Eusébio foi uma espécie de farol de positivismo, funcionando como o nosso melhor embaixador no planeta, ou não trouxesse a melhor notoriedade possível para um pequeno e algemado país. Essa boa imagem, aliás, arrasta-se até aos dias de hoje, mesmo depois da sua morte, com o nome e o impacto do antigo atacante a continuar a confundir-se com o próprio Portugal.

E se naturalmente Eusébio não foi o única personalidade a contribuir para essa melhor imagem de Portugal no estrangeiro, é inegável que esta sua iminente trasladação para o Panteão Nacional acaba por traduzir-se nesse merecidíssimo reconhecimento.

É que o impacto e simbolismo à volta deste génio de Lourenço Marques irá estar sempre muito para além dos golos, grandes exibições e títulos que ajudou a trazer para o Benfica e para a selecção nacional, e centrar-se-á igualmente na tal contribuição para uma melhor imagem de Portugal no Mundo, algo que perdura até hoje e certamente continuará a perdurar por muito mais tempo. Isso não tem preço e, na minha opinião, nem deveria permitir que se questionasse sequer a sua presença no Panteão Nacional. Se outros também mereciam lá estar? Obviamente que sim, mas como costumam dizer os ingleses: “Two wrongs don’t make a right”.

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Sportinguista sofredor desde que se conhece, a verdade é que isso nunca garantiu grande facciosismo, sendo que não tem qualquer problema em criticar o seu clube quando é caso disso, às vezes até com maior afinco do que com os rivais. A principal paixão, aliás, sempre foi o futebol no seu contexto mais generalizado, acabando por ser sintomático que tenha começado a ler jornais desportivos logo que aprendeu a ler. Quanto ao ídolo de infância, esse será e corre o risco o de ser sempre o Krassimir Balakov, internacional búlgaro que lhe ofereceu a alcunha de “Bala” até hoje. Ricardo admite que ser jornalista desportivo foi um sonho de miúdo que conseguiu concretizar e o que mais o estimula na área passa pela análise de jogos e jogadores, nomeadamente os que ainda estão no futebol de formação ou naqueles campeonatos menos mediáticos e que pensa sempre que ninguém vê como o japonês, sul-coreano ou israelita..                                                                                                                                                 O Ricardo não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.