É preciso recuar até 2006 para vermos o SL Benfica eliminado da Taça de Portugal por uma equipa de escalão inferior: à altura, o Varzim SC militava no secundo escalão e dinamitou as tropas de Fernando Santos, com o auxílio do angolano Mendonça e de um auto-golo de Nélson.

Ainda longe do Benfica moderno, aquela equipa viu-se surpreendida por um outsider sem muitas esperanças de sucesso. Treze anos depois, a viagem é até a um concelho próximo e as discrepâncias qualitativas e quantitativas dos fatores técnicos e financeiros são semelhantes e este FC Vizela tem nível de Segunda Liga.

Em primeiro na série A do Campeonato de Portugal, com nove vitórias em onze jogos, o Vizela tenta novamente a subida ao segundo escalão, numa tarefa que se tem tornado hercúlea nos últimos dois anos, com o UD Vilafranquense SAD a surgir no caminho dos minhotos no play-off e a acabar com as suas esperanças consecutivamente.

Em 2020 espera-se então que, como diz o ditado, à terceira seja de vez e o clube alcance outros patamares competitivos. Ainda assim, o Benfica estará preparado para todas as ambições minhotas dentro de campo, tornando-se o exemplo de 2006 como uma lição bem aprendida.

O Benfica actual tem sido competente internamente. Ainda que ocasionais eliminações às mãos de Vitória SC, Leixões SC ou Rio Ave FC tenham acontecido na última década, uma hecatombe como a “Gondomarada” de 2002-03 foi a última vez que uma equipa do terceiro escalão se conseguiu impor. Ainda assim, é importante não facilitar com a natural rotação que acontece nestas fases precoces.

A eliminatória é uma oportunidade para dar importantes minutos a membros válidos da trupe como De Tomás, Jota ou Samaris, surgindo igualmente como bom ensaio para a final de Leipzig e Bruno Lage sabe-o, apesar do natural distanciamento que lhe é obrigatório:   «É tudo uma questão de oportunidade. Veja a questão de outra maneira: quantos minutos tinha o Félix no ano passado nesta altura do campeonato? E depois fez a segunda volta que fez. Temos de olhar sempre para os dois lados da moeda. Você está a ver a perspectiva do Jota, eu estou a ver a perspectiva de 26 mais três guarda-redes, 29 homens que tenho de controlar», disse na conferência de antevisão ao encontro, sem não deixar de assegurar toda a confiança na pérola que esteve em destaque nos sub-21 portugueses; «O Jota tem respondido nas oportunidades que tem tido, curiosamente fora dos jogos no Estádio da Luz. São as prestações que tenho gostado mais e já lho disse. Quando tiver uma nova oportunidade é confirmar todo o valor dele, pois temos enorme confiança nele».

Álvaro Pacheco, 48 anos, acumulou experiência enquanto adjunto de Miguel Leal no Boavista e Moreirense
Fonte: FC Vizela

Em Vizela, reina por estes dias um espírito de festa natural para quem recebe o campeão nacional. Álvaro Pacheco, treinador e porta-voz de todos os vizelenses, afirma que «a Taça é uma festa e queremos continuar na festa», demonstrando a responsabilidade natural de quem tem esperanças num dia difícil mas… marcante: «Amanhã [sábado] temos uma oportunidade para fazer história. Acima de tudo, temos de ter prazer naquilo que gostamos de fazer, que é jogar».

A cidade anima-se por estes dias, numa oportunidade de ouro para esmiuçar a bilheteira e arrecadar quantia significativa, com a lotação de 6000 lugares praticamente esgotada, na primeira recepção minhota a um dos grandes no seu estádio. Na visita anterior do Benfica à casa vizelense, em 1984-85, o clube foi obrigado a jogar em relvado emprestado pelo vizinho Vitória Sport Clube, tornando o embate deste Sábado (20h45) ainda mais especial para os fãs de futebol da região.

TEREMOS TOMBA-GIGANTES NESTE JOGO DA TAÇA DE PORTUGAL? DÁ JÁ O TEU PALPITE!

Para chegar a esta fase da competição, o Vizela despachou o FC Pedras Rubras (0-3), atropelou o GD Fontinhas (6-1) e causou choque em Pina Manique com a vitória sobre o Casa Pia AC (1-3), numa temporada em que ainda só conheceram o sabor da derrota por uma vez contra o Vitória Sport Clube ‘B’, a contar para o Campeonato de Portugal.

Assumem-se como uma equipa altamente ofensiva, 37 golos em 14 jogos (2,6 de média), o que pode ser um sinal agradável de uma abordagem atrevida ao jogo, tornando-se num bom espectáculo. Alioune Fall e Kiko Bondoso assumem-se como grandes marcadores (seis golos cada), mas por estes dias é Diogo Ribeiro (sete golos) quem se destaca como grande joker da formação nortenha.

No lado encarnado, há novidades na convocatória com a poupança de Rúben Dias e os regressos de Conti e Samaris: Vlachodimos, Zlobin, Ferro, Nuno Tavares, Conti, Tomás Tavares, Grimaldo, Jardel, André Almeida, Caio Lucas, Cervi, Chiquinho, Pizzi, Gabriel, Samaris, Florentino, Gedson, Carlos Vinicius, Raul de Tomas e Jota.

Em dia de final de Libertadores, as atenções dos benfiquistas centram-se a norte, em noite de festa para a pitoresca cidade de Vizela. A prova rainha tem, realmente, um outro encanto.

Fonte: SL Benfica

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

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