Terceiro Anel

Era uma vez um menino chamado Jorge Jesus, bastante mexido, que para adormecer tinha sempre de ouvir uma história. E, normalmente, essa história girava sempre em volta de um bicho papão, chamado Futebol Clube do Porto, que fazia muito mal a um clube chamado… Sport Lisboa e Benfica.

Em quase todas as versões da história, contada ao menino que já naquela tenra idade mascava pastilha elástica, o local do enredo era o Estádio do Dragão, no Porto. E a primeira versão desta apaixonante trama passou-se em Maio de 2010, quando o Benfica tinha tudo para ser campeão. Se a equipa de Lisboa vencesse, sagrar-se-ia logo na altura campeã nacional. Contudo, o bicho papão não deixou que isso acontecesse! Criando um ambiente de terror, com grande animosidade nas bancadas, e dando tudo em campo, o bicho papão deu cabo do Benfica, marcando três golos sem dó nem piedade, numa partida em que a equipa da casa jogou com uma raiva tremenda, bloqueando por completo o adversário, que assim não pôde festejar logo naquela altura o título nacional. Esta história tocou bem lá no fundo do petiz Jorge Jesus, que não se aguentou… e chorou.

Alguns dias depois, e lá estava Jorge Jesus irrequieto, sem sono, vociferando em alta voz. Para ele acalmar, lá lhe foi contada mais uma história. E que história! No princípio de Novembro de 2010, no Estádio do Dragão, o bicho papão voltou a dar cabo do Benfica, mas desta feita com muitos mais requintes de malvadez! Com um futebol arrasador e a encher todo o campo, o bicho papão goleou o Benfica por 5-0, aproveitando, e de que maneira, uma noite em que o treinador da formação lisboeta parecia estar sob o efeito de substâncias duvidosas, tais foram os disparates tácticos que cometeu ao longo do desafio.

Mais dias volvidos, e o menino Jorge Jesus voltava a fazer das suas. E, para ele sossegar na sua caminha, mais uma historinha. Esta menos intensa, não tão dramática, mas em que ficou vincada a influência do bicho papão. Em Setembro de 2011, mesmo com um bicho papão mais calmo e com pouca chama, o treinador do Benfica decidiu, em especial na primeira parte, jogar com as linhas recuadas e não sair do meio-campo. Resultado final: empate a dois golos, num jogo em que o Benfica deveria ter arriscado mais.

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FC Porto, o eterno monstro para o Benfica Fonte: Zerozero.pt
FC Porto, o eterno monstro para o Benfica
Fonte: ZeroZero

Depois… uma história de autêntico terror. Uma história de choque, mesmo para perturbar o pequeno Jorge Jesus, que se havia comportado de uma forma terrível ao longo do dia. Em Maio de 2013, o Benfica tinha o título nacional na mão, mas, no Estádio do Dragão, voltou a ser derrubado pelo bicho papão do FC Porto, sem dó nem piedade. No último suspirar do jogo, do nada, um tal de Kelvin, com um remate de fora da área, acabou por colocar em depressão seis milhões de pessoas em Portugal. Que drama, que enredo, que coisa feia! O imparável Jorge Jesus, criança complicada, ajoelhou-se, ficando perplexo com aquilo que acabara de ver.

Nesta terça-feira à noite, novamente uma história impactante, para fazer o jovem Jorge Jesus fechar os olhos. Estádio do Dragão, primeira mão das meias-finais da Taça de Portugal, Bicho Papão vs Benfica. O desfecho, mais uma vez, não foi o melhor para o Benfica, e, para não variar, o treinador dos encarnados voltou a mexer, e de que maneira, na equipa, descaracterizando-a bastante. E isso deu em quê? Pois bem, num grande banho de bola do bicho papão, que trucidou as águias. Mas pronto, com mais este enredo, lá o menino Jorge entrou em descanso.

E agora, voltando um pouco à realidade, eu peço-te, crescido e graúdo Jorge Jesus: pára de bloquear mentalmente em jogos no Dragão e mete-me a equipa a jogar com toda a desenvoltura no terreno do FC Porto. Estás a treinar o clube da minha vida desde 2009, sendo que a única vitória que obtiveste no Dragão não nos valeu de nada, porque na segunda mão da Taça de Portugal 2010/2011 fomos humilhados na Luz.

Eu continuo com total confiança na nossa equipa, temos grandes jogadores, temos tudo para ganhar o campeonato. Mas olha, caro treinador do maior clube português, tens de perceber, de uma vez por todas, que nos dá gozo, a nós benfiquistas, jogar bem e se possível ganhar no Porto. Chega de jogos em que chego aos 20 minutos com espasmos, chega de jogos em que nos arriscamos a levar cinco como em 2010, chega de jogos em que somos engolidos naquele vulcão azul-e-branco. Nós somos o Sport Lisboa e Benfica, um clube que não pode temer ninguém em Portugal! De resto, só peço os três pontos na partida do próximo domingo, em Braga.

Ah, e por último: pais de todo este lindo Portugal, não contem aos vossos filhos este tipo de histórias, porque até eu fiquei a chorar depois de ter escrito este artigo…