FK Shakhtar 2-1 SL Benfica: Derrota gelada que não apaga a esperança

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Não há como escapar. Em Kharkiv, o Sport Lisboa e Benfica deu seguimento a mais um ciclo de maus resultados e más exibições. O resultado não é definitivo e abre espaço para o apuramento em pleno Estádio da Luz mas é uma derrota que poderia ter sido bem mais pesada. Independente das escolhas de Bruno Lage para o 11 titular, o que há a evidenciar são as fragilidades do colectivo encarnado que se têm refletido jogo após jogo.

A primeira parte trouxe-nos um jogo mais equilibrado com algum ascendente da equipa do FK Shakhtar. Ambas as equipas procuraram ter bola, procuraram construir jogo e evitaram correr riscos. A equipa de Luís Castro foi mais competente neste momento do jogo, principalmente por conseguir ter um processo defensivo mais bem trabalhado, o que levou a que o SL Benfica só perto do intervalo tivesse conseguido chegar com algum perigo, através de um lance de Pizzi, à baliza de Pyatov. O intervalo trouxe um nulo e uma sensação que assim que os ucranianos acelerassem, as redes encarnadas iriam balançar.

A segunda parte trouxe-nos velocidade. Durante largos minutos a defesa encarnada teve imensas dificuldades em parar o jogo mais dinâmico do FK Shakhar. Mais velocidade na pressão, mais velocidade na troca de bola e maior velocidade nas incursões na defesa encarnada. Vlachodimos salvou enquanto pôde e até não poder mais. Foram 10 minutos até Alan Patrick colocar a equipa da casa em vantagem. Um resultado justo para o que se passava em campo. A equipa encarnada tentou reagir, tentou subir as linhas mas não mostrou grandes qualidades para melhorar o seu jogo. Mesmo assim, numa boa jogada de Tomás Tavares, Cervi acabou por ganhar o penálti que Pizzi concretizou para o empate. Um empate que durou 6 minutos até naturalmente surgir o golo da vitória do FK Shakhtar desta vez concretizado por Kovalenko.

Uma vitória justa, uma derrota que poderia ser mais pesada, uma exibição preocupante e uma eliminatória que continua totalmente em aberto. Foi um SL Benfica pouco criativo, com evidentes fragilidades defensivas e somente reactivo ao estado do marcador. Foi um Shakhtar notavelmente ainda à procura de encontrar o seu futebol, com qualidade colectiva e individual, mas ainda sem a intensidade que é dada pelo ritmo competitivo.

A FIGURA

Ismaily – Esta é uma distinção muito metafórica. Ismaily fez um excelente jogo e é interessante ver um nome que já andou na segunda linha portuguesa a jogar desta forma a nível internacional. Por outro lado foi a imagem tanto da sua equipa como um exemplo daquilo que também tem faltado ao Benfica – o Grimaldo capaz de fazer a diferença no ataque. Ismaily quando aumentou a velocidade do seu jogo fez abanar todo o lado direito da defesa encarnada. Ismaily ao contrário de Grimaldo, e sem precisar de guarda-costas, conseguiu constantemente criar desequilíbrios na defesa adversária – coisa que o espanhol tão bem fazia antes de andar tão condicionado. E apesar da qualidade ofensiva ainda foi capaz de manter o seu lado defensivo controlado.

O FORA DE JOGO

Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Florentino  Vários jogadores tiveram uma exibição muito apagada. O Seferovic não apareceu em jogo. O Rúben Dias teve dois erros crassos no lance do 2-1. Florentino não foi pior que os seus colegas, mas representou muito daquilo que falhou no jogo do Benfica. Um meio-campo mal trabalhado e no qual este médio-defensivo se sente completamente limitado na ocupação do espaço. Um processo defensivo que permite constantemente um buraco central em frente aos centrais. Uma tremenda falta de criatividade na posse de bola com o Florentino a ser incapaz de segurar a bola e desequilibrar com passes inteligentes e de ruptura. O motor da equipa, o meio-campo, a falhar tanto no processo defensivo como no processo ofensivo.

ANÁLISE TÁTICA – FK SHAKHTAR

Luís Castro não apresentou grandes surpresas. Lançou o 4-3-3 esperado e tentou colocar em campo o jogo que já lhe é conhecido. Dois laterais ofensivos a dar largura para os dois virtuosos extremos se soltarem nos seus movimentos. Um ponta de lança em sintonia com as incursões dos virtuosos vindos das alas. Dois centrais com qualidade na primeira fase de construção e devidamente apoiados pelo médio defensivo. E dois médios com qualidade para distribuir a bola, criar apoios e aproximarem-se das zonas de finalização. Marlos e Tyson são os dois craques desta equipa e bem sustentados foram sempre colocando a defesa encarnada em sobressalto.

Notou-se uma FK Shakhtar ainda sem grande capacidade de pressão e aceleração, principalmente para 90 minutos de jogos. Abordaram o jogo de uma forma mais cautelosa e dando mais importância à circulação da bola, mas quando aceleraram, na procura do golo, foi quando a qualidade dos seus atacantes destruiu definitivamente a defesa montada por Bruno Lage.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Pyatov (5)
Bolbat (5)
Krivtsov (6)
Matviienko (6)
Ismaily (8)
Stepanenko (7)
Alan Patrick (6)
Kovalenko (6)
Marlos (8)
Taison (7)
Júnior Moraes (8)

SUBS UTILIZADOS

Marcos Antônio (5)
Konoplyanka (-)
Tetê (-)

ANÁLISE TÁTICA – SL BENFICA

Bruno Lage não surpreendeu apesar das novidades no 11. Sim, digo-o sem qualquer dúvida – Bruno Lage é neste momento um treinador à deriva. Não se percebe o que procura do jogo, as suas escolhas não favorecem o estilo de jogo que a sua equipa parece pretender praticar e as suas palavras não alinham com o fruto do seu trabalho – o treino.
O SL Benfica actuou com o seu já usual 4-2-3-1, onde se insiste na ideia que o extremo da equipa deve jogar defensivamente de forma a proteger o seu lateral. A verdade é Cervi não lança Grimaldo, Cervi condiciona-o.

Quem tem de compensar as subidas do lateral é o médio e o central, algo que não acontece. Um 4-2-3-1 onde o médio mais defensivo tem o seu raio de acção perturbado. Um 4-2-3-1 onde os laterais não dão profundidade e os extremos não dão velocidade ao ataque. Um 4-2-3-1 com o melhor jogador da equipa no banco – Rafa. Um 4-2-3-1 com o melhor ponta de lança e o matador na equipa também no banco – Vinicius. A entrada de Seferovic no papel dá-nos a ideia que Bruno Lage procurou favorecer um futebol de apoio com entrados em tabelas pelo centro do terreno. Mas depois deixa Rafa no banco e remete Cervi para um papel mais defensivo.

Enquanto os ucranianos mantinham um ritmo de jogo mais reduzido, a equipa de Bruno Lage foi mostrando intenções de também ela controlar a bola e construir com paciência o seu jogo – mas com total falta de laivos criativos para abrir a defesa adversária. Quando a equipa de Donetsk resolveu atacar com maior determinação, a equipa encarnada abanou toda.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Odysseas Vlachodimos (7)
Tomás Tavares (6)
Rúben Dias (3)
Ferro (4)
Grimaldo (5)
Florentino (3)
Taarabt (5)
Pizzi (6)
Chiquino (5)
Franco Cervi (5)
Seferovic (4)

SUBS UTILIZADOS

Vinicius (5)
Rafa (-)
Samaris (-)

Foto de Capa: FK Shakhtar

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Daniel Oliveira
Daniel Oliveirahttp://www.bolanarede.pt
Primeira palavra bola. Primeiro brinquedo bola. E assim sempre será. É a ver jogos que partilha os melhores momentos de amizade. É a ver jogos que faz as melhores viagens. É a ver jogos que esquece os maiores problemas. Foi na paixão pelo jogo que sempre ultrapassou os outros desgostos de amor. Agora a caminhar para velho pode partilhar em palavras aquilo que sempre guardou para si em pensamentos e pequenos desabafos.                                                                                                                                                 O Daniel não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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