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É momento de crise para o Benfica. Os encarnados estão a três pontos do segundo classificado Sporting CP e a cinco da liderança comandada pelo FC Porto. Os tetracampeões denotam dificuldade em jogar bem, rematar à baliza, criar perigo, marcar, defender e, pois claro, ganhar. Em 11 partidas oficiais na presente época, só conseguiu sair vencedor em seis! A estas acrescentam-se dois empates e três derrotas. Algo anda a falhar nos campeões em título, pois muito mudou da realidade que nos habituou nos últimos quatro anos, onde conquistou 12 dos 16 troféus nacionais possíveis.

Uma das razões que se pondera, é aquela que diz respeito às saídas no verão e à falta de investimento neste último mercado de transferências. Um onze com menor qualidade individual e, por sua vez, qualidade coletiva. Na defesa houve uma razia com as saídas de Lindelöf, Ederson e Nélson Semedo; na frente, saiu apenas Mitroglou, entrando Seferóvic; no miolo, mais nos extremos do campo, houve o empréstimo de Carrillo.

O que se passa é que as entradas ou as soluções internas, não estão a conseguir colmatar as saídas de peso dos encarnados esta época. No entanto, existe uma zona em que o Benfica tem mais do que opções, todas com obrigação de preencher lugares que possam ser deixados vagos. Falo dos extremos da equipa: Zivkovic, Rafa, Salvio, Willock, Diogo Gonçalves e Cervi. Há uma montanha de qualidade nos pés destes todos mencionados, que fazem as alas ofensivas no onze da águia, mas é sobre o último referido que quero falar, pois poderá ser a época dele.

Começou com uma novela de transferências entre dois grandes portugueses (como já vulgarmente acontece), Sporting e Benfica. Os leões tentavam garantir o argentino e o Benfica aliciava o jovem no entretanto. Acabou por terminar a novela em janeiro de 2016 o argentino confirmou que ia para os encarnados em Julho desse mesmo ano. Quando chegou, tinha a concorrência de Gonçalo Guedes, Carrillo e daqueles que agora ainda estão no plantel (excetuando Willock e Diogo Gonçalves). Ou seja, para um recém-chegado, tornava-se complicado arrecadar um lugar nas asas da águia, havendo maior e mais forte concorrência. No entanto, foi conquistando o seu lugar, após a saída de Guedes e contabilizou 41 jogos. Mas agora, a história é diferente.

Salvio anda, de tempos em tempos, a desesperar os adeptos com prestações menos bem conseguidas, Rafa não consegue justificar ainda o investimento de 16,5 milhões de euros, Guedes saiu, e agora há uma batalha acesa para escolher quem deve jogar de início nos extremos ofensivos (se bem que nas outra posições, esta época, ainda nada está definido com onze habitual), e Cervi, com as boas intervenções que nos tem vindo a habituar, parte na frente.

Cervi começa a ganhar lugar no onze e faz lembrar o antigo astro argentino, Gaitán Fonte: SL Benfica
Cervi começa a ganhar lugar no onze e faz lembrar o antigo astro argentino, Gaitán
Fonte: SL Benfica

É preciso esquecer um pouco este último jogo na Suíça, onde nenhum elemento encarnado fez um jogo minimamente bom para salientar. Contudo, nos outros que o precederam, quando Cervi foi chamado a jogo, não parecia ser a pior solução para um lugar ainda vago. É rápido, ágil, tem muita qualidade técnica, entra em conformidade com o jogo do Benfica, pois já vem habituado das rotinas da época transata, e é um jovem cheio de força e potencial. É um elemento que devia tomar as rédeas a extremo esquerdo da equipa.

Numa equipa que precisa, mais do que nunca, de consistência e de reforçar rotinas, manter padrões de jogo fixos e começar a ensaiar jogadas improvisadas, mas que maneira que se saiba o comportamento do colega do lado oposto do campo, há que criar um onze base e mantê-lo e trabalhá-lo. Com extremidades não muito diferentes da época passada, não haverá razões para que estes não consigam vingar como Salvio fez, Gaitán, Guedes, Di Maria. Quando saiu Di Maria, Gaitán nunca o substituiria; quando Gaitán saiu, Guedes nunca iria ocupar o seu lugar. Com tempo de jogo, Cervi irá fazer esquecer e lembrar Gaitán ao mesmo tempo. Têm um jogo semelhante, físico parecido, mas o argentino que ainda por cá anda, tem potencial para fazer tanto quanto o argentino que já lá vai.

Pode ter aparência de rapazinho novo, mas em jogo tem maturidade para ajudar o Benfica a ultrapassar esta “crise” de resultados. Saudações Benfiquistas!

Foto de Capa: SL Benfica

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