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No caldeirão turco, o Benfica jogava para escrever mais dois feitos históricos no livro de recordes do clube: a terceira vitória seguida numa fase de grupos da Champions e o primeiro triunfo de sempre em solo turco. Mas mais importante que estas marcas, eram os três pontos, que ficaram em Istambul por causa da derrota por 2-1 e que tanta falta faziam para ficarmos às portas do apuramento.

Não fosse a infeliz lesão do prodígio Nélson Semedo e Rui Vitória teria feito alinhar o mesmo onze que na jornada anterior havia ganho em Madrid. Logo a começar, um livre batido rapidamente, com a bola a ir parar aos pés de Gaitán. E então, eis que a magia nasce: o argentino tira um adversário do caminho já dentro da área (até parece fácil) e pica a bola, com uma classe quase desconcertante, por cima de Muslera. Aos 2 minutos a bola estava outra vez no centro do campo. Os primeiros dez minutos foram totalmente dominados pelo Benfica, que explorava as fragilidades da descoordenada defesa dos turcos. Pouco depois, Jiménez seguia isolado para a baliza mas a jogada acabou anulado por suposto fora-de-jogo, que não existia.

A ameaça de um possível segundo golo encarnado acordou o Galatasaray. Primeiro Júlio César ainda evitou o golo mas já não conseguiu parar o castigo máximo exemplarmente convertido por Selçuk Inan, à passagem do quarto de hora. André Almeida, em queda, tinha cortado um remate com o braço. Nada a dizer. O jogo foi sempre muito equilibrado, com períodos em que se assistiam a jogadas de perigo junto das duas balizas. No segundo golo da equipa turca, ficaram bem visíveis as dificuldades de Eliseu em fechar ao meio. Já não era a primeira vez que um passe vindo da defesa turca entrava no espaço entre Jardel e Eliseu. Os jogadores da casa já sabiam o truque (o Galatasaray praticamente só forçava o ataque pelo lado esquerdo da defesa do Benfica, pois no lado direito Sílvio deu bem conta do recado) ou, se não sabiam, rapidamente o descobriram. Podolski aproveitou e deu a reviravolta no marcador, num remate sem hipóteses de defesa.

Com as suas deconcertantes mudanças de velocidade, Gaitán abriu espaços na defesa dos turcos Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica
Com as suas deconcertantes mudanças de velocidade, Gaitán abriu espaços na defesa dos turcos
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica

A segunda parte abriu com dois grandes sustos, que foram momentos de sorte para a equipa portuguesa. Sneijder, num remate à partida inofensivo, vê a bola bater no poste da baliza do Benfica (o remate sofreu um desvio e quase que traia Júlio César). O guarda-redes brasileiro, impede, logo a seguir, o 3-1 com uma defesa espantosa, daqueles “por instinto”, ao parar um remate à queima-roupa já dentro da pequena área. É verdade que já tem 36 anos, que o salário é muito elevado. Mas é um guarda-redes que vale pontos (como se viu no jogo com o Atlético) e em quem Vieira acreditou depois de uma passagem pelo Canadá e do trauma do Brasil- Alemanha, no último mundial. Um dos melhores da história, sem dúvida.

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Os encarnados entravam na segunda parte como os turcos tinham começado a primeira, perdidos no campo. Mas foram-se reencontrando. Em 6 minutos, quatro ameaças à baliza de Muslera: Jonas, ao lado; Gaitán, também ao lado; Jiménez, para defesa do guardião uruguaio; e Gonçalo Guedes, que só não festejou porque Sanoglu fez um corte milagroso. E os turcos ficaram em sentido. Nesta fase, o golo podia cair para qualquer um lados e Podolski mostrava que o seu pé esquerdo ainda é o que era, com um remate forte e colocado aos 65 minutos.

Um treinador mais conservador, com duas vitórias em dois jogos, teria apenas refrescado o meio-campo e o ataque. Mas Rui Vitória não. Pizzi entrou para o lugar de Eliseu e Sílvio deu o lugar o Mitroglou. Era o tudo por tudo, e o resultado ficou mesmo em aberto até ao fim. Nos últimos dez minutos, o grego, em boa posição, atirou à rede lateral e já nos descontos um livre ainda causou algum frisson. Pelo meio, o jogo podia ter ficado sentenciado mas nem Sneijder nem Ilmaz conseguiram marcar.

O que mais negativo ficou do jogo foi mesmo a prestação do árbitro, que não agiu contra a excessiva agressividade dos jogadores do Galatasaray, que com faltas duras, não punidas com o respetivo cartão amarelo, foram parando jogadas de perigo. A derrota acaba por não ser preocupante. A qualificação continua bem encaminhada, sendo que uma vitória na próxima jornada torna tudo mais simples. E há quanto tempo não temos uma fase de grupos tranquila, sem calculadora…

A Figura:
Gaitán – Já é um hábito nomear o argentino “homem do jogo”. Dentro da elevada qualidade do plantel, ele ainda consegue estar num nível superior. Hoje marcou, levou a equipa para a frente (quando recuávamos em demasia) e ainda levou muita pancada. Merece.

O Fora-de-Jogo:
Eliseu
– Cada vez me convenço mais que Eliseu é mais um extremo esquerdo do que um lateral. Tem dificuldades em acompanhar o movimento da defesa em linha (comprometendo a armadilha do fora-de-jogo), não fecha ao meio quando a bola entra no espaço, está sempre demasiado adiantado no terreno. Para as despesas domésticas é quanto baste mas quando sobe a parada, é muito pouco.