Gerações que (não) marcam…

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O Benfica está a apostar nos jovens. Se é por necessidade, por política interna, pela cabecinha do senhor Jorge, ou por outra coisa qualquer, não sei. Mas está. Entre as opções, preferia que fosse por política interna, como sempre defendi. Contudo, seja pelo que for, que continue. Por favor.

O Benfica tem uma boa formação, sempre teve bons jogadores a serem formados na Luz, mas nunca, ou quase nunca, foram aproveitados. Normal? Para mim não.

Hoje fala-se, e bem, de Ivan Cavaleiro, de Bernardo Silva, do jovem Oblak, João Cancelo, entre outros. Merecem ser falados? Sim. Merecem ser aproveitados? Claro que sim!

Mas antes não havia qualidade? Não havia jogadores de igual ou superior valor? Ou a equipa principal tinha qualidade a mais para conseguir dar minutos aos miúdos que iam surgindo?

Na minha perspectiva, nenhuma das opções é válida. Havia qualidade e existe sempre espaço para dar minutos a promessas, a possíveis futuras glórias, a miúdos que podem realmente sentir o clube como muito poucos o fazem actualmente.

Todos os anos são feitos desperdícios na nossa formação, mas há anos mais evidentes do que outros. Há gerações mais evidentes do que outras e há, acima de tudo, acontecimentos mais marcantes do que outros. E o Mundial de sub-20, no Verão de 2011, foi um desses acontecimentos. Uma selecção nacional sem estrelas, sem promessas mundiais, sem grande crença por parte dos seus adeptos e consequentemente sem um grande apoio, deslocou-se à Colômbia para disputar a fase final do campeonato. E disputou-a tão bem…lembram-se?

O "emprestado" do Benfica Fonte: foradejogo08.blogspot.com
O “emprestado” do Benfica
Fonte: foradejogo08.blogspot.com

Na base da atitude, da crença, da raça, da táctica e, principalmente, no valor de dois nomes daquela equipa: Nélson Oliveira e Mika. Os dois foram pilares essenciais para o sucesso de Portugal naquele Mundial. Os lusitanos venceram o seu grupo (com Nova Zelândia, Camarões e Uruguai), a seguir venceram a Guatemala – mesmo depois disso ainda poucos davam credibilidade ao conjunto de jogadores lusos -, Argentina e França. Lutaram como quase nunca se viu uma selecção jovem nossa fazer e assumiram a posição de finalista nesse Mundial. Perderam frente a um Brasil que contava com Alex Sandro (Porto), Danilo (Porto), Casemiro (Real Madrid), Phillipe Coutinho (Liverpool) e Oscar (sim, estrela, jogador do Chelsea), entre outros. Nenhuma vergonha, como se percebe facilmente. E quem se destacou mais da nossa selecção? Exacto, Nélson Oliveira e Mika.

Não percebo como nunca tiveram uma real oportunidade. O Nélson jogava dez minutos de quando em vez, o Mika jogava…pois, esse não jogava mesmo. Não entendo como não deram espaço a estes dois miúdos (não só a eles, mas para mim estes casos são flagrantes) para crescer. Não entendo como toda esta geração não foi valorizada. Não tinha estrelas, mas tinha uma excelente dupla no meio campo, Danilo e Pelé. Tinha um excelente central, Nuno Reis. Tinha um enorme Nélson Oliveira – apenas considerado o segundo melhor jogador do mundial – e um seguríssimo Mika – que foi só o melhor guarda redes do torneio. Vice-campões mundiais. E não chegou.

O Benfica deve apostar no Ivan, no Bernardo, até no ‘Manel’ – se é para substituir o Matic é porque é certamente bom -, deve apostar nos talentos da equipa B e potenciar o valor desses jovens, quer para futuras vendas, como, e principalmente, para criar uma equipa principal com uma base portuguesa de formação encarnada. Deve fazer tudo isso, mas não se pode esquecer de erros como os que cometeu com a geração de 2011, a geração do Mundial de sub-20. A geração de Nélson Oliveira e Mika.

Mika saiu para o Atlético CP, mas deixou cá 50% do seu passe Fonte: oderbie.com
Mika saiu para o Atlético CP, mas deixou cá 50% do seu passe
Fonte: oderbie.com

Estes dois casos ficaram-me atravessados, como Benfiquista e como adepto de futebol. Dois jovens que são vice-campões mundiais (também tínhamos Roderick e Luís Martins, mas sei que não estão ao mesmo nível e não se podem aproveitar todos), que foram as figuras da selecção… não cabem no Benfica. Nem no banco.

Isto podia revelar a dimensão do Benfica, que é  imensa, mas neste caso, para mim, revela apenas má gestão. Que sirva de exemplo, que não seja esquecido e que daqui a uns anos tenhamos a possibilidade de ver ‘Ivans’ e ‘Bernardos’ no nosso Glorioso. E que os vejamos a vencer títulos, a sentir realmente o Benfica. Não é pedir muito.

Quero mais vice-campeões mundiais, ou até mesmo campeões, encarnados. Mas quero-os na Luz.

À geração de 2011, obrigado. A todos, mas principalmente ao Nélson e ao Mika. Fizeram vibrar um país.

Gonçalo Martinho
Gonçalo Martinho
Apoia o Sport Lisboa e Benfica desde que nasceu. Adora o clube, tudo o que o envolve, mas não é cego e muito menos vê só vermelho! Para ele, o Cristiano Ronaldo é o jogador mais completo do mundo, a formação do Benfica devia render mais e Portugal caminha a Passos largos para o abismo.                                                                                                                                                 O Gonçalo não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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