Um dos problemas mais comuns relativamente aos jovens da formação, quando estes dão o salto para profissionais, é a gestão de expectativas. Quando estes chegam à equipa B, são submetidos a um conjunto de estímulos e de dificuldades que são uma novidade para eles, sendo que existem certas situações nas quais é preciso orientar os jogadores de modo a que estes não se percam no meio do seu processo de crescimento e de preparação para a equipa principal.

O primeiro aspeto no qual é importante gerir as expectativas tem a ver com os resultados. Independentemente de serem campeões nas camadas jovens ou não, num clube como o SL Benfica, um jogador transita dos juniores para o futebol sénior com uma percentagem de vitórias a rondar os 90%. No entanto, ao chegarem à equipa B, os jogadores ficarão submetidos a um contexto completamente diferente.

A disputarem uma competição profissional, na qual defrontam jogadores bastante experientes e onde a prioridade é a evolução dos jogadores e não os resultados, a percentagem de vitórias irá baixar drasticamente e é preciso incutir aos jogadores que a prioridade passa por prepará-los para a equipa principal.

Nas oito temporadas que a equipa B já realizou na Segunda Liga, a melhor percentagem de vitórias que conseguiu obter foi de 48% na temporada 2013/2014, na qual realizou 46 jogos e conseguiu 22 vitórias. E, no entanto, esses resultados não impediram o Benfica de fornecer bastantes jogadores para a equipa principal.

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A questão que na minha opinião é a mais importante no que toca à gestão das expectativas passa pelo facto de que a preparação para a equipa principal é algo que leva tempo e que não se concretiza com cinco ou 10 jogos pela equipa B.

Na minha opinião, este aspecto a nível da gestão de expectativas torna-se cada vez mais difícil de gerir com o passar dos anos e a tendência é para piorar. Isto porque vivemos uma era de globalização e de grandes avanços tecnológicos, que faz com que as pessoas tenham uma tremenda facilidade de acesso à informação.

Tomás Tavares só realizou um total de seis jogos pela equipa encarnada
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Como tal, havendo uma maior divulgação nas redes sociais, os jogadores das camadas jovens vão-se tornando mais conhecidos com 16/17 anos, sendo que fica difícil contrariar o entusiasmo de um jogador quando o clube partilha um vídeo de um golo dele que vem a ter dezenas ou centenas de gostos e partilhas. Isto, aliado às circunstâncias que já existem, como o dinheiro, os agentes, os pais e as namoradas.

Quando os jovens começam a destacar-se na equipa B, multiplicam-se os posts nas redes sociais a dizer que o jogador a, b ou c deve começar a ser aposta na equipa principal, muitas vezes sem entender que o processo de preparação deve ser contínuo. Como Renato Paiva já disse uma vez, o ideal era que cada jogador da formação fizesse 50 jogos pela equipa B até estar preparado para a equipa principal.

Na minha opinião, esta gestão de expectativas foi muito mal feita no caso de alguns jogadores, principalmente, nos casos de Nuno e de Tomás Tavares, dois jovens que foram lançados na equipa principal de forma prematura. No caso do lateral-direito, este estreou-se pela equipa principal num jogo para a Liga dos Campeões, tendo realizado apenas três jogos pela equipa B.

Para além do jovem ter acusado a falta de preparação a um contexto profissional, estas apostas feitas precocemente fazem transparecer a ideia de que não é preciso trabalhar muito para chegar à equipa principal, fazendo os miúdos desleixaram a sua abordagem aos treinos e mais propensos a amuarem quando as coisas não correm como desejam.

Este é todo um processo que deve começar pelos treinadores e pelos profissionais do Benfica Campus e que também deve passar por agentes, familiares e amigos dos jogadores e sucessivamente pelos adeptos. A gestão de expectativas é uma tarefa cada vez essencial na gestão da carreira dos miúdos, mas também cada vez mais difícil.

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