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Foi um Benfica moralizado com o tropeção do Porto nos Barreiros aquele que entrou no lamaçal de Barcelos. Num relvado próprio para râguebi e não para futebol, durante a primeira parte o que faltou em futebol sobrou em faltas, apitos de um dos piores árbitros portugueses e lama pelo ar. Para o registo ficam apenas dois lances de perigo por parte do Benfica: o primeiro de Rodrigo, assistido por Lima (soberba visão de jogo de Nico Gaitán), que, num campo em mínimas condições, teria feito golo; o segundo num excelente pontapé de meia distância de Siqueira, a rasar a trave da baliza gilista. Chegava o intervalo com um 0-0 que se justificava perante tamanha inércia das duas equipas.

No segundo tempo surgiu um Benfica com mais vontade, dinâmica e velocidade. Depois de deixar passar em claro uma grande penalidade evidente cometida sobre Rodrigo, Bruno Paixão expulsou Siqueira aos 58 minutos. Quando o Benfica parecia mais perto do que nunca de conseguir furar a muralha do Gil Vicente, duro golpe para as contas de Jorge Jesus, que se preparava aí para lançar Cardozo. Recuou, manteve o Tacuara no banco e acabou por ser mesmo através de um penálti sem margem para dúvidas, cometido sobre Gaitán, que Lima inaugurou o marcador. Pedia-se um Benfica solidário e ciente da importância deste resultado nas futuras contas do campeonato.

Os gilistas não se deixaram intimidar e aos 73 minutos festejavam o empate Fonte: Mais Futebol
Os gilistas não se deixaram intimidar e aos 73 minutos festejavam o empate
Fonte: Mais Futebol

Com mais um homem em campo, o Gil tentava atacar de forma envergonhada. Luís Martins assustou num livre lateral: canto e, num pontapé de ressaca, Vítor Gonçalves contou com a preguiça de Oblak (miúdo, deixa as defesas com estilo para outro tipo de jogos…) para chegar ao empate. Estava feito o 1-1 e o Benfica reduzido a 10 teria de ir buscar forças às pernas já desgastadas pelo lamaçal barcelense. Faltavam 20 minutos para o fim quando Cardozo foi mesmo lançado, três meses depois da última aparição, que ainda deverá tirar sono aos sportinguistas. E foi mesmo o paraguaio a ter nos pés uma enorme oportunidade de golo, quando à boca da baliza rematou para uma defesa por instinto de Adriano. O Benfica carregava e desesperava por um golo importantíssimo que lhe valesse os 3 pontos, mas sempre com muito coração e pouca razão. Já nos descontos, Djuricic, em pés de veludo na lama, ganhou um penálti duvidoso e Cardozo quis coroar o regresso da lesão com um golo. E quão importante seria. Marcou mal, muito mal, e falhou. De uma possível vantagem de 2 pontos para o Sporting e 6 para o Porto, vamos acabar por entrar para o derby muito pressionados pela provável igualdade pontual com o Sporting.

Bem sei que o Jesus se costuma dar bem com o clube de Alvalade, mas também sei como está talhado para falhar nos momentos decisivos, como hoje. Se posso desculpar Cardozo pela fome de bola e do golo, tenho de culpar o treinador por não ser minimamente inteligente ao perceber o enorme risco corrido ao entregar tal responsabilidade a quem regressou hoje de uma ausência de 3 meses. Daqui para a frente as coisas são fáceis de prever: vencer o Sporting para a semana e guardar essa vantagem até ao Sporting–Porto, que está para breve. Queria só lembrar que, com um treinador competente e condenado ao sucesso, teríamos por esta altura DEZ (!) pontos de vantagem sobre o Porto. Pensem nisso.

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