A CRÓNICA: EM NOITE DE GUARDA-REDES, AUTO-GOLO FOI TRAIÇÃO

Final de tarde de um domingo de chuva intensa no Estádio Cidade de Barcelos, onde o Gil Vicente e o SL Benfica se defrontaram para mais um jogo a contar para a Primeira Liga. Depois da paragem do campeonato durante duas semanas, dando lugar a jogos da Taça de Portugal e Taça da Liga, os gilistas e as águias defrontaram-se num jogo que seria bastante importante para ambas as equipas. O SL Benfica queria manter a distância para o primeiro lugar ocupado pelo Sporting CP e a formação de Ricardo Soares pretendia mostrar uma mudança nos seus resultados, dado que nos últimos cinco jogos, venceu apenas um.

A primeira metade dos 45 minutos iniciais demonstrou um SL Benfica ofensivo, no entanto não o suficiente para conseguir concretizar. O Gil Vicente ainda conseguiu criar algumas ocasiões de golo, mas nenhuma feroz ao ponto de assustar Vlachodimos. Já a turma de Jorge Jesus fez tremer Denis algumas vezes e uma das mais flagrantes foi um lance com Darwin Nuñez, onde o guarda-redes brasileiro saiu totalmente da sua posição para tentar impedir o avançado das águias de abrir o marcador, mas, se não fosse Rodrigo, o tiro era certeiro.

Os minutos foram passando e os gilistas demonstraram uma grande dificuldade em chegar ao último terço e, por vezes, de ultrapassar mesmo a linha do meio-campo. A pressão defensiva do SL Benfica ficou plenamente demonstrada, com a linha dos defesas bastantes subida no campo. A par disso, viu-se algum critério a nível de passes entre jogadores das águias que só não abriram o marcador na primeira parte porque Denis foi, durante todo esse tempo, o salvador da equipa da casa.

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Aos 38 minutos, Gilberto rematou de forma estrondosa de fora da área e, mais uma vez, Denis esticou-se até ao máximo que conseguiu e conseguiu parar a bola que ainda tirou tira à trave da baliza, mesmo com o desvio do guarda-redes.

A primeira oportunidade de golo do Gil Vicente apareceu a três minutos do final da primeira parte, onde um cabeceamento de Vítor Carvalho cheirou o poste esquerdo da baliza de Vlachodimos.

A primeira parte termina com alguma confusão, tanto nos bancos de ambas equipas, como no relvado, após a expulsão de Ygor Nogueira, e um empate a zeros no marcador.

No retomar do encontro, o minuto 56 foi de sufoco para a equipa do SL Benfica. Vlachodimos foi o verdadeiro sinónimo de muralha. Foram três lances de ocasião mais que flagrante para o Gil Vicente inaugurar o marcador. A primeira uma defesa extraordinária do grego a um cabeceamento de Lourency, o segundo um remate depois de um canto batido pelos gilistas que “rebentou” a barra da baliza e um remate à figura concretizou o terceiro lance.

Mas as águias não se deixaram intimidar. No lance seguinte, após um cruzamento, Everton cabeceou para a baliza de Denis e, no percurso da bola, Rodrigo cabeceou também para tentar evitar o golo, mas o mal foi maior. O defesa do Gil Vicente acabou por introduzir a bola dentro da baliza da própria equipa e foi assim a inauguração do marcador. 1-0 aos 60 minutos para o SL Benfica.

Logo no minuto 63, Samuel Lino enfrentou e deixou para trás mais de metade da equipa encarnada, pelo flanco esquerdo, rematou para enorme defesa de Vlachodimos e, na recarga, Lourency conseguiu falhar praticamente de baliza aberta e rematou para fora da baliza.

E, como quem não marca sofre, Everton aumentou a vantagem do SL Benfica no lance seguinte. Numa jogada idêntica à do primeiro golo, Seferovic cruzou diretamente para a cabeça do brasileiro e, desta vez, não houve defesa que parasse o golo.

Depois destes minutos de sufoco, o jogo acabou por arrefecer até ao final da partida. Não existiram muitas mais oportunidades de golo para qualquer uma das equipas, nem propriamente qualquer tipo de perigo.

As águias acabaram por vencer por 2-0 no Estádio Cidade de Barcelos, conseguindo manter a distância para o Sporting CP e a dificultar a vida do Gil Vicente na Liga.

 

A FIGURA

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Odysseas Vlachodimos – Em noite de guarda-redes, Denis foi príncipe e Odysseas virou rei. Foi uma autêntica definição de muralha na baliza do SL Benfica. Se os encarnados não sofreram qualquer golo foi devido à exibição tremenda e implacável do guarda-redes grego. Mesmo as jogadas que pareciam dar golo certo, Vlachodimos demonstrou que tudo era possível.

 

O FORA DE JOGO

FDJ - Gil Vicente FC X SL Benfica
Carlos Silva / Bola na Rede

Lucas Mineiro – O defesa brasileiro do Gil Vicente cometeu bastantes erros, principalmente na primeira parte do encontro. Muitas das ocasiões criadas por parte do SL Benfica partiram de erros defensivos de Lucas Mineiro. Bastantes foram os passes errados que poderiam efetivamente comprometer. Apesar desses mesmos erros, é de salientar também que algumas das oportunidades criadas pelo Gil Vicente partiram de Lucas.

 

ANÁLISE TÁTICA – GIL VICENTE FC

Ricardo Soares optou por um 3-4-4, tornando o jogo do Gil Vicente mais compacto no meio-campo.

Denis segurou as redes, com a ajuda de uma linha defensiva composta por Ygor Nogueira, Rodrigo e Talocha. O meio-campo foi preenchido por Joel Pereira, Vítor Carvalho, Claude Gonçalves e Lucas Mineiro.

Os homens mais avançados no terreno da formação gilista foram Leautey e Samuel Lino, no apoio a Lourency.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Denis (7)

Joel Pereira (6)

Rodrigo (5)

Lourency (6)

Claude Gonçalves (6)

Antoine Leautey (5)

Vítor Carvalho (6)

Lucas Mineiro (5)

Samuel Lino (6)

Talocha (6)

Nogueira (5)

 

SUBS UTILIZADOS

Tim Hall (6)

Henrique Gomes (6)

Boubacar Hanne (6)

Baraye (-)

Ahmed Isaiah (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – SL BENFICA

Jorge Jesus foi a jogo em Barcelos com algumas alterações no onze inicial (com vista a Supertaça frente ao FC Porto). Utilizou um 4-4-2 que, apesar das mudanças, aparentou estar na máxima força.

Na defesa, a alteração mais visível foi a entrada de Jardel em detrimento do argentino Otamendi. A restante linha manteve-se com Jan Vertonghen, o regresso de Alex Grimaldo na esquerda e Gilberto no lado direito.

O meio-campo foi ocupado por Pizzi, como já é habitual, e Julian Weigl. A frente de ataque foi, desta vez, ocupado por ambos os atacantes de serviço das águias- Darwin Nuñez e Haris Seferovic fizeram dupla na frente, com a ajuda de Everton e Pedrinho.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Odysseas (8)

Grimaldo (6)

Jardel (6)

Jan Vertonghen (6)

Gilberto (5)

Pizzi (6)

Julian Weigl (7)

Everton (7)

Pedrinho (6)

Haris Seferovic (6)

Darwin Nuñez (7)

SUBS UTILIZADOS

Adel Taarabt (6)

Diogo Gonçalves (6)

Luca Waldschimdt (-)

Andreas Samaris (-)

Franco Cervi (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

SL Benfica

Não foi possível colocar questões ao técnico do SL Benfica, Jorge Jesus

Gil Vicente FC

BnR: Num jogo onde faltou maioritariamente eficácia por parte do Gil Vicente, o que fica a sentir a equipa depois de não ter conseguido arrecadar o objetivo de levar pontos?

Ricardo Soares: Nós, treinadores, temos de ser equilibrados e temos de passar esta mensagem. Aquilo em que eu acredito é que, no futuro, vamos jogar menos e vamos ganhar. Calhou ao Benfica essa “felicidade”. Aquilo que eu digo, e os jogadores sabem disso, nós temos de ser equilibrados. Sabemos o que fazemos, acreditamos no que fazemos e nos jogadores que temos à nossa disposição e, se calhar, no próximo jogo não teremos tantas oportunidades e podemos ganhar. Isto é mesmo assim. O futebol é assim. Hoje foi assim, amanhã é a nosso favor. Eu convivo bem com isso.

 

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