A CRÓNICA: AS ESTRELAS SÃO O “3” E O “4”

O SL Benfica deslocou-se em modo poupança a Barcelos e amealhou a terceira vitória em outros tantos jogos na Liga Portuguesa 2021/22. Perante um Gil Vicente FC amorfo ofensivamente, mas bem organizado defensivamente – e com um grande Kritciuk – as águias sofreram para vencer, mas saíram mesmo com os três pontos após uma vitória por 2-0, com golos de autoria inesperada.

Os primeiros dez minutos foram mornos, mas, precisamente ao minuto dez, o SL Benfica deu duas pancadas no gongo e acordou a partida. Por gongo entenda-se ferros da baliza minhota. Primeiro Taarabt, com um remate colocado, e depois Gilberto, com um cabeceamento à entrada da pequena área, fizeram estremecer a baliza à guarda de Kritciuk.

Gilberto conseguiu ainda aparecer na recarga ao próprio cabeceamento e colocou mesmo o esférico para lá da linha de baliza. Todavia, um fora de jogo tirado a Everton – que havia estado na assistência – impossibilitou que o lateral brasileiro vestisse a máscara que caracteriza os seus festejos.

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Também o Gil Vicente FC acordou para o jogo. Nos minutos sequenciais, os pupilos de Ricardo Soares testaram Vlachodimos em duas ocasiões, tendo o grego respondido com sucesso. Do outro lado, o guardião barcelense também respondeu bem a novo remate perigoso de Taarabt (desta feita, na forma de um livre direto).

Com o minuto 35 a aproximar-se, Yaremchuk apareceu pela primeira vez com bola em zona de finalização. Bem servido por Everton, o ucraniano atirou de canhota por cima do ombro de Kritciuk, mas também por cima da trave. Viria a ser o último momento de perigo para qualquer um dos lados da contenda no primeiro tempo.

Felizmente, a emoção na segunda parte chegou cedo. Logo no primeiro minuto, Gonçalo Ramos recebeu na direita de Gilberto, fletiu para dentro em drible e rematou de pé esquerdo para uma defesa esforçada de Kritciuk. Estava lançado o mote para o sufoco dos visitantes aos minhotos.

Com uma dezena de minutos jogados na segunda metade, novo golo anulado aos homens da capital. Yaremchuk foi apanhado em posição irregular no momento do cruzamento que lhe havia sido dirigido e a que havia correspondido de primeira. O Gil Vicente FC suspirou de alívio.

Momentos mais tarde, os homens de Ricardo Soares conseguiram, pela primeira vez em 15 minutos de segunda parte, sair do colete-de-forças em que estavam inseridos e obrigaram mesmo Vlachodimos a uma defesa apertada com as pernas. Defesa apertada cá, defesa apertada lá. Quatro minutos depois, Ramos deu a cabeça à bola bombeada por João Mário para a área e viu Kritciuk negar-lhe o tento inaugural.


O lance periclitante seguinte tardou, mas chegou. Aos 82 minutos, uma bola perdida na grande área e rematada por João Mário. Golo? Não, disse pela enésima vez Kritciuk. Contudo, um singelo minuto mais tarde, o guardião caseiro já não pôde negar o golo às águias. Na sequência do canto cedido pela defesa de Kritciuk, Lucas Veríssimo ficou pela área. Aí, o “4” das águias intercetou um remate fraco de Pizzi, inteligentemente, e rematou, imprimindo à bola melhores condições do que aquelas que esta havia recebido do médio português. Estava desfeito o empate.

Cinco minutos mais tarde, o SL Benfica deixava também desfeito o Gil Vicente FC. Passe de Ramos para Grimaldo e remate fantástico e indefensável do lateral espanhol, a 35 metros (mais metro, menos metro) da baliza. O “3” das águias selava assim o 2-0, resultado merecido e ajustado às incidências da partida, uma vez que premiou a insistência dos visitantes e castigou a passividade dos visitados.

 

A FIGURA

Kritciuk – Apesar da derrota, do bom jogo de Meité e de mais uma grande exibição de Lucas Veríssimo, o guardião do Gil Vicente FC convenceu-me a atribuir-lhe o prémio de Figura BnR.

Foram inúmeras e de grande qualidade (e dificuldade) as defesas do russo, que permitiram que os gilistas estivessem dentro do resultado até aos 83 minutos, mesmo estando fora do jogo toda a segunda parte.

 

O FORA DE JOGO

Segunda parte gilista – Praticamente não houve Gil Vicente FC na segunda metade da partida, sobretudo em termos ofensivos. A partir dos 75 minutos, os homens de Ricardo Soares apresentaram a sua resignação e mudaram mesmo para uma linha de cinco defesas, baixando o bloco e defendendo um ponto que acabaram por deixar fugir.

 

ANÁLISE TÁTICA – GIL VICENTE FC

Os gilistas viram-se privados de Fran Navarro já em período de aquecimento. A ausência do avançado mais fixo aumentou a necessidade dos visitados em apostar numa frente ofensiva mais móvel e dinâmica. Com o precioso auxílio de Fujimoto, os homens mais adiantados (Lino, Bilel e Murilo) procuraram várias tabelas e jogadas combinativas, alinhando próximos uns dos outros em diversos momentos.

Com Bilel na direita e Murilo na esquerda, cabia a Lino marcar presença no centro do ataque (ainda que as dinâmicas barcelenses potenciassem trocas de posição entre os três). Fujimoto era quem tomava para si as batutas, aproximando-se com bola de um dos homens da dianteira gilista, em particular Bilel, uma vez que era o direito o corredor predileto dos minhotos para as suas ofensivas.

No momento ofensivo, o 4-3-3 dos gilistas era mais decalcado, transformando-se habitualmente num 4-4-2 na hora de defender, com Fujimoto a auxiliar Samuel Lino (regra geral, ainda que também os dois extremos/alas tenham desempenhado o papel) na primeira linha de pressão.  Com a saída de Fujimoto e a entrada de Hackman, os gilistas passaram a alinhar num 5-4-1, com Murilo a assumir o lugar mais adiantado do esquema.

Além do novo sistema, também a postura minhota em campo sofreu alterações. Os gilistas compactaram e baixaram o bloco, procurando estarem mais resguardados e ignorando a procura ativa e clara do golo da vitória.

XI INICIAL E PONTUAÇÕES

Kritciuk (8)

Zé Carlos (5)

Lucas Souza (5)

Rúben Fernandes (6)

Talocha (5)

Vítor Carvalho (5)

Pedrinho (5)

Fujimoto (7)

Murilo (6)

Samuel Lino (6)

Bilel (5)

SUBS UTILIZADOS

Hackman (5)

Matheus Bueno (5)

Aburjania (-)

Marcelo dos Santos (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – SL BENFICA

As águias mantiveram o seu 3-4-3, com a maior das novidades a ser a utilização de Gonçalo Ramos como extremo-direito (com Everton do lado esquerdo, ladeando Yaremchuk). O jovem português e o virtuoso brasileiro procuravam movimentos e terrenos interiores, com naturalidade, procurando beneficiar da posição mais fixa do ucraniano.

Os movimentos de Ramos permitiam as investidas com profundidade de Gilberto pela ala direita, algo que não era mimetizado com tanta regularidade do lado contrário: Gil Dias buscava inserir-se mais por dentro do que alcançar a linha de fundo para o um para um ou para o cruzamento (ainda que o tenha feito algumas vezes). Já Meité e Taarabt abandonavam várias vezes o duplo pivô no momento ofensivo.

Assim, o francês assumia a posição de “6” e o marroquino a de “8” de forma bem clara. No momento defensivo, no entanto, as órbitas de ambos já se aproximavam, tentando as águias contrariar o meio-campo a três dos homens de Barcelos. Destaque para a abrangência de posicionamento do “11” do SL Benfica, que funcionou como limpa-para-brisas nos momentos sem bola dos lisboetas, em particular nas transições defensivas.

O momento sem bola dos encarnados beneficiou muito da capacidade que as águias demonstraram na pressão alta, com os dois médios a atuarem muito subidos, tanto na construção, quanto na destruição. Com a saída de Yaremchuk, Ramos foi transplantado da direita para o centro do ataque, ficando ladeado por Everton e Pizzi. Mais tarde, a entrada de Darwin levou as águias a jogarem num 3-5-2, com o uruguaio a alinhar com Ramos em cunha no ataque, e Pizzi a ser o terceiro médio.

 

XI INICIAL E PONTUAÇÕES

Vlachodimos (6)

Gilberto (5)

Lucas Veríssimo (8)

Otamendi (6)

Morato (6)

Gil Dias (5)

Meïté (7)

Taarabt (5)

Everton (5)

Gonçalo Ramos (6)

Yaremchuk (5)

SUBS UTILIZADOS

André Almeida (5)

Pizzi (5)

João Mário (5)

Grimaldo (6)

Darwin (5)

Artigo revisto por Gonçalo Tristão Santos

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