“´Lázaro, levanta-te e anda!` E Lázaro andou”. Já o negócio de Lázaro não andou e aparenta não anda nem por milagre. De acordo com o agente do próprio, Valentino Lázaro deseja ficar no FC Internazionale Milano, numa clara relação unilateral, dado o desinteresse que o campeão italiano demonstra nutrir pela permanência do austríaco com raízes angolanas.

O SL Benfica vai insistindo e persistindo, como a amante que acredita que ele vai deixar a atual para assumir a nova relação. É triste um clube desta dimensão prestar-se a este papel? Não, não… Oh, é lá triste… Não, não… Vá, é um bocadinho. É um bocado. É. Se Lázaro não quer vir, não vem. Por mais qualidade que assista o jogador.

No entanto, a nova direção encarnada parece andar cega de amor pelo internacional austríaco de 25 anos. Apartando as questões mais subjetivas relacionadas ao amor (mormente a ideia que defende que este reside no ser amante mais do que no ser amado), indaguemos: o que é que Rui Costa e companhia veem de tão magicamente belo e apaixonante em Valentino Lando Lázaro?

Experiências em ligas de renome, qualidade técnica, características físicas interessantes, potencial rendimento financeiro e suprimento de uma lacuna do plantel. Lázaro já conheceu quatro campeonatos – o austríaco e três do top-5 das ligas europeias (Alemanha, Itália e Inglaterra). Como tal, o penta campeão austríaco tem granjeado várias experiências enriquecedoras.

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Além disso, em todos os clubes que já representou (Red Bull Salzburg, Hertha BSC, FC Internazionale Milano, Newcastle United FC e Borussia VfL 1900 Mönchengladbach), Lázaro mostrou sempre competências técnicas notáveis, sobretudo no um para um ofensivo. Contudo, Valentino também goza de faculdades técnicas defensivas razoáveis. Falta-lhe, claro está, a consistência necessária para se estabelecer e estabilizar num só clube.

Às qualidades técnicas, o jogador, que fez dois golos em 28 encontros pelos alemães do Borussia M´gladbach em 2020/2021, alia traços físicos interessantes para um homem de corredor (neste caso, direito). O seu 1,80m e os seus 72 quilos permitem-lhe estar no ponto ideal para congregar poderio físico, agilidade e velocidade, e fazem dele um lateral/ala à medida (e com as medidas) de Jorge Jesus.

Rui Costa e demais “estrutura” olharão com igual agrado para o aspeto financeiro do negócio. Aos 25 anos, é plausível que Lázaro, caso se torne jogador do SL Benfica, renda uns bons milhões quando deixar de o ser.

Com um valor de mercado atual de dez milhões de euros (de acordo com o “Transfermarkt”) e tratando-se de um futebolista que já esteve avaliado em 19 milhões (idem), é fácil acreditar que um eventual êxito desportivo se fizesse acompanhar de lucro financeiro.

Por fim, Valentino Lázaro viria suprir uma lacuna que se mantém no plantel das águias, apesar dos bons desempenhos de Diogo Gonçalves na segunda metade da época transata. Ideal para um sistema de três centrais, o austríaco cumpriria com sucesso também no 4-4-2 que tem sido escolha de JJ na atual pré-temporada.

Com Diogo Gonçalves lesionado, a titularidade de Valentino seria, ainda mais, um dado adquirido. E, então, com o português recuperado e com o austríaco em forma, o SL Benfica ficaria finalmente abastecido de laterais/alas direitos com a propensão ofensiva que se exige num clube que goza da posse de bola durante a larga maioria do tempo e na larga maioria dos jogos.

Assim, compreendo até certa extensão a paixão que a “estrutura” do clube tem por Valentino Lázaro. Não compreendo, todavia, que se torne uma obsessão. Há mais Lázaros na Terra e, parafraseando Florbela Espanca, “o melhor de todos os Lázaros não merece um fanatismo”. Reiterando e resumindo, se não quer vir…

Artigo revisto por Gonçalo Tristão Santos

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