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Num jogo que não ficará na memória de ninguém, a história mostrou que tem poder para manter tradições: o Nacional continua sem vencer na Luz e o Benfica sem perder na Taça da Liga, onde já disputou 30 jogos. De mais uma exibição modesta, sobraram, no final, os três pontos.

Antes do começo da partida, o meio receio era de que o Benfica proporciona-se outro jogo desinteressante e de fraca qualidade. Confirmou-se. Antes de mais, disputava-se a Taça da Liga, competição que alguns desvalorizam, outros preferiam que já não existisse mas que o Benfica leva a sério. Jorge Jesus desenhou um “onze” muito próximo do habitual, exceção feita às ausências de Luisão e Salvio (por lesão) e de Samaris e Gaitán (já nem falo de Enzo, que vai agora espalhar classe nos relvados espanhóis). Percebe-se que o treinador do Benfica tente limitar a rotatividade, pois, afinal, esta competição é a única, para além do campeonato que o Benfica tem hipóteses de ganhar.

A primeira parte poderia-se praticamente resumir ao golo dos encarnados. Maxi recuperou, na raça, uma bola que parecia perdida e tirou um cruzamento perfeito para Jonas voltor a demostrar o seu enorme poder de impulsão e cabecear para o fundo da baliza. De resto, do primeiro tempo, só notas negativas: Talisca completamente desorientado e incapaz de transportar jogo, uma inaceitável quantidade de passes falhados pelas duas equipas, um futebol pouco concreto. Jogava-se a um ritmo de pré-época e, tal como já tinha acontecido no jogo com o Gil Vicente, o Benfica deixou-se levar no adormecimento geral. À beira do intervalo, Maxi fez estremecer a trave e, muito provavelmente, acordou metade dos espetadores no Estádio, que já tinham caído num sono profundo.

O Benfica entrou a vencer na Taça da Liga Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica
O Benfica entrou a vencer na Taça da Liga
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica

Jorge Jesus deve ter-se apercebido da pouca dinâmica da equipa e, consciente de que os madeirenses poderiam acelerar o jogo e chegar ao empate, lançou Gaitán ao intervalo. O substituído foi Pizzi, que, desta vez a alinhar como médio direito, mais uma vez não convenceu. O treinador do Benfica está embrulhado num grave dilema: acreditou que, com trabalho e treino, o português poderia, não sendo uma boa alternativa, disfarçar a saída de Enzo até ao final da época mas a convicção parece estar, à medida que os jogos vão passando, a desmoronar-se. E como Talisca continua no reino da instabilidade, com jogos onde se revela decisivo a desbloquear resultados e outros em que a sua presença mal se nota, está a tornar-se cada vez mais urgente que Vieira ataque o mercado e traga para Lisboa um jogador capaz de colmatar uma a saída do argentino, num lugar tão importante como a posição oito.

A entrada de Gaitán aumentou de imediato o ritmo de jogo, embora as oportunidades de golo continuassem a escassear. O Nacional raramente criou perigo e no plano defensivo, destaque positivo para a prestação e Cristante, que, embora continue a evidenciar alguma lentidão no passe, evoluiu no que diz respeito à noção do espaço, à eficácia do passe e à pressão ao portador da bola. Se é verdade que os alvinegros podiam ter empatado num cabeceamento de Lucas João (que Júlio César defende com o pé, qual guarda redes de andebol), também o Benfica poderia ter ampliado a vantagem, mais vez através do instinto goleador do brasileiro Jonas.

Apesar da vitória ficam dois avisos: é preciso arriscar mais vezes o remate à baliza adversária. À exceção de dois ou três jogadores, que não têm receio de arriscar e remate e, porventura, falhar, a grande maioria raramente o faz. Só assim se explica que o grande caudal ofensivo resulte, como muitas vezes se tem visto, em poucas oportunidades de golo. E segundo, este futebol com o rótulo de “ não espetacular mas suficiente para ganhar” acabará por começar a provocar alguns dissabores, portanto pede-se mais dinâmica, mais intensidade e um esforço coletivo para encarar a sempre difícil segunda volta da Liga, em que se espera que regressem os atletas lesionados, que, a recuperarem, seriam, decerto, o melhor reforço.

A Figura
Maxi Pereira – É difícil escolher o melhor em campo num jogo com uma qualidade tão baixa mas pelo esforço, pela raça habitual (que o leva a nunca dar um lance como o perdido) e pela segurança que demonsta a defender, ao mesmo tempo que apoia o extremo direito a atacar, o uruguaio merece esta distinção.

O Fora-de-Jogo
Talisca – Extremamente irregular, voltou a fazer um jogo fraco, onde passou quase despercebido. Se não é de estranhar que ainda não tenha interiorizado os conhecimentos táticos, a verdade é que hoje nem sequer teve velocidade para impulsionar o processo ofensivo.

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